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23/10/2008

Linguagem e público

Em uma visita a um cliente antes de um evento ele quis se assegurar de que eu não falaria palavrões durante a palestra, não faria baixarias, não usaria linguagem apelativa ou imoral e nem causasse constrangimento em pessoas da platéia. Assegurei que não é meu estilo fazer essas coisas.

Antes de cada palestra nas empresas que me contratam eu procuro me policiar com a seguinte pergunta: "Minha apresentação poderia ser vista por pessoas de qualquer idade, sexo, etnia, formação e classe social?". Um palestrante voltado para o público empresarial não pode ter uma apresentação que seja de algum modo imprópria.

Uma vez uma empresa fez questão de conversar pessoalmente comigo antes de me contratar para quatro palestras, pagando todos os custos para essa reunião prévia só para ter certeza de que não se repetiria a experiência que tiveram com outro palestrante no ano anterior. Ele não apenas chegou à empresa acompanhado de uma garota de programa que apresentou como sua "assistente", como fez várias piadas envolvendo a marca da empresa e seus funcionários.

Outra empresa teve o mesmo cuidado por causa de uma decepção no ano anterior, quando o palestrante insistiu em contar várias piadas envolvendo a nacionalidade dos donos da empresa. O constrangimento foi grande entre os funcionários, que não sabiam se podiam rir ou não.

Em um evento do qual participei, um dos palestrantes passou boa parte de sua palestra dando apelidos e fazendo gozações com um empresário obeso sentado na primeira fileira. Em outro, o palestrante se viu em maus lençõis depois de fazer piadas sobre gays. E sei de um palestrante que foi processado por discriminação racial por um dos presentes.

Portanto, se a sua intenção é atender o mundo corporativo com palestras de temas de interesse para esse mercado, lembre-se de que deve manter seu conteúdo e tudo mais dentro dos princípios de ética e respeito, policiando-se para evitar qualquer linguagem, tema ou humor que impróprio para qualquer pessoa que trabalhe naquela empresa. Afinal, naquele momento você está trabalhando para aquela empresa e seu público é seu cliente. Nenhum cliente gosta de ser constrangido, humilhado ou assediado.

01/11/2007

Iluminação, palco e controle remoto

Cada novo evento é uma nova oportunidade de observar dificuldades que você pode encontrar quando vai fazer uma palestra. A iluminação é muito importante e não espere que todas as vezes os técnicos saberão como aplicá-la. A empresa pode ser especializada em som, iluminação, projeção etc., mas se você não observar tudo as coisas podem complicar.

Em um evento, na falta de spots de luz do teto, os técnicos improvisaram colocando dois spots iluminando a parede atrás do palco, entre os dois telões, e mais dois spots de mil watts cada no chão do palco iluminando o palestrante por trás.

Coloquei-me numa das cadeiras do auditório ainda vazio para ver o efeito. Logo imaginei o que aconteceria. Para você ter uma idéia, imagine uma cena do filme "Carrie A Estranha" com Carrie caminhando no meio da estrada e um carro vindo por trás com os dois faróis acesos. Da Carrie você vê apenas uma penumbra fantasmagórica onde devia ser o rosto, enquanto os faróis altos fazem seu rosto lacrimejar.

Foi assim que me vi como a Carrie sobre o palco, e bastaram dois minutos olhando em direção àqueles faróis de mil watts para começar a ver bolinhas coloridas quando fechava os olhos. Imagine se alguém na platéia iria aguentar uma hora e meia com aqueles faróis na cara, tentando descobrir se aquele vulto no palco era o palestrante ou Carrie, a Estranha.

Os faróis eu pedi para tirar, mas o palco não deu para mudar. O piso era mole demais para meu peso e pouco me movimentei com medo de alguém filmar e o vídeo, quando eu sumisse em algum buraco aberto por meus pés, fosse parar no YouTube.

Faltou falar do controle remoto. Aqui vai. Quando você perceber que o computador do pessoal da empresa que cuida da técnica do evento está a dez quilômetros do palco, lá no fundo de um auditório para centenas de pessoas, pode apostar que o controle remoto vai falhar. E falhou. Uma, duas, dez, mil vezes, criando uma irritação em mim que foi difícil de dissimular para não pegar na platéia.

É realmente péssimo você precisar olhar para os telões atrás de você todas as vezes para conferir se o slide foi mudado ou se você, no desespero de fazer funcionar, não avançou dois ou três. Lembre-se: quando você estiver no palco a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso é sua. Faça o que puder antes disso para que problemas técnicos não atrapalhem seu desempenho.

04/02/2007

Por que há mais homens que mulheres?

Os homens, até por uma questão cultural da nossa sociedade, estão mais atuantes na sociedade, no mercado de trabalho. Não que eles sejam melhores, mas têm uma atuação mais antiga no mercado de trabalho. Grande parte das empresas é dirigida por homens, mas isso está mudando. O homem tende então, a tomar esta posição de primeiro palestrante, os números mais significativos de palestrantes são formados por homens. Mas tem surgido uma leva de excelentes palestrantes mulheres, com um recado para dar, que nós homens não conseguimos.

Como já falei da diferença de idade, existem também diferentes naturezas de palestras. Cada um, homem ou mulher, terá que fazer sua parte dentro da sua área de atuação. Nós somos bem diferentes, sabemos disso desde crianças, então, existem habilidades e capacidades diferentes.

Eu acredito que logo o mercado começará a perceber que as mulheres têm algumas habilidades a mais que os homens na comunicação, por exemplo. Elas têm um poder de comunicação muito grande, têm uma intuição muito apurada. Elas conseguem perceber as nuances de comportamento de uma platéia. E por isso elas são muito hábeis no tratamento com o público.

Eu acredito que é só uma questão de tempo, até nós termos mais mulheres atuando. É claro que elas não estarão atuando como homens, assim como os homens não atuarão como mulheres. Elas vão atuar dentro das características que têm e que são próprias. Nós não vamos ter uma substituição do mercado masculino, nós vamos ter uma complementação. No Brasil nós temos muitas mulheres complementando aquilo que os homens não sabem fazer, ou tentam fazer e fazem mal feito.

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