Dicas do palestrante Mario Persona para palestras, palestrantes, mestres de cerimônia, comediantes, oradores, conferencistas, professores, advogados, políticos, estudantes, apresentadores, líderes, repórteres, jornalistas, formadores de opinião...
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28/11/2008
O palestrante e a marca do cliente
Às vezes há nas paredes do local do evento banners com o nome da empresa ou de seus produtos, e isso ajuda muito a evitar agradecer a Antarctica pelas Brahmas. Às vezes a simples menção do nome ou da marca da empresa ou de um de seus diretores ou do presidente pode causar constrangimento, se você não souber pronunciá-la corretamente. Já pensou você ir fazer uma palestra na Casa Branca e chamar o presidente dos EUA de Barraco Urbano?
Evite também usar a logomarca da empresa em seus slides e em seu site. Toda empresa grande tem uma política para o uso de sua marca, e nem sempre gostam de vê-la aplicada no lugar errado, com as dimensões inadequadas ou as cores distorcidas. Além disso você corre o risco de se atrapalhar e, na hora de montar sua apresentação, se esquecer de trocar a logomarca de um dos slides e surpreender o público com a logomarca do concorrente, como já vi acontecer.
Mostrar produtos e empresas concorrentes em seus "cases" também não é uma boa idéia, embora eu ache que as empresas que têm chiliques com isso poderiam economizar muito dinheiro em pesquisas e focus groups e aproveitar o episódio para trabalhar melhor sua marca. Se durante a palestra o palestrante disse a marca X do concorrente ao invés da marca Y do cliente, o palestrante precisa tomar remédio para memória e a empresa precisa dar vitamina para melhorar o recall de sua marca.
22/11/2008
Ser palestrante
Entrevistas como esta costumam ser feitas para a elaboração de matérias, portanto nem tudo acaba sendo publicado. Eventualmente são aproveitadas apenas algumas frases a título de declarações do entrevistado. Para não perder o que eu disse na hora, costumo gravar ou dar entrevistas por escrito. A íntegra do que falei na entrevista você encontra no texto e na simulação em vídeo.
O trabalho do palestrante
Como você começou a atuar como palestrante?
Mario Persona - Sempre tive uma certa facilidade de comunicação em público, provavelmente por ter ensinado crianças durante muitos anos na Escola Dominical e também por ter lecionado para jovens e adultos. Isso acaba ajudando a desenvolver a técnica de falar em público.
Por causa dessa facilidade, e também porque escrevia, fui convidado a ser o porta-voz e palestrante de uma empresa de tecnologia da informação na qual atuava como diretor de comunicação e marketing. Para convencer nossos clientes em potencial decidimos parar de fazer palestras técnicas, como era o costume numa empresa assim, e passamos a promover eventos com palestras informativas e bem-humoradas. Como eu não era técnico, mas leigo, fui escolhido para traduzir o que fazíamos em uma linguagem que qualquer um pudesse entender.
Logo eu estava fazendo palestras em eventos no auditório da empresa para gerentes e diretores de grandes indústrias. Depois vieram as palestras em grandes eventos e feiras de TI e nos road-shows que promovíamos visitando as principais capitais. Nessa época eu me limitava a falar de Internet, que era a grande novidade, e sua aplicação na empresa, na logística, no comércio etc.
Quando saí para trabalhar por conta própria em 2001 eu já era relativamente conhecido por meus textos e entrevistas em vários sites, jornais e revistas, além das palestras. Aos poucos fui deixando de falar de Intenet, que não era mais novidade, para me concentrar em comunicação, marketing e carreira. As duas primeiras eram áreas que já dominava, a última recebe uma boa ajuda dos anos de estrada.
Qual o perfil de empresas que te procuram para esse trabalho?
Mario Persona - Geralmente são empresas médias e grandes, que precisam aprimorar sua força de vendas. Minha especialidade é em vendas business-to-business, pois também já trabalhei como comprador e vendedor, conhecendo os dois lados da mesa. Também sou chamado para trabalhos de comunicação, gestão de mudanças, conhecimento e carreira.
