Tempo é valioso para quem faz palestras e ainda mais valioso para o cliente. Pense assim: se a sua palestra for uma droga, o palestrante pode até receber os honorários, mas o cliente teve o prejuízo multiplicado pelo número de funcionários que ficaram ali perdendo tempo com sua palestra.
Então sempre leve em consideração que o custo, para a empresa que o contratou, não é apenas de honorários, viagem e hospedagem do palestrante. O custo é o tempo que a palestra tomou dos funcionários multiplicado pelo número deles calculado em cima do que cada um ali ganhou enquanto não trabalhava e a empresa mesmo assim pagou.
A coisa fica séria, não é mesmo? Por isso não se contente em dar menos do que o máximo de valor em uma palestra. O palestrante deve apresentar um conteúdo de uma forma que seria impossível de ser enviado aos participantes por via remota. Se você é daqueles palestrantes que leem páginas de PowerPoint, então envie seu texto por email e nem apareça lá.
O palestrante precisa saber quando é para terminar a palestra. Muito cuidado com o que o cliente diz, porque ele pode dizer que você tem duas horas e no final você descobre que precisou repartir aquelas duas horas com doze autoridades que ocuparam o palco antes de você.
Se chegar ao evento e descobrir que existe uma daquelas mesas que será composta por autoridades, sugiro que abra imediatamente seu notebook e apague metade dos slides de sua apresentação. É muito provável que o tempo de compor e descompor a mesa, além dos discursos de praxe, será descontado de seu tempo de palestra.
E não tem coisa pior do que um palestrante que tenta apresentar às carreiras os duzentos e oitenta e seis slides que preparou para uma palestra de duas horas que deve ser descarregada em vinte minutos, a um slide por segundo. A plateia vai pensar que viu um filme, não uma apresentação em PowerPoint.
Não queira forçar a barra querendo esticar o tempo que não tem, porque em algumas indústrias os funcionários da audiência acabarão deixando você falando sozinho, pois o ônibus deles sai no horário exato. Se servir de consolo, o rapaz do som costuma ficar até o final.
Para ter controle do tempo sugiro que use um relógio (nada mais óbvio, não é mesmo?). Mas nem pense em olhar no relógio durante a palestra. Faça isso e você verá a audiência inteira olhando cada um no seu relógio e alguns até recorrendo ao celular. Olhar no relógio é como bocejar -- todos copiam você.
Portanto use de uma artimanha: aponte com o braço esquerdo para a tela como se estivesse mostrando algo. Todos olharão para a tela e você olhará para o relógio, isto se a manga de sua camisa não for comprida demais. Se usar relógio no pulso direito não vai ficar esquisito apontar o braço esquerdo e olhar para o direito, não é mesmo? Então inverta esta ordem.
Normalmente só uso meu relógio de pulso em palestra, já que hoje o celular resolve o problema da hora. A marca e modelo? Casio barato. Sabe como comprei? Entrei em uma relojoaria, depois saí e olhei de longe, da calçada, para ver em qual relógio da vitrine eu era capaz de ver as horas. Comprei o de fundo preto com ponteiros e marcadores brancos. Acho que nunca ninguém pensou em escolher um relógio assim, que combine com os olhos. Ou com o grau dos óculos. Faça o mesmo... mas pode até comprar um melhor que o meu se tiver dinheiro.
Dicas do palestrante Mario Persona para palestrantes, mestres de cerimônia, comediantes, oradores, conferencistas, professores, advogados, políticos, estudantes, apresentadores, líderes, repórteres, jornalistas, formadores de opinião...
27/09/11
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2 comentários:
Excelentes dicas! Gostei muito, além de rir. Abraços!
Excelente! Obrigada prof. Mario, suas dicas são valiosíssimas para mim! Abraços
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