QUERO SER PALESTRANTE

QUERO SER PALESTRANTE: Dicas do palestrante Mario Persona para palestrantes, mestres de cerimônia, comediantes, oradores, conferencistas, professores, advogados, políticos, estudantes, apresentadores, líderes, repórteres, jornalistas, formadores de opinião...

03/11/09

O palestrante e a Lei de Murphy

Palestrantes também estão sujeitos à Lei de Murphy, aquela que diz que se alguma coisa tiver de dar errado, dará. Vou tentar lembrar o que já deu errado comigo para você ficar esperto quando fizer suas palestras. Infelizmente, são coisas que, na maioria das vezes, até o palestrante mais preparado não pode prever.

  • O fotógrafo no palco enroscou o pé no fio de meu notebook que viajou de uma extremidade à outra da mesa e ficou balançando na beiradinha. Sugestão: Verifique se os cabos estão devidamente cobertos por fita adesiva ou carpete.
  • Garçom subiu no palco no meio da palestra, parou ao meu lado, despejou a água de uma jarra em um copo e ficou com a bandeja na mão esperando eu pegar o copo. Detalhe: eu estava no meio de uma história engraçada que perdeu a graça com a interrupção. Sugestão: Certifique-se de que não haverá interrupções em sua apresentação.
  • O "ténico" desconfigurou todo o meu notebook tentando fazê-lo funcionar com seu projetor multimídia enquanto eu ia enrolando o assunto porque a palestra já tinha começado e a telona continuava azul. Sugestão: Certifique-se de que o responsável por ligar as coisas sabe que apertando as teclas Fn+F5 (no meu é assim) a imagem irá para a telona.
  • A promotora de um evento pago me "prendeu" nos bastidores durante uma hora esperando chegar mais gente na bilheteria. Quando apareci no palco fui fuzilado com o olhar dos que chegaram na hora. Sugestão: Quando o evento for aberto com venda de ingressos, verifique se o promotor tem experiência na promoção e venda de eventos.
  • O vídeo que funcionava direitinho em meu notebook falhou no micro do evento. Sugestão: Se for usar um computador que não seja o seu, teste seus arquivos antes de iniciar a palestra.
  • O computador do evento resetou no meio da palestra. Sugestão: Tenha sempre uma história interessante na manga para contar em momentos assim e que leve o tempo do Windows reiniciar.
  • O controle remoto fornecido pelo evento estava com as pilhas fracas. Sugestão: Exija pilhas novas ou use seu próprio controle remoto. Se descobrir só depois de começar a palestra, sincronize seu andar pelo palco para estar o mais próximo possível do computador na hora de trocar o slide. Cuidado para não cair do palco.
  • Na versão sem controle remoto do "mico" acima o evento fornecia um "ténico" para ir trocando os slides. Sugestão: Pague um café na veia do técnico antes de sua palestra para não precisar acordá-lo no meio da palestra.
  • Em uma cidade pequena o promotor do evento voltado a um segmento profissional específico marcou a data da palestra na mesma data do principal congresso da região para aquele mesmo segmento. Sugestão: Alerte o promotor do evento para verificar o calendário de eventos da cidade para evitar que algum evento venha a drenar sua audiência.
  • Na versão estudantil do imprevisto acima o promotor marcou a palestra na semana das provas de todas as faculdades da região, predominantemente noturnas. Sugestão: Avise o promotor que aluno odeia prova, mas nem tanto.
  • Numa versão corporativa do imprevisto acima o diretor da empresa marcou o treinamento para um domingo quando os gerentes das diversas regiões do país preferiam estar em casa. Sugestão: Verifique com o diretor se ele quer mesmo que o treinamento seja no Dia dos Pais.
  • O contratante decidiu fazer um discurso de mais de uma hora antes de sua palestra para uma audiência já apertada de vontade de fazer xixi. Sugestão: Não reclame. Ele está pagando seus honorários
Seja qual for o mico que você for obrigado a pagar, procure ficar sempre de bem com quem o contratou. É preciso encarar os imprevistos com muito bom humor para não cair no erro de um palestrante que vi discutir com seu cliente de cima do palco e falando ao microfone. Depois de uma palestra bem no estilo "zen", na qual falava de amor, paz e respeito, o palestrante virou bicho só porque o promotor do evento distribuiu para a audiência questionários de avaliação com os nomes de todos os palestrantes, e não um questionário exclusivo só com o nome dele, como dizia estar em seu contrato.

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25/09/09

Dicas para o palestrante lançar um livro

Encontrei um texto muito bom com dias para o palestrante lançar seu livro. É claro que antes o palestrante precisa escrever o livro e publicá-lo, ou não terá nada para lançar. Para publicar seu livro a primeira opção é fazê-lo por meio de uma editora com grande capilaridade de distribuição em livrarias. Mas este é também o caminho mais longo e desgastante.

Por isso a alternativa para o palestrante-autor é a auto-publicação por meio de editoras e gráficas pagas: você paga e eles imprimem seu livro. Algumas podem até distribuir seu livro para algumas livrarias, mas a maioria se limita a imprimir os livros e você se encarrega de vendê-los, uma tarefa nada fácil.

A outra opção, que já tratei neste blog, é usar serviços de impressão sob demanda, sem custo, como Clube de Autores (Brasil), Lulu.com (EUA) e CreateSpace.com (EUA). E é do Clube de Autores o texto que reproduzo, com dicas de como fazer o lançamento de seu livro:

5 dicas para organizar o seu evento de lançamento

Para novos autores, o evento de lançamento é um dos momentos mais importantes de suas carreiras. Lá consegue-se reunir amigos e leitores em potencial em torno da sua obra, dando uma espécie de ignição nas vendas.