Sou chamado também para palestras comportamentais em eventos da SIPAT, a Semana Interna de Prevenção de Acidentes no Trabalho, e na Semana do Meio-Ambiente. As grandes empresas treinam e equipam suas equipes, mas a questão comportamental continua sendo uma grande vulnerabilidade na segurança e também uma causa importante de desastres ecológicos.
Os segmentos são os mais diversos. Costumo ser chamado tanto por indústrias como por empresas de distribuição e varejo, além de empresas de serviços, cooperativas e associações de profissionais liberais. Onde existirem pessoas existirão necessidades de comunicação, marketing, negociação, vendas, carreira e comportamento, ou seja, tudo aquilo que você hoje encontra em meu cardápio de serviços.
Quais são as técnicas?
Mario Persona - Minha principal técnica para desenvolver meus temas é a curiosidade. Sou muito curioso, muito indagador, atrevido até. Se você se sentar ao meu lado durante um vôo pode esperar que em algum momento da conversa estará sendo a entrevistada. Não é apenas curiosidade, mas um desejo muito grande de aprender. Quando garoto costumava ler muito, até volumes de enciclopédias. Acho que isso ajudou.
Uma vez peguei um táxi com uma mulher ao volante. Durante o percurso de mais de uma hora do aeroporto até uma cidade próxima, fiquei surpreso com a capacidade de conversar da motorista. Falava um português correto, conversava sobre qualquer assunto e demonstrava estar muito bem informada. Logo ela revelou o segredo. Como atendia principalmente executivos, procurava puxar conversa para aprender com eles.
Esta é a principal técnica, aprender sempre, mas para isso é preciso deixar o orgulho de lado e assumir a carteira do aprendiz. Também traduzo livros acadêmicos das áreas em que atuo. Com isso vivo aprendendo, pois não basta falar para ser palestrante, é preciso ter bagagem e também saber como traduzir assuntos complexos para transformá-los em algo tão simples e divertido quanto um bom caso contado em uma roda de amigos.
Como se sente ao ver que conseguiu motivar as pessoas em suas carreiras?
Mario Persona - Recebo muitos e-mails de ex-alunos e de pessoas que participaram de minhas palestras e treinamentos, ou leram algum livro ou crônica de minha autoria. É gratificante saber que o que faço é plantar sementes, mas o crescimento fica por conta de cada um. Mal sabem elas que também aprendi com cada uma dessas pessoas com as quais tive contato.
Motivação e empregabilidade andam juntas?
Mario Persona - Acredito que sim, porque ninguém está disposto a contratar aquela hiena do desenho animado, que vivia dizendo "Oh dia! Oh vida! Eu sei que não vai dar certo!". É péssimo viver cercado de pessoas negativas, desmotivadas e derrotadas. Porém, se por um lado gosto de otimismo, por outro gosto de realismo, de pé no chão. Não me dê de presente um desses livros do tipo "Fique rico em dez lições" ou "Descubra o vulcão que há em você", por que nem vou ler.
Não me interessa ficar rico, porque dá muito trabalho. E dentro de mim não há um vulcão, mas no máximo um fósforo aceso. Se eu me achar tudo isso, se ficar embasbacado com minha própria capacidade, vou acabar estagnando ou me tornar prepotente. Prefiro ser grama a ser coqueiro. A grama ainda tem muito espaço para crescer. O coqueiro tem tudo para cair.
Depois das palestras, há retorno dos participantes?
Mario Persona - Algumas empresas costumam distribuir formulários de avaliação durante palestras e treinamentos, e às vezes recebo os resultados. Até hoje têm sido positivos, mas há também casos isolados de pessoas que não gostam de meu trabalho.
Depois de uma palestra onde exaltei as qualidades das mulheres, um sujeito que devia ser muito machista escreveu tudo o que tinha no coração a meu respeito. Na verdade tomei aquilo como alguma queixa que ele devia ter contra as mulheres, e não contra mim em particular.
