Se pretende usar humor em suas palestras, aqui vão algumas dicas. O mínimo de humor é o que a maioria faz, que é contar piadas. É o humor mais seguro porque você pode usar piadas já consagradas, mas pode correr o risco de usar piadas muito conhecidas e ninguém rir.
Se você não for o tipo de pessoa que incorpora o humor em seu dia-a-dia, em suas conversas e nas coisas que escreve, provavelmente não irá se dar bem querendo ser engraçado para seu público. Existe uma naturalidade no humor de quem já é engraçado em qualquer situação que é difícil de reproduzir de forma artificial. Mas se puder abrir sua palestra com uma piada ou comentário engraçado, isso ajudará a quebrar o gelo e a criar ima imagem simpática.
Quando falamos em humor, há algumas técnicas que são aplicadas e são as mesmas razões pelas quais rimos de algo. Primeiro, rimos quando existe uma vítima, como acontece com o português da anedota e o pateta que leva a torta na cara. Rimos porque nos sentimos superiores, ou porque nos identificamos secretamente no papel da vítima, como acontece em comédias como A Grande Família, que mostram os absurdos das atitudes que todos nós tomamos e das coisas que todos nós experimentamos.
Outra razão de rirmos é quando somos surpreendidos por uma situação que não prevíamos, o que equivale ao primeiro caso, já que aqui somos nós que ocupamos o papel de vítima. No fundo estamos rindo de nossa incapacidade de ter visto o poste chegando, de não conseguirmos descobrir a mágica ou de vermos que o resultado do problema era tão simples que nos sentimos verdadeiros idiotas tendo tomado outro caminho.
Uma terceira coisa que provoca o riso são situações inusitadas, improváveis ou impossíveis, como se víssemos passar na rua uma zebra rosa e azul. De qualquer modo, aqui também teríamos uma vítima, a zebra.
Se leu minhas crônicas ou viu uma de minhas palestras você deve ter reparado que exploro todas essas situações, mas a vítima geralmente sou eu, já que me coloco na situação do ridículo. Sugiro que também use a si mesmo de vítima para gerar risos e tome muito cuidado se for usar outra pessoa.
O humor que pega uma vítima da platéia é bastante delicado e perigoso, a menos que você tenha bastante segurança e tato de como fazê-lo. Outro cuidado deve ser tomado com o humor que usa diferentes etnias, minorias, portadores de deficiência, raças e outras classes de pessoas.
Você corre o risco de ser processado e até preso, dependendo de como seu público irá interpretar seu humor. Sei de dois palestrantes que se deram muito mal por contarem piadas com conotação racista ou de discriminação sexual.
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14/02/2007
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