Quem nos acompanha aqui sabe que temos apostado bastante em lançamentos virtuais - que, de fato, apresentam resultados interessantes (principalmente, claro, quando bem divulgados). Isso sem falar no benefício de ser algo completamente gratuito e acessível - o que sempre ajuda.

Mas nada se iguala a um lançamento físico, rico tanto em pompa quanto em resultados.

A grande questão é: até que ponto vale a pena investir em um local para lançar o seu livro?

A boa notícia é que nem sempre isso é necessário. Aliás, dependendo da habilidade de negociação do autor, isso quase sempre pode sair de graça. Como? Compilamos algumas sugestões com base em eventos feitos por autores daqui do Clube. Confira abaixo:

1) Todas as grandes cidades tem algum tipo de centro cultural, por vezes funcionando com verbas públicas e destinado à divulgação da cultura. Uma rápida busca no Google (ou mesmo ligação para os canais corretos na prefeitura ou secretaria da cultura/ educação) certamente gerará uma lista, mesmo que pequena, de opções. Basta ligar para os locais e negociar o evento que, em grande parte, pode sair gratuito.

2) Cafés e restaurantes. Locais como esses vivem de fluxo de gente - de clientes que consomem e que deixam nos caixas dos estabelecimentos os seus sustentos. E um evento de lançamento de livros trará exatamente isso: gente. Assim, localize alguns desses locais e negocie com os seus proprietários. É possível que você não consiga bancar o coquetel em si para os seus convidados - mas não há nenhum pecado em fazer cada um pagar pelo que consumir.

3) Livrarias. Essas também vivem de gente - claro. Afinal, enquanto os seus convidados estiverem circulando e conversando com amigos no seu evento, eles também estarão olhando (e, possivelmente, comprando) outros títulos. Boa parte das livrarias não cobra nada pelo evento de lançamento - e ainda banca o coquetel. Da mesma forma que com bares, cabe a você escolher algumas livrarias, ligar e neociar o evento em si.

4) Eventos do setor. Aplicável principalmente (mas não exclusivamente) para livros mais técnicos, você pode negociar com a organização de eventos a realização de seu lançamento lá. Se o livro tiver a ver com o tema, o evento em si sairá ganhando, pois aumentará o fluxo de pessoas e ainda poderá sair como apoiador da sua obra.

5) Em sua própria casa. É fato que um lançamento em sua casa provavelmente se restringirá ao seu círculo de amigos. Todavia, essa reunião continua sendo caracterizada como um evento e será uma forma de começar a espalhar pelos quatro cantos que você está lançando um livro seu. Esses pequenos encontros, simples e baratos de organizar, podem ser o pontapé inicial na sua carreira de escritor.

Organizar um evento de lançamento pede a criatividade para se conseguir economizar e, ao mesmo tempo, alcançar resultados positivos. Mas se você já teve a criatividade suficiente para escrever um livro, isso certamente não será um problema!

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19/09/09

O palestrante e sua TV

A tecnologia atual permite que o palestrante aumente o número de canais de exposição. Não há razão para se esconder. Alguns evitam ao máximo a exposição de sua imagem e até proíbem a cópia de suas apresentações ou a filmagem da palestra. Mas eu já vendi palestras graças a pessoas que copiaram minhas apresentações e as fizeram circular em empresas, e os vídeos de minha TV Barbante já venderam várias palestras.

Para criar sua própria TV, não gaste com câmeras caras se o objetivo for vídeo para a Internet (baixa resolução). Comprei uma câmera de fita DV para substituir uma mais antiga, e mesmo assim a nova foi para o armário. A que uso mesmo é uma mini-câmera digital que usa cartão de memória. Gravo com ela e transfiro para o computador pela USB. A minha é uma Genius G-Shot igual à da foto, mas já tem coisa mais moderna.


Comprei um suporte desses de banner extensível sobre o qual prendo um fundo preto feito de tecido comum (que não amassa) preso em duas varas plásticas (pode ser cano de pvc), uma em cima e outra em baixo para fazer peso. O fundo preto reduz a quantidade de pixels que o vídeo precisa processar e evita misturar as cores da pessoa com as cores do cenário em vídeos de baixa resolução.

Em meu caso, como o entrevistado sou eu mesmo (rsss....), filmo com a câmera em um mini tripé sempre um pouco acima do nível dos olhos. Coloco ela na frente de meu monitor e leio o texto atrás dela, enquanto faço um scroll com o mouse sem fio. Atrás do monitor e à direita e esquerda há duas luminárias com luz incandescente, além da luz do teto. É importante ter duas assim a 45 graus do rosto para iluminar e reduzir as sombras. Luz de frente causa brilho nos óculos. Fecho a janela para não misturar luz solar com luz fluorescente (a filmadora se atrapalha).

O som eu gravo separado. Geralmente microfone de camera pega todos os sons do ambiente, portanto o melhor é um microfone que só pegue a voz da pessoa. Eu só uso o som da câmera para sincronizar o áudio na edição do vídeo. Uso um microfone barato colado sob a camisa na altura do gogó, abaixo do colarinho, colado com uma fita crepe no peito. Sim, eu tenho microfone melhor, com aquele pregadorzinho de lapela, mas experimentei vários, e acabei achando um que dava um som excelente. Parece brincadeira, mas é tipo o da foto (eu quebrei a haste e fiquei só com a ponta).


Quando preciso gravar longe do micro eu uso um gravador digital Olympus voice recorder igual ao da foto ligando o microfone nele:


Para editar o áudio e salvar em mp3 uso o programa free Audacity. Para editar o vídeo e acrescentar o áudio eu uso o Windows Movie Maker que vem com o Windows e depois publico no Youtube. Para ter mais uma via de acesso além do próprio Youtube, criei o blog da TV Barbante no Blogger.com.