Pessoas muito racionais também têm dificuldade para entender meu estilo, pois devo ter nascido sem o hemisfério esquerdo do cérebro, aquele da razão. Minha formação original em arquitetura e urbanismo, e muitos anos dedicados ao desenho, pintura e a escrever acabaram me levando a pensar e a falar em linguagem conceitual, e a usar atalhos de criatividade, como o humor, para me comunicar.
Uma pessoa que me ouviu terminar uma lista de dicas com uma piada, comentou que não podia acreditar em tudo o que eu disse antes, só porque no final eu fiz as pessoas rirem. Segundo o seu raciocínio lógico, por fazer humor, eu não era uma pessoa digna de ser levada a sério.
Porém, qualquer palestrante sabe que o humor é o adesivo do cérebro, e se quisermos que uma mensagem fique para sempre na mente do ouvinte, a melhor técnica é transmiti-la mesclada com humor. É por isso que você se esquece facilmente de um relatório de uma página que lê dez vezes, mas se lembra para sempre de uma piada de mesmo tamanho que ouviu só uma vez.
Você consegue atingir seus objetivos?
Mario Persona - Palestras e treinamentos não costumam ter resultados imediatos, como se fosse uma injeção milagrosa. Leva tempo para as pessoas assimilarem o que aprenderam e transformarem aquilo em ação. Desconfio das palestras motivacionais de efeito rápido, daquelas que você sai sentindo-se super-demais, porque isso é como droga. Atingiu apenas a emoção, e quando o efeito acabar, fica muito pouco.
É preciso que exista também algum tutano, algum conhecimento fundamental, ao qual a pessoa possa recorrer em seu trabalho no dia-a-dia, e não apenas palavras de ordem, bexigas ou gritos tresloucados. Somos seres emocionais, e na comunicação deve existir emoção. Mas não são as emoções que devem nos guiar 24 horas por dia.
Qual a principal necessidade das pessoas que participam de suas palestras?
Mario Persona - Vejo que quase sempre a necessidade é de conhecer melhor a natureza humana, tanto a própria como a das outras pessoas. Nos iludimos pensando que existam técnicas imutáveis de comportamento, e por isso tentamos adotar procedimentos rígidos para todas as situações. Não pode ser assim. É preciso desenvolver uma capacidade muito grande de observação e assimilação de informações, para agir de acordo em cada situação.
Por exemplo, é comum eu encontrar vendedores que seguem um roteiro praticamente igual de visita ao cliente, oferta de produtos, discussão de preços e esforço para obter um pedido. O caminho correto é muito diferente, e começa no entendimento de quem é o cliente, de seu potencial de compra, dos problemas que tem, das implicações que esses problemas trazem e dos benefícios que ele possa desejar.
Só então vem a tentativa de aplicar tudo isso ao produto e serviço, que é algo que praticamente não é oferecido pelo vendedor, mas solicitado pelo cliente. Há muitas deficiências na área comercial das empresas porque todo mundo acha que sabe vender, e que o cliente é que não sabe comprar.
O que as pessoas mais precisam para se desenvolver profissionalmente?
Mario Persona - Vontade, objetivos e disposição para começar de baixo. Todo mundo quer ser chefe logo de cara, mas não imagina que para saber liderar é preciso entender como se sente um liderado. É preciso também ser observador para perceber para onde caminha o mercado.
Por exemplo, por que eu iria me especializar, fazer cursos, investir em minha carreira de projetista de telefones daqueles de antigos, de disco, quando percebo que as pessoas só querem telefones de teclas? Uma boa observação do mercado ajuda o profissional a se precaver contra a perda de tempo em atividades que estarão extintas em poucos anos.
Existe também um grande inimigo da carreira que é a ilusão de que uma grande carreira só é possível em uma grande empresa. Isso é falso. São as pequenas e médias empresas que absorvem o maior número de profissionais, e muitos se dão muito bem em suas carreiras nessa faixa de empresas. Afinal, é sempre mais provável encontrar ouro em um terreno inexplorado do que na imensa cratera onde muitos trabalham.
Quais as técnicas de motivação profissional que você utiliza?
