Sua dúvida é sobre como ser palestrante aproveitando sua formação e experiência de engenheiro agrônomo. Muitos profissionais têm o desejo de ingressar no mercado de palestras, mas é preciso entender que existe um chão que precisa ser lavrado e semeado, antes de começar a colher alguma coisa. A meta pode ser viver só de palestras, mas provavelmente antes de chegar a este ponto será preciso trabalhar com um leque maior de opções.
Hoje minha atividade se resume a palestras e treinamentos, já que parei de prestar serviços de consultoria e também não leciono mais, embora em meu site ainda apareçam essas atividades. Para mim tem dado para pagar as contas e sobrar algum para o café, e prefiro não tentar ampliar o número de atividades profissionais para ficar com mais tempo para minhas atividades não remuneradas, como os sites que mantenho em www.3minutos.net e www.respondi.com.br.
Estas dicas que o Max Gehringer deu em uma matéria da revista Época podem ajudar a entender melhor o segmento:
"No Brasil, existem cerca de 20 mil pessoas que fazem palestras, mesmo que esporadicamente. Em sua quase totalidade, esse grupo é composto de professores, executivos de empresas, consultores ou profissionais liberais, que usam as palestras como uma alavanca para sua função principal. E, por isso, recebem pouco (ou, eventualmente, nada) por uma palestra.
"Por outro lado, existe um grupo bem menor, que não chega a cem pessoas, cuja principal atividade são as palestras. E esse é o problema do ramo de palestras: nele, não existe a classe média. O pulo deve ser dado diretamente da base para o topo.
"Esse é um ramo em expansão. Mas para fazer sucesso de verdade o palestrante tem de ser famoso. Há milhares de ótimos palestrantes no Brasil. Gente que consegue reter a atenção da platéia durante uma hora, que tem um conteúdo original e sabe utilizar o humor e a emoção para passar sua mensagem. Mas o que leva alguém ao topo da pirâmide é algo chamado "visibilidade prévia". Em outras palavras, fama. Ela pode vir de várias fontes. Livros de sucesso. Presença contínua na mídia. Cargos de impacto nacional (esportistas e ministros, por exemplo).
"O último fator é o tempo. Há palestrantes que hoje são muito conhecidos porque já fazem palestras há 30 anos, ou mais. Por isso, um palestrante de primeira linha não é necessariamente o que fala melhor ou tem o melhor material para apresentar. É, apenas, aquele que conseguiu aproveitar o renome conseguido. Em resumo, palestras podem gerar fama, mas isso demora. No curto prazo, a fama é que gera palestras".
Perceba que neste segmento algumas coisas são importantes, mais do que um diploma ou título: uma experiência singular de vida e mercado, a capacidade de síntese e comunicação, e a exposição na mídia. Ou seja, existe muita gente boa por aí com muito conhecimento, mas sem uma experiência singular para tornar seu relato interessante, ou sem habilidade de tornar temas complexos em simples com uma comunicação afiada, ou ainda sem uma marca visível e notória. Como disse o Max Gehringer, esta última depende de tempo para ser construída.
Considerando sua formação e experiência em agronomia, se eu estivesse em seu lugar seguiria o caminho da venda consultiva, tentando trabalhar com produtos e serviços de sua área de agronomia, pois o momento é favorável para o mercado do agronegócio. Uma atividade assim (tipo representação comercial) não exige grandes investimentos e permite que você trabalhe com um leque de opções bem amplo e vá depois reduzindo e focando naquilo que perceber que dá mais resultado. Além disso uma venda pode ser também uma oportunidade de você atrelar serviços de consultoria ao produto ou serviço vendido.
Paralelamente você poderá se lançar como palestrante, porém no início será preciso fazer palestras gratuitas, tanto para pegar experiência como para ter um portfólio de clientes para mostrar quando passar a vender suas palestras. Mas se já estiver com alguma representação comercial, essas palestras acabarão se pagando, pois servirão para gerar contatos de vendas ou poderão até mesmo servir para apresentar seus produtos e serviços. Tanto para uma coisa como para outra você irá precisar de um bom site que seja "encontrável" (sugiro a leitura do livro "Os 8 Ps do Marketing Digital" de Conrado Adolpho).
Antes que me esqueça, ser autor de um livro também ajuda muito na construção da marca, e se você tiver habilidade para escrever a dificuldade de publicar hoje em dia é zero, graças aos serviços sob demanda.
Dicas do palestrante Mario Persona para palestrantes, mestres de cerimônia, comediantes, oradores, conferencistas, professores, advogados, políticos, estudantes, apresentadores, líderes, repórteres, jornalistas, formadores de opinião...
27/08/11
Palestrante iniciante
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1 comentários:
Olá Professor Mario! Amo este blog e sempre venho aqui em busca de conhecimento e inspiração para esta profissão que acabo de iniciar, suas dicas, indicando o caminho para pessoas que como eu, ainda estão no inicio dessa jornada, são extremamente valiosas. Agradeço imensamente por dedicar uma parte do seu valioso tempo para compartilhar sua experiência conosoco. Isso não tem preço.]
Abraços
Luciana
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