Para colocar o logo da TV Barbante em alguns vídeos eu uso o VirtualDub (free), o qual também uso para transformar o vídeo 4x3 em 16x9 widescreen, já que minha câmera não grava esse formato aceito pelo Youtube. Para isso é preciso prever na hora do enquadramento que será cortada uma faixa em cima e em baixo do vídeo.

Taí. Agora como usar os programas que mencionei, aí você vai precisar buscar ajuda no help de cada um deles. :)

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05/09/09

Exigencias do palestrante

Não concordo com as exigências exageradas que alguns palestrantes fazem dos contratantes. Eu sei que podem existir exigências até plausíveis, como de qualidade do microfone ou de horários mais convenientes para viajar. Eu, por exemplo, evito ao máximo fazer viagens de carro à noite.

Mas já ouvi coisas absurdas, como um palestrante ter exigido um secador de cabelo para secar o suor dos pés antes de subir ao palco. Outros pedem um camarim com toalhas brancas, caixas de bombons ou cestas de frutas e até água mineral de uma marca específica. Não acredito que alguém coma uma cesta de frutas antes de uma palestra.

Porém, assim como há exagero da parte de alguns palestrantes, alguns contratantes negligenciam uma parte importante do evento, que é o conforto do palestrante. Não digo isto como crítica a quem contrata, pois o contratante é sempre o cliente do palestrante. Mas o promotor do evento pode obter um desempenho melhor do palestrante se usar do bom senso.

Por exemplo, existem opções melhores para trazer o palestrante do aeroporto que fica a 500 km do evento, do que uma Kombi 1959. Tudo bem, nunca me mandaram buscar de Kombi, mas já aconteceu de eu precisar empurrar o carro do promotor que ficou sem bateria. Um carro confortável pode ajudar no estado de espírito do palestrante.

Também não é aconselhável hospedá-lo naquele hotel só porque ele hospedou o presidente Juscelino. Fiquei num hotel assim e dava para ver que desde os dias em que hospedou seu hóspede mais ilustre ninguém tinha se preocupado em reformar ou fazer uma faxina no hotel. Fui procurar outro lugar para ficar de iniciativa própria.

A empresa que contrata o palestrante não está pagando pouco por seus honorários, portanto não faz sentido economizar alguns poucos reais no conforto, que pode dar um ânimo maior ao palestrante em sua apresentação.

Outro detalhe: alguns querem aproveitar a visita do palestrante de tal maneira que acabam por esgotá-lo para a hora da palestra. Pode ter certeza de que ele provavelmente estará tão concentrado na apresentação que irá fazer à noite que nem aproveitará o roteiro que você criou para o dia, levando-o a conhecer todos os pontos turísticos de sua cidade.

Se você deseja um palestrante descansado e revigorado depois de horas de viagem de avião e carro, o melhor mesmo é deixá-lo no hotel para ele estar pronto e disposto para a palestra. Mas não no hotel onde ficou o Juscelino.

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29/08/09

O palestrante e a legalidade

Parece brincadeira, mas nem todo palestrante dá atenção à questão da legalidade no exercício de sua profissão. O palestrante não pode se esquecer de que sua carreira é exemplar e ele é um formador de opinião. Muitas pessoas estão atentas à coerência do seu discurso.

A primeira providência é trabalhar dentro da legalidade, ou fornecendo recibo de profissional autônomo, ou constituindo uma empresa e fornecendo nota fiscal de serviços. Se optar por trabalhar na informalidade, tenha em mente que nunca irá conseguir crescer além de um certo limite. Empresas grandes não contratam serviços de profissionais informais, sem recibo ou nota fiscal.

É claro que algumas empresas menores podem propor algum tipo de alternativa, como fazer pagamento por fora e não exigir nota fiscal em troca de algum tipo de desconto. Quando isto acontece, costumo apresentar alguma razão para não fazer isso.

Inicialmente eu brinco que meu contador me matará se eu não emitir nota. Se o cliente ainda assim insistir, sou mais direto: eu não posso falar de coisas como ética, cidadania, crenças e valores para seus funcionários se eu mesmo não agir assim. Mas é raro acontecer, mesmo porque a grande maioria das empresas que atendo são empresas grandes.

A maioria de minhas palestras e treinamentos é realizada sem um contrato formal, ficando apenas o que tratamos verbalmente, os emails e a proposta valendo como carta de intenções. Nunca tive algum problema que exigisse que eu recorresse a um contrato, portanto deixo que o cliente peça se precisar. 90% das vezes não pede e as coisas funcionam mesmo assim.

O conteúdo do palestrante deve ser legal. Refiro-me à sua apresentação, textos, imagens, vídeos, músicas etc. Muita coisa disponível na Internet não é necessariamente gratuita, portanto é bom verificar se as fotos, os vídeos e as músicas que você utiliza não é material protegido por direitos. Do mesmo modo como você não gostaria que outros usassem suas palestras para ganhar dinheiro às suas custas, não vai querer fazer o mesmo.

Se quiser ter certeza de que suas fotos são legais (muita coisa na Internet é pirata), compre os direitos de uso das imagens. É muito barato e há sites que popularizaram a venda de fotos, como o www.istockphoto.com Como no passado fui cartunista, prefiro usar imagens de minha autoria em minhas palestras.

Você não pode passar vídeos inteiros em sua palestra, se estes tiverem direitos reservados, mas pode passar um breve trecho, pois isto tem o mesmo efeito de você citar um parágrafo de um livro, por exemplo. Três minutos de um filme de duas horas não passam de uma citação da obra, e além disso está sendo feito para fins educacionais e até mesmo para a promoção da obra, como se fosse um trailer. Mantenha sempre os créditos. Normalmente é isto o que é feito por palestrantes em treinamentos, mas se tiver dúvidas quanto ao modo como pretende usar vídeos, consulte um advogado de direitos autorais.