Mario Persona - Utilizo o humor como o caminho mais curto para o cérebro, e a compreensão da natureza humana como forma de entender-se a si mesmo e entender quais os motivos, razões e expectativas das pessoas que nos cercam. O estímulo para aprender sempre, colocando-se na posição de um humilde aprendiz, uma esponja que só consegue reter o líquido porque tem muitos espaços vazios, e é capaz de transformar a pressão em oportunidade para crescer.
Em minhas palestras não utilizo shows de estímulos visuais ou sensoriais, mas convido os participantes a colocarem a inteligência para funcionar e a aprenderem a não só escutarem o que digo, mas também o que não digo, mas está nas entrelinhas. É na capacidade de ler nas entrelinhas e enxergar o que a maioria não vê que está a diferença dos melhores profissionais.
Minhas palestras e treinamentos costumam ser uma espécie de "entre tapas e beijos", aquela coisa de acariciar com uma mão e bater com a outra. Digo isto porque realmente chamo os participantes a refletirem sobre suas falhas, dificuldades e carências, ao mesmo tempo em que faço isso de uma forma agradável e bem-humorada.
31/10/2008
Palestras em tempos de crise
Não se pode culpar os empresários por estarem fazendo mais um ou dois furos no cinto, mas também é bom enxergar que a ameaça é relativa. Palestrantes mais voltados ao entretenimento devem sofrer mais com a crise, já que os eventos puramente festivos serão reduzidos. O panetone de fim de ano também será de marca inferior.
Aqueles que têm uma mensagem puramente motivacional, do tipo auto-ajuda, você pode, você consegue etc., ainda podem ser de alguma ajuda para motivar equipes desanimadas e trabalhando sob ameaça de cortes, mas muitas empresas já estão um pouco cansadas de experiências vazias nesse sentido.
Mas, se o profissional for bom, e não ficar apenas naquele oba-oba vazio de frases feitas tipo alguns horóscopos piegas de jornal, ele poderá ajudar a equipe.
Creio que quem se dará melhor nestes tempos de crise serão os palestrantes capazes de realmente ajudar as empresas a venderem mais, a prepararem suas equipes e a reduzirem seus custos. Neste caso os workshops e treinamentos, mais longos e com mais conteúdo são mais úteis, por não se limitarem ao mero empurrão que normalmente é dado de forma resumida numa palestra. Só que aí entra a questão do preço.
Um palestrante de renome pode cobrar mundos e fundos para falar uma hora, pois sua marca e exposição na mídia, além de seu conhecimento, ajudam a determinar seu preço. Mas quando o assunto é treinamento, o mercado é completamente diferente e nem sempre os palestrantes bam-bam-bam atuam nesse segmento, pois aí estarão concorrendo com as consultorias que dão treinamentos cobrados por hora. Obviamente um palestrante que cobre dez mil reais para falar uma hora em uma palestra não vai poder cobrar 80 mil para falar um dia inteiro. O que fazer?
O jeito é estar consciente dessa diferença e ter um preço adequado para treinamentos. O cálculo é simples: Considerando que ele cobre dez mil para falar uma hora em um dia que provavelmente será gasto exclusivamente para atender aquele cliente, se falar algumas horas a mais isso não precisa necessariamente ter uma influência exponencial no preço. Raramente um palestrante consegue atender mais de um evento em um mesmo dia, principalmente porque a maioria dos eventos envolvem viagens. Dependendo do lugar e do horário do evento, ele pode ter sido obrigado a comprometer um dia para a viagem de ida, um dia para o evento e mais um dia para a viagem de volta.
Portanto, se quiser atuar com workshops e treinamentos, seu preço não poderá ser muito mais do que o praticado para uma palestra de uma hora ou ele ficará astronomicamente fora dos padrões da concorrência que agora inclui também empresas de consultoria sem qualquer exposição na mídia. Mesmo assim o treinamento feito com um palestrante de renome será mais caro do que o de uma consultoria. Será que o cliente concordará em pagar? Minha experiência tem demonstrado que sim, principalmente por causa do efeito McDonald's.
