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10/11/2010

Piada ou anedota?

Depois de mencionar o humor na palestra em minha última mensagem, fiquei preocupado que algum palestrante pudesse ir correndo à banca comprar aquele almanaque "Mil piadas de papagaio" para usar em suas palestras. Não é desse tipo de humor que estou falando.


Existe uma grande diferença entre piadas e anedotas. Veja o que diz o Houaiss:

Piada: história curta de final surpreendente, às vezes picante ou obscena, contada para provocar risos.

Anedota: particularidade curiosa ou jocosa que acontece à margem dos eventos mais importantes, e por isso geralmente pouco divulgada, de uma determinada personagem ou passagem histórica.

O palestrante deve evitar a todo custo contar piadas. Dificilmente algo irá depreciar sua mensagem mais do que começar tipo... "Vocês já ouviram aquela do papagaio?". Pode ter certeza de que na era Internet todo mundo já ouviu todas as piadas do papagaio, portanto não arrisque ficar com cara de tacho no final.

Além disso a piada é um pouco como passar vídeos engraçados que você pega no Youtube: ou todo mundo já viu ou vão achar que você não tem capacidade para apresentar sua própria bagagem e precisa tomar emprestado. Pior do que passar vídeos engraçados é tentar explicá-los, como fazem alguns programas de TV.

Antes que me pergunte: sim, você pode eventualmente passar um vídeo que encontrou no Youtube, mas que seja de modo a mostrar algo ali que a maioria das pessoas não percebeu e que está intimamente relacionado ao seu tema. Aí você estará agregando o SEU valor à mensagem. Se fosse apenas para passar o vídeo, você poderia ter enviado o link por email e aquele povo todo não precisaria se deslocar até o lugar da palestra.

Voltando à piada versus anedota, piada é piada - tipo papagaio e outros estereótipos que nem convém citar aqui, ou por serem politicamente incorretos, ou claramente discriminatórios. Se não entendeu o que acabo de dizer é melhor evitar a profissão de palestrante. O humor sempre exige uma vítima, e a última coisa que um palestrante irá querer fazer (e seu público menos ainda) é usar alguém da platéia, de uma determinada etnia, minoria, deficiência física, nacionalidade etc. para ser a vítima.

Já anedota é uma história corriqueira, algo que aconteceu com você ou com sua tia (e obviamente as chances de seu público já ter escutado são quase nulas). Ou então são características do comportamento humano claramente conhecidas por todos, porém extremamente divertidas quando bem contadas. (Eu disse bem contadas!).

Quer um exemplo? Quando falo de comunicação, costumo fazer uma comparação entre as peculiaridades da comunicação masculina e feminina para mostrar que as mulheres se comunicam muito melhor do que os homens. A audiência já sabe de tudo o que vou dizer, porém talvez nunca tenham parado para pensar na coisa vista daquele ângulo, e aí está o humor.

O caso da banana flambada que aconteceu comigo em um restaurante na região dos jardins em São Paulo na década de 80 já se tornou um clássico e, curiosamente, tenho clientes que me contratam de novo e pedem para repetir a história que está no Youtube com mais de 200 mil views. E riem outra vez. Teve um reitor que fez um evento especial para os professores de sua universidade e colocou no palco um chef de verdade, com fogão e tudo, além de mesa e garçom. Enquanto um locutor narrava a história, o pessoal desempenhava a peça.

Coisas como o relacionamento marido-mulher, a paixão entre adolescentes enamorados, a tensão patrão-empregado, os percalços de uma viagem de férias etc. são excelentes temas de anedotas. Você deve ter as suas, só precisa descobrir as que têm um possível elo com os temas que costuma abordar.

Se você lê Seleções do Reader's Digest sabe que lá existem duas seções diferentes: "Rir é o melhor remédio" e "Flagrantes da vida real". A primeira é de piadas, a segunda de anedotas. Se tiver que incluir humor em sua palestra, vá pela segunda.

Para terminar, lembrei-me de uma piada ótima do sujeito que estava no trem com um papagaio... Bem, escrevi demais por hoje. Fica para uma próxima ocasião.

4 comentários:

Andreza Montes Maletta disse...

Concordei com tudo. Ótimo post, bem elaborado e exemplificado.
Gostaria muito de assisitir uma de suas palestras.

Andreza Montes Maletta disse...

Incrível post.

André disse...

Poderiamos dizer que anedota é uma crônmica presenciada? Ou mais curta?

Gideone Rosa disse...

Sou palestrante a pouco tempo apesar disso não cometi em nenhuma de minhas palestras tais deslizes e muito menos os chamados vícios de linguagem, talvez seja por que antes de ser palestrante sou comunicador desde 1988. Ufaa...!!! Ainda bem. rsssss Adorei as dicas e tenho certeza que outros adoraram também.
E não é o que eu sempre digo?!!! É viver e aprender dia após dia. Obrigado pelas dicas caro colega.

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