O uso de música em palestras já é um pouco mais complicado. Às vezes o próprio organizador do evento coloca música de fundo antes e depois de sua palestra, e é responsabilidade dele fazer o pagamento dos direitos autorais ao ECAD, que cuida disso no Brasil. Se a sua palestra utilizar música, então é quase certeza de que você será obrigado a pagar direitos autorais. Consulte o www.ecad.org.br

Alguns palestrantes têm a preocupação no outro sentido: nunca entregar ao cliente sua apresentação para evitar que roubem suas idéias. Há quem exija que, se a apresentação em Power-Point for copiada para o micro do evento, ela deve ser apagada assim que terminar a palestra.

Existe também uma preocupação muito grande quanto à filmagem, mas numa época em que cada celular é uma filmadora, é muito difícil você controlar isso. O que você vai fazer se perceber alguém na audiência filmando sua palestra com o celular? Vai interromper a palestra para mandar a pessoa parar? Vai confiscar o aparelho? Se você for bom no que faz, não vai encontrar apenas um fazendo isso, e se quiser se indispor com a platéia e sair dali com fama de vilão, experimente impedir.

Eu não me preocupo nem um pouco com isso. Podem filmar, copiar, usar minas apresentações, não importa. Até hoje isso me trouxe mais lucro do que prejuízo. Eu mesmo publico trechos de palestras no Youtube e já fui contratado várias vezes por empresas que viram meus vídeos.

Não se preocupe, se alguém roubar um vídeo seu para exibir para os funcionários da empresa, certamente será uma empresa que jamais iria contratar você. Ao ter seu vídeo pirata exibido para 200 ou 300 funcionários de lá, você ainda tem chances de um dia alguém de lá ir trabalhar em uma empresa que contrata palestrantes e sugerir você. Se não roubarem o seu vídeo para exibir naquela empresa, você terá perdido uma chance de isto acontecer.

Aliás, este é o argumento do Youtube para as gravadoras que têm chiliques quando vêem um clip de um artista seu exibido no Youtube. Obviamente o Youtube retira o vídeo do ar quando a gravadora reclama, mas seu argumento é que aquele vídeo conseguiu atrair a atenção de um milhão de pessoas que agora podem estar dispostas a comprar CDs daquele artista. A alternativa é aquele um milhão de pessoas nunca ter visto o artista. As gravadoras deviam aproveitar esse poder de atração e promoção que o Youtube cria, não lutar contra.

Geralmente "abandono" o arquivo com minha apresentação no computador do evento. Já fui contratado por uma empresa cujo funcionário fez circular em sua rede minha apresentação que recebeu de um amigo. E se outro palestrante usar? Pior para ele, porque minhas apresentações são muito personalizadas. Mesmo assim não me preocupo que alguém que não seja o Mario Persona pode até fazer a mesma apresentação, mas continuará não sendo o Mario Persona. Existe muito de pessoal na atividade do palestrante, algo como acontece com um cantor, por exemplo. Eu posso cantar a mesma música que o Roberto Carlos canta, mas ninguém irá querer pagar para me ouvir.

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23/08/09

O palestrante e seus equipamentos

Certa vez, em uma reunião prévia dos palestrantes com o cliente para um grande evento, este perguntou a cada um de nós palestrantes qual equipamento iríamos precisar para a palestra.

Cada palestrante expôs suas necessidades, principalmente de projeção, som, computador e microfone. Quando chegou a vez do experiente José Augusto Minarelli, ele disse simplesmente: "Um copo d'água". O cliente imediatamente disse que iria pedir para alguém servir água na sala, mas ele explicou que não era ali, era na hora da palestra.

Bons palestrantes conseguem fazer uma boa apresentação e reter a atenção do público só no gogó. Quem teve a oportunidade de ver um monólogo de duas horas com Paulo Autran sentado num banquinho no palco sabe o que é a soma de bom conteúdo com muito talento. As duas horas pareciam poucos minutos.

Com a tecnologia multimídia cada vez mais acessível, o palestrante deve tomar cuidado para não cair no erro em que caíam as gráficas quando começaram a fazer serviços usando o computador.

Antes elas tinham um número limitado de fontes para utilizar em seus textos e anúncios publicitários montados à mão. De repente, CDs com milhões de fontes ficaram disponíveis em todas a bancas e vivemos uma época quando os anúncios em jornais e revistas mais pareciam bilhete de sequestrador, daqueles que vêm com palavras montadas com letrinhas recortadas de jornais e revistas. Um verdadeiro festival de fontes.

O palestrante que se deixar seduzir pela tecnologia vai acabar indo pelo mesmo caminho e levando um caminhão de aparelhagem para sua apresentação. Alguns realmente necessitam disso, pois promovem shows de entretenimento dignos de um cassino de Las Vegas, com mágicas, danças e jogos de luz.

Mas a maioria não precisa disso e é bom ter em mente que quanto maior a parafernália tecnológica, maior sua bagagem e a exigência de pessoas para ajudarem a controlar tudo isso. Como você nem sempre encontrará gente habilitada para controlar seu show, pode acabar precisando levar gente só para isso, o que irá encarecer seus honorários.

O melhor mesmo é limitar ao máximo o uso de equipamentos e também evitar investir nisso. Alguns palestrantes compram seu próprio projetor (data-show) só para descobrirem depois que é um equipamento muito sensível e cuja lâmpada tem data de validade e custa quase o mesmo que o equipamento.

Também não vejo razão para levar seu próprio microfone, a menos que só consiga falar com um determinado tipo. Isto acontece quando o palestrante precisa usar as mãos durante sua apresentação ou é portador de alguma deficiência. Lembre-se de que, além de ficarem obsoletos rapidamente, equipamentos quebram, e é melhor que isto aconteça com o equipamento do cliente do que com o que você levou. Se acontecer com o seu, você será responsabilizado pela falha.