Um amigo que viajava muito por todos os países do mundo costumava dizer que só comia no McDonald's. Não que ele gostasse tanto assim, mas porque sabia o que iria encontrar. Uma refeição em um boteco qualquer da Índia ou Guatemala podia até ser melhor e mais barato, mas sempre seria um risco. Então ele só ia no McDonald's, que às vezes podia sair até mais caro. Eu mesmo gosto de ficar em hotéis de grandes redes por este motivo. Dá trabalho entender o quarto e o serviço de cada hotel, e os quartos e serviços de hotéis de rede são sempre iguais.
Ao contratar o treinamento de uma empresa de consultoria o cliente nem sempre tem a garantia de que o ministrante será bom. Já fui contratado por empresas que tiveram uma experiência ruim em um treinamento anterior, quando contrataram uma grande consultoria internacional e no dia do treinamento apareceu um jovem recém formado sem qualquer experiência. Um desses clientes exigiu que eu colocasse no contrato que seria eu mesmo que ministraria o treinamento, o que obviamente sempre acontece.
Portanto, se você é palestrante, prepare-se para incluir treinamentos em seu cardápio, e se você é empresário lembre-se que em tempos bicudos a concorrência é maior e sua equipe precisa estar melhor preparada do que a do concorrente. Muito melhor.
23/10/2008
Linguagem e público
Antes de cada palestra nas empresas que me contratam eu procuro me policiar com a seguinte pergunta: "Minha apresentação poderia ser vista por pessoas de qualquer idade, sexo, etnia, formação e classe social?". Um palestrante voltado para o público empresarial não pode ter uma apresentação que seja de algum modo imprópria.
Uma vez uma empresa fez questão de conversar pessoalmente comigo antes de me contratar para quatro palestras, pagando todos os custos para essa reunião prévia só para ter certeza de que não se repetiria a experiência que tiveram com outro palestrante no ano anterior. Ele não apenas chegou à empresa acompanhado de uma garota de programa que apresentou como sua "assistente", como fez várias piadas envolvendo a marca da empresa e seus funcionários.
Outra empresa teve o mesmo cuidado por causa de uma decepção no ano anterior, quando o palestrante insistiu em contar várias piadas envolvendo a nacionalidade dos donos da empresa. O constrangimento foi grande entre os funcionários, que não sabiam se podiam rir ou não.
Em um evento do qual participei, um dos palestrantes passou boa parte de sua palestra dando apelidos e fazendo gozações com um empresário obeso sentado na primeira fileira. Em outro, o palestrante se viu em maus lençõis depois de fazer piadas sobre gays. E sei de um palestrante que foi processado por discriminação racial por um dos presentes.
Portanto, se a sua intenção é atender o mundo corporativo com palestras de temas de interesse para esse mercado, lembre-se de que deve manter seu conteúdo e tudo mais dentro dos princípios de ética e respeito, policiando-se para evitar qualquer linguagem, tema ou humor que impróprio para qualquer pessoa que trabalhe naquela empresa. Afinal, naquele momento você está trabalhando para aquela empresa e seu público é seu cliente. Nenhum cliente gosta de ser constrangido, humilhado ou assediado.
22/10/2008
Roupas de risco
Digo isto pensando principalmente em palestras feitas dentro de indústrias, onde há restrições a determinados tipos de roupas, como saias, vestidos e sapatos de salto alto. Quando a palestra acontece dentro da área de produção algumas grandes indústrias não permitem a entrada de pessoas com roupas de mangas cavadas, saias, bermudas, sandálias, calçados abertos ou de salto alto por questões de segurança.
Calçados abertos e sem meia aumentam o risco de ferimentos, contaminação e queimaduras com substâncias ou gases que possam vazar e ficar no nível do solo. Saltos altos podem prender em orifícios como chapas perfuradas que são usadas com freqüência em seções de pisos e escadas de áreas industriais. Cabelos longos e soltos podem também representar risco quando muito próximos de máquinas em funcionamento.
Quem faz palestras para empresas que trabalham em turnos também deve se preparar para apresentações no meio da madrugada, o que exige que o palestrante seja precavido no modo de vestir para evitar congelar no meio da palestra.
