Muitos palestrantes ficam preocupados com a concorrência, e até certo ponto isto é algo importante. O palestrante deve sempre dirigir olhando para a frente, porém sempre conferindo as laterais e o retrovisor, tanto para se manter atualizado com as práticas do mercado, como para aprender com aqueles que estão com um desempenho melhor que o seu. Mas a preocupação com a concorrência não deve ser extrema ao ponto de ele ficar obcecado com a possibilidade de copiarem seu trabalho. Todo palestrante copia, adapta ou aperfeiçoa.
Qualquer profissional, independente de ser palestrante ou não, precisou de outros para aprender seu ofício. Isaac Newton dizia que sua visão não era particularmente sua, mas ele a tinha por estar sentado sobre ombros de gigantes. Os cientistas que o precederam foram responsáveis por ele enxergar mais longe. Assim é com o palestrante. Ele aprendeu o assunto de alguém, sintetizou, burilou, acrescentou suas próprias histórias e experiências e foi se apresentar.
Mas existe uma concorrência mais sutil para a qual o palestrante nem sempre dá importância. Uma é sua própria falta de preparo. Quando o palestrante sobe ao palco pouco preparado, a audiência logo percebe e começa a prestar atenção em suas falhas, ao invés de concentrar-se naquilo que ele tem a dizer.
A roupa também tem um peso importante. Não falo de estar bem o mal vestido, mas de estar vestido fora do contexto do evento. Um palestrante suando de paletó e gravata em uma tenda em um resort na Bahia para uma audiência de chinelos e bermudas certamente chamará a atenção para sua aparência, nem um pouco descolada, porém muito deslocada.
Tiques, trejeitos, movimentos involuntários ou qualquer outra coisa visível ao público podem prejudicar uma apresentação e concorrer com a atenção da platéia. Nem preciso falar daquele vídeo que você pretendia passar e não funcionou, do microfone que estava com a pilha fraca e falhava, ou do datashow cuja lâmpada queimou bem no meio da palestra. Existe também aquele participante que gosta de interromper e fazer perguntas ou discursar para se exibir, e isto certamente irá desviar a atenção de todos. Já falei disto ao menos duas vezes, em e .
Há situações que também fogem ao controle do palestrante, quando o ambiente da palestra não é adequado por causa de fontes de ruído ou movimentação de pessoas. Já passei pela experiência de fazer palestra enquanto funcionários do teatro conversavam em voz alta nos bastidores, tirando toda a minha atenção. Em uma ocasião um deles deve ter tropeçado em alguma pilha de coisas que desmoronou com um estrondo assustador. Para não perder a oportunidade, olhei para trás e gritei: "Machucou aí, meu filho?".
Ao fazer uma palestra gravada em um estúdio que não tinha isolamento acústico, precisei resistir para não abrir a janela e gritar para o cachorro do vizinho parar de latir. Também já fiz palestra para uma empresa em uma churrascaria que, apesar de ter reservado um salão para o cliente, reservou um que era justamente a passagem para o banheiro e ao lado da sala das crianças. Nem preciso descrever como foi ter a atenção minha e da platéia dividida entre homens e mulheres que iam e voltavam do banheiro, e crianças que choravam querendo a mãe.
Às vezes a palestra é em um estande de feira ou no meio de um evento diversificado, como uma exposição. Aí o entra e sai vai ser seu pior inimigo, pois as pessoas pararão para dar uma olhadinha e logo sairão em busca de outra atração. Se você for velho e feio como eu, pode apostar que sairá perdendo para as recepcionistas que povoam os outros estandes distribuindo impressos e amendoim.
Se você for contratado para fazer palestra em almoços ou jantares, pode se preparar para ser menos aplaudido que a picanha. Em ocasiões assim as pessoas querem comer, beber e conversar, não ouvir um ara em jejum salivando no microfone. Se for possível, peça ao cliente para começar a servir apenas depois que você terminar a palestra, mas não pense que isto irá agradar seus ouvintes.
Uma vez fiz isso e o cliente se esqueceu de avisar os garçons. Comecei a palestra e os garçons saíram esparramando pratinhos com polenta e batata frita na frente dos participantes famintos. Dei uma olhada na direção do cliente e ele imediatamente se lembrou do que conversamos e correu avisar os garçons, que saíram recolhendo os pratos. Ainda me lembro da expressão de decepção no rosto daqueles que estavam com a mão indo em direção à batata frita e precisaram aguardar uma hora e meia para poderem comer. A alternativa era se contentar em beber saliva
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05/06/2013
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