Se não for este o caso, o melhor mesmo é deixar que o cliente providencie tudo, pois há empresas especializadas para isso e o custo é irrelevante. Geralmente essas empresas dispõem de equipamentos de contingência e podem até enviar um técnico para controlar o equipamento.

Normalmente eu levo meu notebook e um pendrive com a apresentação, mas na maioria das vezes acabo usando o computador do próprio evento, que já está ligado e sendo usado por outros palestrantes. Não tem cabimento você exigir que o seu notebook seja ligado, a menos que tenha conteúdo exclusivo que só funciona em sua máquina.

Outro equipamento que levo e, este sim, considero importante, é um controle remoto para a troca de slides. É péssimo fazer uma palestra dizendo "o próximo, por favor", para um sonolento encarregado de mudar os slides em um micro longe de você.

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18/08/09

O palestrante-autor e a noite de autografos

Depois de publicar seu livro on demand, como ensinei no texto anterior, o palestrante vai precisar divulgá-lo. Além das opções normais de publicar em seu site, enviar uma mala direta ou anunciar na mídia, uma forma de divulgar é ter um lançamento ou noite de autógrafos, que pode acontecer várias vezes e em vários lugares para um mesmo livro.

Aqui também não será inteligente o palestrante gastar dinheiro, a menos que tenha condições de trazer um público considerável ao evento e ter certeza de que aquelas pessoas comprarão seu livro. Digo isto porque no Brasil nem todo mundo sabe o que é uma noite de autógrafos. Muita gente ainda acha que é uma oportunidade de ganhar um livro autografado, tipo uma noite de distribuição de amostras grátis.

Se preferir não investir, o palestrante pode optar por parcerias que podem ou não envolver uma palestra sua. Alguns promotores de eventos podem topar promover uma palestra mediante venda de ingressos que inclua um livro autografado, e aí também vai depender do peso do palestrante no mercado. Palestrantes de destaque vão ganhar na palestra, cobrando por ela, e na venda do livro, que deve ficar sempre a cargo de outras pessoas.

Não fica bem você descer do palco e ir correndo para a banca de livros fazer troco, conferir cheques, e ainda autografar. Neste momento as pessoas querem conversar com o palestrante-autor e não vê-lo atrás de um balcão.

Você pode também fazer uma parceria com algum dono de restaurante, bar, livraria, bufê ou qualquer estabelecimento que veja numa noite de autógrafos uma oportunidade para aumentar seu movimento. Inaugurações, estandes de feiras de empresas, eventos cívicos -- tudo pode ser aproveitado como oportunidade de divulgar e vender seus livros. O importante é que tenha público com o perfil adequado e que seu investimento seja o mínimo possível, aproveitando o momento criado por outros.

É bom lembrar que mesmo que não apareça ninguém em sua noite de autógrafos, o mais importante é o que a mídia vai dizer do evento, porque a mídia, formal ou de blogueiros, é que realmente irá multiplicar sua exposição.

Por exemplo, se você fizer as contas e achar que vai gastar mil dinheiros para lançar seu livro em uma livraria de shopping acompanhado de um coquetel, sugiro que use o dinheiro para comprar uma passagem para Nova Iorque.

Aí você arma uma mesa com seus livros no Central Park onde perceber que existe uma aglomeração e pede para alguém tirar fotos. Depois é espalhar seu release com o título “Brasileiro lança livro em pleno Central Park de Nova Iorque”.

Quem você acha que vai aparecer mais na mídia, você ou o Paulo Coelho em noite de autógrafos em alguma livraria por aí? O Paulo Coelho, claro, mas mesmo assim você vai aparecer mais do que se estivesse lançando seu livro em outra livraria do mesmo shopping.

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11/08/09

Palestrante e escritor

Já falei aqui de como um livro ajuda na imagem do palestrante. O livro faz o palestrante subir de status, já que escrever um livro é o sonho de todos nós. Mesmo assim, escritores são raros porque as pessoas preferem gerar filhos, que é considerado lazer, a plantar árvores e escrever livros, que exigem trabalho.

Se você é um palestrante que conseguiu escrever seu livro, já deve estar se sentindo esgotado depois da milésima porta que levou na cara das editoras que consultou. A solução é partir para a auto-publicação. A menos que você tenha uma centena ou mais de compradores certos, tipo família grande e todo mundo devendo favores, não invista seu dinheiro na impressão de seu livro.

A razão é simples: seu carro vai passar o resto da vida ao relento, porque a garagem vai ficar cheia de livros encalhados. O segredo do mercado de livros não está em imprimir, mas em distribuir. A menos que você consiga colocar seu livro no esquema editora-distribuidora-livraria, é melhor mandar imprimir só um exemplar e vender daqui a mil anos como livro raro.

Ou então usar os serviços de impressão sob demanda ou on demand para publicar sem gastar. Aliás, esta é a verdadeira essência do “publicar”, que é tornar público sem necessariamente “imprimir”. O livro fica disponível na Internet e só é impresso quando alguém compra. Os serviços que conheço são Lulu.com (EUA), CreateSpace.com (Amazon EUA), Clube de Autores (Brasil) e Bubok (Portugal).

O seu custo será zero, se você não precisou gastar com ghost-writer, revisor de texto e designer de miolo e capa. Mas seria uma boa idéia gastar nisso tudo se você não tiver talento para escrever, seu texto ser recusado pelo corretor ortográfico do Word, ou decidir usar a pintura a dedo de seu filhinho como capa.