Quem sonha ser palestrante costuma se imaginar em um palco imenso em um ambiente de luxo, com ar condicionado, falando para uma platéia de executivos de terno e gravata. A realidade é bem outra. É bom se preparar para fazer palestras em tendas, ao ar livre, em fazendas, em barracões adaptados, refeitórios e até na área de produção de algumas indústrias.
A última coisa que você irá querer usar é um terno e gravata em um galpão industrial ou barracão de fazenda onde sua platéia é formada por operários vestidos de macacão ou lenhadores e vaqueiros em roupa de trabalho. Bem-vindo ao mundo real.
09/10/2008
Clima do evento
Seu contato na empresa irá provavelmente tentar explicar organogramas, fluxogramas e tantos outros gramas que não terão tanta importância na hora da palestra ou treinamento como terá o estado emocional dos participantes.
Tente explicar ao cliente que uma palestra de uma hora e pouco não é exatamente uma consultoria, onde você tem dias ou meses de contato, observação e análise antes de propor alguma solução. O palestrante deve navegar no plano conceitual e raramente poderá descer ao plano da prática dos processos da empresa, ou correrá o risco de sua audiência perceber que ele não está totalmente inteirado dos processos e problemas do dia a dia daquela empresa.
Mas voltando ao assunto do clima, este sim deve ser adequadamente medido porque você pode ser o pior palestrante do mundo e sua palestra ser um sucesso porque o público tinha acabado de ganhar na loteria, ou ser o melhor palestrante do mundo e sua palestra ser um fracasso por pegar um público em seu pior dia.
Não sou o melhor palestrante do mundo e nem passo perto disso, mas um de meus fracassos foi uma palestra feita no início da manhã para funcionários de uma agência bancária. Senti-me péssimo com a falta de atenção do público, sua apatia e olhar distante. Isso dos poucos que não olhavam para o chão. O que eu dizia entrava por um ouvido e saía pelo outro sem causar qualquer impacto.
Foi só quando a palestra terminou que a gerente da agência contou algo que não quis contar antes com medo de me deixar desmotivado. A agência tinha sido assaltada no dia anterior e aquele mesmo grupo de pessoas tinha ficado até tarde da noite rendidos sob a mira de pistolas e metralhadoras.
Desperte! É Tempo de Falar em Público
TANIA CASTELLIANO
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10/08/2008
Palestras em dupla
Se você pretende atuar em palestras de grandes eventos públicos (menos de 5% no meu caso), quem costuma escolher os palestrantes que irão dividir o palco são os promotores do evento. Neste caso eles também preferem variar dependendo do evento e do público. Portanto, ainda que você trabalhe em dupla com outro palestrante, para um evento desses é provável que um ou outro seja contratado, não os dois.
Caso sua atuação seja in company (mais de 95% no meu caso), geralmente a empresa contrata apenas um palestrante por evento, ou então um palestrante externo e um consultor local, ou um palestrante e um mágico, um comediante, um teatro e assim por diante, dependendo do evento. A empresa não vai contratar dois palestrantes porque fica caro, e também porque vai querer diversificar, se o evento for maior. Mesmo que a empresa contrate vários palestrantes, provavelmente irá querer que sejam de áreas diferentes.
Outro problema em se trabalhar em dupla é o nome. Geralmente o palestrante constrói seu nome como um cantor, não como uma dupla sertaneja. Todo o seu trabalho de divulgação é construído em cima de sua marca, e fazer isso com dois pode diluir o poder de sua marca, pois nem sempre os dois agradarão o mesmo público.
Duplas ou equipes funcionam melhor quando não existe um nome só envolvido e nem é isso que o cliente busca, como por exemplo no caso de treinamentos. Um cliente pode contratar uma empresa de assessoria de imprensa para treinar seus executivos a se relacionarem com a mídia. Aí sim é provável que no pacote venham um jornalista, um especialista em marketing pessoal, alguém para ensinar falar em público e por aí vai. O cliente não está contratando "o palestrante" ou a dupla de palestrantes, mas uma empresa que irá disponibilizar os talentos que melhor atendam a uma necessidade específica para um treinamento de várias horas ou dias.
