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20/11/2010

O estilo do palestrante

Qual é o seu estilo? Falo de aparência, modo de falar, tonalidade da voz e coisas do tipo. Cada palestrante tem seu estilo e o estilo pode ser tanto um auxílio como um empecilho, dependendo do ambiente e do público.


Vestir-se como um canastrão, de terno, gravata, lenço de seda no bolso do paletó combinando com a gravata, cabelo esticado com brilhantina e calçados de cromo alemão pode fazer sucesso no senado, entre sessentões, mas pode ser um empecilho numa audiência de jovens universitários.

Uma aparência impactante assim pode gerar desprezo em uma audiência mais jovem e de opinião, porém pode ser de grande sucesso entre pessoas fáceis de se impressionarem pela aparência, porque uma aparência assim é totalitária, isto é, causa em pessoas sem opinião a impressão de estarem diante do chefe ao qual devem obedecer sem questionar.

O estilo de seu discurso também causa o mesmo efeito. Se você for do tipo que grita, vocifera, baba, dá murros no ar e pula de um lado para outro como chimpanzé marcando território (como alguns políticos em palanques e pastores em igrejas), fará grande sucesso em uma audiência que nasceu sem capacidade de julgar. Hitler e Mussolini sabiam muito bem disso e suas audiências se deixaram levar pela pressão e opressão de seus discursos.

Eu, particularmente, se vejo um palestrante falando desse jeito minha expectativa vai a zero. Eu quero ser esmurrado pelas ideias de quem fala, não pela pirotecnia de seus gestos e pela prepotência de seu estilo. Prefiro ver a palestra de um jovem de tênis e camiseta com fala mansa e convincente do que um coroa de lenço de seda no bolsinho do paletó berrando no meu ouvido.

Não que você não possa ter um ou outro estilo. Pode. A diferença está no tipo de plateia que pretende atingir: pessoas inteligentes, sensatas e abertas a novas ideias, ou um rebanho submisso de zumbis teleguiados pelos espirros de sua saliva e acuados por seus murros ao vento. No primeiro caso você será um palestrante e suas ideias formarão sua plataforma. No segundo, desista de ser palestrante e tente a carreira de ditador.

5 comentários:

Palestrante disse...

Eu concordo plenamente com o que foi dito. Estou começando na área e percebi que o estilo da roupa, acessórios, até mesmo o layout dos slides aproximam ou afastam o público.

Prof. Maurício Apolinário disse...

Assisti, certa vez, uma palestra de Pe. Evaristo Debiasi: ele grita, esmurra, ri, sobe e desce o tom de voz, e agrada a maioria, desde professores a advogados, de estudantes a profissionais liberais. Ele está errado? Esse tipo de oratória não existe mais? PS: Senti um certo preconceito quanto a pastores evangélicos.

Prof. Maurício Apolinário disse...

Em tempo: O articulista foi muitíssimo infeliz ao vincular aqueles que frequentam igrejas evangélicas a "... uma audiência que nasceu sem capacidade de julgar". Além de ser uma forma de preconceito (em pleno século XXI), é um desrespeito, como um desrespeito aos eleitores simples que participam de comícios. Deixo aqui minha nota de repúdio a tais afirmações.

Mario Persona disse...

Respondendo ao Prof. Mauricio Apolinário: Leia novamente o texto e verá que eu disse "...ALGUNS políticos em palanques e pastores em igrejas". Não há como negar que, entre políticos e pastores, existem ALGUNS que usam dessas técnicas espúrias de pressão sobre seus seguidores.

O fato de estarmos no século XXI não nos impede de possuir um senso crítico para denunciar o erro. Você faz isso (de forma equivocada, como acabei de mostrar pelo "alguns") ao considerar meu texto como desrespeitoso a audiências de igrejas evangélicas e "eleitores simples" de comícios. Sempre que tomamos uma posição, não importa qual, acabamos sendo "desrespeitosos" para com os que não têm a mesma posição.

Mas o que escrevi não se trata de desrespeito, mas, como se costuma dizer em inglês, um "wake up call", ou grito de alerta para os que se deixam levar por uma oratória desse tipo. A propósito, eu mesmo sou um pregador do evangelho não profissional como poderá ver do trabalho paralelo que faço em www.youtube.com/mp3minutos e www.respondi.com.br

Prof. Maurício Apolinário disse...

"Sempre que tomamos uma posição, não importa qual, acabamos sendo "desrespeitosos" para com os que não têm a mesma posição."
Muito pelo contrário. Respeito as 'posições' diferentes das minhas; entretanto, há mensagens subliminares. Assim como você tem o direito de expor suas ideias, também tenho o direito de divergir delas.

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