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27/07/09

O palestrante e a parceria

Dependendo do estágio de sua carreira pode ser interessante o palestrante fazer parcerias, totais ou parciais. Evidentemente isso vai depender muito dos interesses do palestrante, do público e do valor agregado. Para o palestrante, fazer parceria simplesmente por fazer pode significar prejuízo se o público não for de formadores de opinião ou mesmo de possíveis clientes.

No início da carreira todas as parcerias podem ser interessantes, já que você precisa ficar conhecido de algum modo e também afinar seus instrumentos. A parceria significa risco, e o palestrante estará dividindo o risco com o promotor do evento. Mas pode chegar um dia em que o palestrante está com uma agenda bastante concorrida e uma parceria pode significar o bloqueamento de uma data que poderia ser vendida a um cliente pagante.

Há promotores de eventos que propõem parcerias como forma do palestrante vender seus livros no evento. É sempre bom fazer as contas antes de partir para uma parceria assim pensando que vai lucrar. A venda de livros em palestras é muito pequena, a menos que você seja um grande escritor ou tenha descoberto a cura para o câncer. Menos de 10% dos participantes do evento comprarão seus livros.

Para você ter uma idéia, se hoje eu entrasse numa parceria preocupado apenas com a receita obtida com a venda dos livros, considerando que o autor recebe da editora em média 10% do preço de capa, eu precisaria vender pelo menos 3 mil livros para receber um valor que compensasse participar do evento sem ganhar nada mais além dos royalties pela venda dos livros.

Como não sou um escritor de best sellers, eu me classificaria como os que vendem para apenas 10% do público presente, portanto seria preciso o promotor do evento colocar ali 30 mil pessoas, para o que ele iria precisar, não de um auditório, mas de um estádio! Mas, pensando bem, se o promotor realmente colocasse 30 mil potenciais clientes para assistirem minha palestra eu nem pensaria em ganhar com os livros...

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24/07/09

Palestrante que não faz só palestras

Quando iniciei no segmento de palestras eu já era palestrante na empresa da qual era diretor. Na época minhas palestras tinham por objetivo promover nossos serviços e eu atuava como palestrante em grandes eventos públicos, ou em eventos que nós mesmos promovíamos nas principais capitais convidando clientes em potencial. Nestes eventos eu entrava como palestrante conceitual e um colega era o palestrante técnico.

Por ser diretor de comunicação e marketing da empresa eu tinha um bom relacionamento com a imprensa e escrevia colunas para alguns jornais. Tudo isso ajudou a promover meu nome e ficou muito mais fácil depois quando me lancei como palestrante. Mesmo assim o começo da carreira de palestrante não foi fácil, mas essa exposição prévia de alguns anos ajudou para que eu não fosse visto como um palestrante desconhecido.

As empresas contratam o palestrante mais pelo que ele aparece na mídia do que pelo que ele efetivamente conhece. É por isso que você encontra grandes palestrantes que não têm grande bagagem, e grandes bagagens que não conseguem se tornar grandes palestrantes por não terem uma boa exposição. Trocando em miúdos, é mais provável que um ator de novela se torne um grande palestrante do que um professor de física quântica.

Deixar um emprego fixo para se lançar neste mercado é possível, desde que você tenha uma reserva para se manter por um bom tempo. Como em qualquer negócio, geralmente a roda não começa a girar em menos de um ano. Se você não for conhecido na mídia, isso vai levar muito mais tempo.

Hoje a Internet ajuda muito, mas você precisa ter a certeza de que está realmente sendo visto e, principalmente, mencionado em sites e blogs alheios. O que os outros falam do palestrante é muito mais importante do que aquilo que o palestrante fala de si mesmo.

Se você tem um emprego fixo e pretende se ingressar no segmento de palestras, o melhor mesmo é tentar levar as duas atividades paralelamente enquanto puder, e só pular para o barco exclusivo das palestras quando este estiver mais abastecido do que o do emprego fixo. São poucos os palestrantes no Brasil que vivem apenas de palestras. A maioria dos palestrantes atua em consultoria, ensino e outras atividades.

Durante alguns anos eu mesmo dividi meu tempo de palestrante com o trabalho de professor universitário e de MBA, além de consultor e tradutor. Hoje, em função do número de palestras e treinamentos em minha agenda, deixei de lecionar e de atender novos clientes de consultoria. Mantenho apenas um relacionamento com editoras traduzindo livros acadêmicos, pois isto me ajuda a estar sempre atualizado.

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10/07/09

Palestrante precavido vale por dois

Um palestrante precavido vale por dois, mas não espere receber dois cachês por isso. Se você não quer ter surpresas em seu trabalho de palestrante, é bom prever todos os problemas que podem surgir antes, durante e depois de uma palestra.

Comece revisando o tema que vai apresentar e dando uma última ligada para seu contato no cliente para os detalhes finais. Esse contato do palestrante com o cliente poucos dias antes é importante por várias razões. Se a sua agenda de palestrante for parecida com a minha, pode acontecer de você ter vários eventos seguidos e acabar misturando na memória o que conversou com cada cliente. Isso poderá confundi-lo.

Além disso pode acontecer do cliente ter decidido alterar alguma coisa no tema da palestra ou e ter se esquecido de avisar o palestrante. Já aconteceu comigo. Enviei uma proposta com temas "A" e "B" e o cliente decidiu fechar com o tema "A". Por alguma razão deixei de fazer o que estou sugerindo aqui e não liguei na véspera para afinar os instrumentos.

Quando cheguei ao local peguei o programa do evento e lá estava o meu nome e o tema "B" ao invés do "A". Imediatamente corri para um canto do auditório, abri meu notebook e montei rapidamente os slides do tema "B" dentro da realidade do cliente antes que chegasse minha vez de ir à frente.