04/08/2008
O que levar na viagem
Um amigo costumava dizer que, quando viajar, o segredo é levar metade da roupa e o dobro do dinheiro. É verdade. Quanto menor sua bagagem, melhor, principalmente porque você poderá carregar tudo na mão e não precisará despachar a mala se viajar de avião. Isso pode acarretar uma demora maior para quem for apanhá-lo no aeroporto e você ainda corre o risco de extravio.
Uma boa idéia é ter um terno preto com duas calças (antigamente, muito antigamente, as lojas Ducal de São Paulo lançaram a promoção: um terno, duas calças). Por que preto? Porque basta trocar a gravata e parece que trocou de roupa. Um terno marrom ou cinza não produz o mesmo efeito.
Um blazer azul-marinho e calças cinza ou beige também serve para eventos informais e durante o dia. Para eventos bem informais em praias e fazendas, calça e camisa resolvem. O bom é estar sempre um pouquinho mais bem-vestido do que a platéia, porque eles esperam isso de você.
Em uma maleta de mão você consegue colocar a roupa que vai usar em uma viagem de ida e volta para um ou dois dias fora. O paletó ou blazer vai na mão. O check-list que tenho em meu Palm pode servir de idéia para você. São os itens que costumo levar ou verificar antes de sair de viagem:
- Reserva de hotel
- Dinheiro
- Passagens
- Proposta (para me lembrar do tema, condições, etc.)
- Livro para ler na viagem
- Documentos pessoais (você não embarca sem um RG, passaporte ou carteira de motorista originais)
- Endereços
- Contato de quem vai me buscar no aeroporto
- Cartões de visita
- Mapa (uso http://maps.google.com quando preciso de um mapa para chegar ao local)
- Celular e carregador
- Palm e carregador
- Notebook e carregador
- Pen-drive
- Fones de ouvido
- Backup da apresentação (CD, pen-drive e, para garantir, uma cópia na Internet para baixar em caso de ser assaltado)
- Caneta
- Medicamentos
- Barbeador
- Itens de higiene pessoal
- Linha, agulha e botões
Roupas ficam ao seu critério. Um sapato (o que vai no pé) basta para mim. Camisa para a palestra eu sempre levo duas, porque sempre pode acontecer de cair algo em uma (quem já tomou banho de refrigerante em avião sabe o que é). Finalmente, espero que você não seja daqueles que não conseguem dormir em travesseiro diferente, e viajam com um travesseiro debaixo do braço.
09/05/2008
Quanto cobrar por uma palestra
Eu sei que estava falando de entrevistas, mas vamos fazer um intervalo para os comerciais e atender a alguns pedidos de mais informações sobre quanto cobrar por uma palestra.
Quando não existe exposição na mídia, os preços caem. Palestrantes profissionais são avaliados pela marca, ou por quanto são conhecidos do público. Então você pode encontrar alguém que entenda muito pouco de um assunto (eu, por exemplo), cobrando mais do que alguém que é especialista no assunto (o Dr. Jlhoxkyo Owercngruslpw, Phd, por exemplo).
Para quem está começando, uma referência é cobrar como cobraria para uma consultoria. Quem está começando meeesssmo pode cobrar por hora de consultoria, um valor que também varia muito conforme a marca. Ou cobrar por um dia de consultoria, embora trabalhe apenas uma ou duas horas, caso se sinta mais confortável.
Outra referência é cobrar por número de participantes, fazendo um cálculo rápido de quanto cada um estaria disposto a pagar para assistir uma palestra. Palestrantes profissionais, porém não cobram por hora, por público ou por dia, mas segundo o valor que é atribuído à sua marca.
Esse "cobrar" sempre exclui os valores de locomoção, hospedagem e outras despesas, mas eu geralmente só coloco para o cliente pagar hotel e locomoção, e esta apenas do aeroporto onde chego e saio (não incluo minha locomoção até o aeroporto mais próximo de casa).