Para isso é importante que o palestrante seja um Dom Quixote e seu notebook o Sancho Pança - inseparáveis. É comum o palestrante ir preparado para falar 2 horas e descobrir que os palestrantes anteriores tomaram mais tempo do que o combinado e sobrar meia hora para a palestra. Nessa hora o jeito é abrir o notebook e eliminar alguns slides para adequar o tema ao tempo disponível para o palestrante.

Levar a palestra em mídias alternativas também é uma boa precaução que o palestrante deve adotar. Notebook, CD, pendrive e até colocá-la em uma área Web é aumentar a segurança, caso roubem seu notebook, o CD dê erro, e o pendrive caia na privada. Se você já derrubou um celular na privada sabe que pode acontecer também o pendrive. Participei de um evento no qual um palestrante trouxe sua apresentação apenas em pendrive incompatível com o computador que havia no palco. Precisei emprestar a ele meu notebook, que foi capaz de ler o arquivo, para ele poder continuar.

Não custa também ter seu próprio controle remoto, porque não há nada mais chato do que ficar pedindo para alguém trocar os slides. Pode apostar, o cara vai dormir ou alguém vai contar quantas vezes você disse "O seguinte", "Não, o anterior", "Volte um" etc. Eu tenho dois controles remotos porque uma vez achei que tinha esquecido o meu em um evento e comprei outro. Achei o primeiro algum tempo depois em uma mala.

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25/06/09

O escritorio do palestrante

Responda rápido: se você fosse um gerente de recursos humanos de uma multinacional, acaso pegaria seu carro e iria ao endereço de um palestrante para contratá-lo para uma palestra? De jeito nenhum. Mais raro do que um cliente ir ao escritório de um consultor é ele ir ao endereço do palestrante.

Portanto, a menos que você viva há 40 anos, quando uma linha com a frase "Sede Própria" em seu cartão podia significar alguma coisa, não se preocupe em ter um escritório se pretender ser palestrante. Escritório significa custo de aluguel, instalações, funcionários... O palestrante vende conhecimento, não produtos tangíveis, portanto você não vai precisar de almoxarifado de temas ou depósito de palestras.

Se você for o Tarzan, morar numa árvore e já tiver trocado sua operadora de tambor por uma de celular, então está equipado para ser palestrante, o que diz respeito ao escritório. Agora é só manter a Chita calada quando alguém ligar, para a pessoa do outro lado da linha não pensar que você é o Tarzan, mora numa árvore e vive com a Chita.

O palestrante precisa mesmo é de uma presença na Web na forma de site, blog, comunidades virtuais, redes sociais etc. e o indispensável email. O atendimento você mesmo pode fazer no início, quando não terá tantas solicitações de palestras, mas depois pode contratar um atendimento terceirizado para ter um "número comercial". Esse atendimento pode eventualmente receber ligações com pedidos de palestras, embora uma boa presença na Web será responsável por 90% dos primeiros contatos.

Seu atendimento terceirizado pode ser contratado por um valor fixo mensal, fixo mais porcentagem ou como achar melhor. Ele poderá fazer o follow-up, ligando para saber se o cliente recebeu a proposta, por exemplo, algo absolutamente necessário considerando que muitas empresas têm bloqueios para determinados provedores de emails ou até mesmo para anexos, como provavelmente será sua proposta. Se for o caso, seu atendimento poderá reenviar a proposta ou você poderá colocá-la para download em uma área de seu site, caso a rede do cliente tenha bloqueio contra anexos. Seu atendimento poderá também cuidar de sua agenda.

Uma alternativa a um atendimento é você ter um bom relacionamento com agências de palestrantes, as quais tentarão vender você. Por razões óbvias, as agências só farão isso se você já tiver algum nome, caso contrário não irão querer arriscar perder negócio quando possuem tantos outros nomes em seu cardápio. Logo você descobrirá que palestrante é como Tostines: é mais fresquinho porque vende mais e vende mais porque é mais fresquinho. Você entendeu que o "fresquinho" aqui é apenas modo de dizer, não é mesmo?

Nas viagens o palestrante leva o escritório junto em seu notebook e, considerando que hoje qualquer hotel que não seja o que o Tarzan frequenta tem Internet Wi-Fi, o mesmo acontecendo com aeroportos, seu escritório ficará fechado só na hora dos pousos e decolagens, já que durante o voo você as duzentas as duzentas propostas solicitadas enquanto estava na sala de embarque. Você entendeu que "duzentas" aqui é apenas modo de dizer, não é mesmo?

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20/06/09

Palestrante escritor

Você não precisa ser escritor para ser palestrante, e nem todo escritor é palestrante. Portanto, se você deseja ser palestrante, mas não sabe escrever o suficiente para ter um livro, não se preocupe com isso. Ninguém é menos palestrante por não ser escritor.

Mas o livro é importante para a carreira do palestrante, pois além de criar uma aura de alguém erudito, permite que suas idéias permaneçam mesmo quando ele para de falar. Se você for um palestrante com pouca habilidade para escrever, contrate um ghost writer para colocar suas idéias no papel.

Geralmente quando o palestrante pensa em em escrever, pensa em livros, mas essa é uma visão limitada. Se por um lado o interesse por livros tem caído nos últimos anos com a competição das novas mídias, a atividade de escrever só tem crescido. Se um dia os livros deixarem de existir, os escritores continuarão existindo.

Todo tipo de mensagem, seja ela em formato texto, áudio ou vídeo, acaba tendo um escritor por trás. Quando o Jô fala em seu programa, ele não fala tudo de si, mas fala o que sua equipe escreve. Quando o âncora do telejornal fala, ele lê o que outro escreveu. A novela nada mais é do que um romance escrito por alguém e levado à tela em capítulos diários.

Quando os roteiristas de Hollywood fazem greve, o Brad Pitt fica mudo. Quando a equipe de escritores de humor do David Letterman para, o David perde a graça. Todos eles dependem dos textos dessas mentes extraordinárias que trabalham nos bastidores.

Mas, infelizmente, ainda tem muito jovem talentoso olhando para o mercado com as lentes do passado. Jornalistas, em especial, sonham trabalhar numa daquelas redações da década de sessenta, sem perceber que tem cada vez menos gente lá.

Como palestrante, ganho dinheiro escrevendo, mas não vendendo livros, porque não são best-sellers. Meus livros eu escrevi para ganhar dinheiro como palestrante, e eles têm ajudado. Escrevo meu blog com a mesma intenção (exceto meus blogs e vídeos onde falo de minha fé). É por isso que não levo livros para vender em palestras, e nem insisto para o cliente comprar meus livros, porque quando vou fazer uma palestra o objetivo do livro já foi atingido, que é o de ajudar no fortalecimento de minha marca e gerar contratos.

Escrevo o tempo todo, e não apenas pensando em livros. Até as entrevistas eu procuro dar por escrito (ou gravo enquanto falo) para ter depois material para meu site ou para transformar em matéria da TV Barbante. Aliás, escrever traz também surpresas agradáveis, como saber que meus textos têm sido usados em várias provas de concursos públicos. Se você pretende prestar concurso, comece a ler meus textos...

Resumindo tudo, eu não seria o palestrante que sou se não fosse escritor, mas poderia ser palestrante assim mesmo. Portanto, qualquer palestrante que tenha alguma inclinação para as letras deve traçar sua estratégia de carreira com a seguinte pergunta em mente: como posso capitalizar em cima de meus textos? Na maioria das vezes a resposta não será "escrevendo um livro" ou vendendo seus textos, mas simplesmente ajudando as pessoas com a disseminação da informação que você tem para transmitir.

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16/06/09

Filmar o palestrante?

Alguns palestrantes têm reservas quanto à filmagem ou gravação de suas palestras pelo cliente. Alguns contratos trazem uma cláusula proibindo a filmagem da palestra ou sua retransmissão. Você encontra também palestrantes que evitam ao máximo deixar que vídeos de suas palestras acabem no Youtube. O que fazer?

Primeiro é preciso que o palestrante entenda que vivemos um momento ímpar do acesso à tecnologia e não há como atuar hoje da mesma maneira como atuávamos há 20 anos. A tecnologia e o acesso a dispositivos de gravação e filmagem cada vez mais sofisticados vai continuar e hoje já posso ver pessoas na platéia com o braço erguido segurando um celular ou câmera para gravar minha palestra. Devo descer lá para confiscar o equipamento? Expulsá-las do recinto? Processá-las por uso indevido da imagem do palestrante? De jeito nenhum. Quando não puder lutar contra o inimigo tecnológico, junte-se a ele.

Há situações especiais quando o cliente pretende transmitir a palestra, ao vivo ou gravada, para diversas unidades da empresa no Brasil ou no mundo, o que pode de certa forma criar uma situação de perda de receita. Quando o palestrante faz uma palestra só que será reutilizada por todas as unidades, ele está deixando de ser contratado para as demais. Em casos assim pode até existir um acordo para acrescentar algum valor ao contrato, mas eu acho que isso também vai ficar tão usual quanto alguém filmar com o celular.

Algumas empresas têm suas unidades conectadas por vídeo como forma de integrar as equipes, e vai chegar uma hora quando o recinto onde você está em uma grande empresa não terminará mais nas quatro paredes. Então os palestrantes terão de se acostumar com a idéia de que na sala onde está fazendo sua apresentação o Big Brother está presente mandando sua imagem para outros lugares. É bom ir se acostumando ao olho de vidro que nos vê em todo lugar.

O que eu faço com relação a tudo isso? Primeiro, não me importo que filmem, mas você perceberá que não tenho material em DVD por exemplo para enviar para os clientes. Tenho vídeos caseiros e trechos de palestras na TV Barbante no Youtube que, como o nome diz, é amarrada com barbante, portanto quem assistir sabe que não está vendo uma gravação profissional. Isto ajuda a proteger minha apresentação.

Por que? Porque toda gravação em vídeo, por mais profissional que seja, jamais conseguirá transmitir o calor da presença pessoal, e um DVD enviado a um cliente pode até atrapalhar na contratação. Porém, se o cliente sabe que os únicos vídeos que poderá ver são as mambembes produções que coloco no Youtube, acabará pensando consigo mesmo, "Bem, acho que ao vivo ele deve ser melhor do que isso". Antes que me esqueça, já fechei vários negócios com empresas que me viram  no Youtube ou receberam por email um link que algum amigo mandou.

Uma outra questão é se o palestrante deve ou não publicar trechos ou cenas de palestras no Youtube, porque suas melhores cenas podem ser também seus pulos do gato, que podem ser copiados por outros palestrantes ou atrapalharesm na contratação, já que o cliente não vai querer ver de novo o que já viu. Duas observações cabem aqui.

Primeiro, quem copiar a letra e a música do Roberto Carlos pode, no máximo, se apresentar como um cover dele, cobrando uma fração do artista original, mas nunca será o Roberto Carlos. Segundo, por uma interessante característica do comportamento humano, quem assiste uma palestra em vídeo no Youtube geralmente está pensando em algo como "isso aqui serve para o José" ou "a Maria precisava ouvir isso". Então essa pessoa acaba se tornando uma agente em potencial, que acabará "vendendo" a idéia de me contratar na empresa onde atua. E ainda que os quinhentos colaboradores da empresa assistam todos os vídeos, dificilmente aquilo será exatamente o que falarei no evento para o qual me contratarem.

As piadas podem até ser as mesmas, mas eles não estão me contratando como humorista, mas como palestrante.

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