Também não me preocupo em cobrar lanches ou refeições feitas fora do hotel, embora alguns não incluam isso na autorização que dão ao hotel, e na hora de fechar acabo arcando com essas refeições. Considero indelicado, depois de fazer um trabalho de 4 ou 5 dígitos, discutir por causa de um misto-quente.
Se você quiser tomar como referência o que cobraria um consultor, sugiro um passeio pelo site do IBCO - Instituto Brasileiro dos Consultores de Organizações, onde há muita informação e também uma pesquisa de valores de honorários para você baixar em PDF. Divirta-se com as tabelas.
Aqui eu falo um pouco mais sobre quanto cobrar por uma palestra:
Idéia de valores
Como cobrar
Quanto eles cobram nos EUA
08/05/2008
Entrevista no rádio
Em hipótese alguma, no rádio, TV ou mídia impressa, faça propaganda de algum produto ou serviço, a menos que isso seja previamente conversado e acordado com o entrevistador ou repórter. O entrevistador enxergará você como um aproveitador, se quiser martelar seus produtos. É preciso entender que a oportunidade de aparecer na mídia deve ser aproveitada como uma oportunidade institucional, não promocional.
Qual a diferença? Institucional é a exibição de uma marca (no caso você) de forma ampla, sem qualquer apelo para vender um produto ou serviço. Promocional é a venda específica. Por exemplo, você falar que aprendeu a fazer pastéis com sua avó, e que isso lhe possibilitou abrir a "Pastelaria Ventania" que está obtendo um sucesso considerável no bairro, é uma forma de propaganda institucional. Você não ofereceu nada, apenas mencionou uma particularidade interessante de seu negócio (a receita da vovó) e criou um certo interesse na audiência.
Uma propaganda promocional seria você "aproveitar o ensejo" para anunciar uma promoção de pastéis de inhame, do tipo, "compre dez e pague cinco", mas só esta semana.
Durante a entrevista, procure articular bem as palavras, evitar vícios ("né", "então", "ou seja"), e eu particularmente detesto ouvir alguém falando "nós isso", "nós aquilo", por denotar falsa modéstia. Vai que o entrevistador pergunta onde você nasceu e você responde: "Nós nascemos em Minas Gerais". A audiência do programa de rádio, por não conseguir enxergar que há só um entrevistado, vai pensar tratar-se de gêmeos siameses.
Quando a entrevista for por telefone, pergunte antes se vai ser ao vivo ou gravada, porque no primeiro caso você tem menos chances de errar. No segundo, se falar besteira, pode até pedir licença para começar de novo e solicitar a edição daquele trecho. Evite dar entrevistas no trânsito, falando ao celular e dirigindo, para sua entrevista não ir parar também no programa policial ou nos anúncios funerários.
Se estiver em casa ou no escritório, procure um lugar tranquilo, desligue o telefone e o celular, porque é horrível eles ficarem tocando durante a entrevista, e certifique-se de que o cachorro do vizinho (o animal, não o vizinho) não esteja latindo, seu bebê não esteja chorando e a máquina de lavar roupas não esteja ligada. O resto vai depender de seu talento.
07/05/2008
Modos de entrevista
Além disso, a entrevista por e-mail permite que você pense melhor sobre o assunto e até pesquise algo que possa enriquecer o que diz. Ao responder, porém, faça como se estivesse conversando, e não como se estivesse escrevendo uma tese científica. É importante aprender a escrever do jeito que você fala. Sabe como é, assim, sem muito floreado, tá?
Não espere que aquelas cinquenta laudas de resposta que deu serão publicadas na íntegra. Nem mesmo a hora e meia que falou ao telefone para o reporter gravar, porque sua entrevista pode ser (na maioria das vezes) apenas para acrescentar informações a uma matéria da qual participam outros entrevistados. Uma vez eu falei quase uma hora com um repórter e vi uma frase minha publicada na matéria na revista.
Depois falo mais sobre entrevistas por meio de recursos síncronos (telefone, skype, pessoalmente), por telefone, para a imprensa, rádio ou TV.
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