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01/05/2008

SIPAT, CIPA e Palestras de Segurança no Trabalho

Um mercado interessante é o de palestras para a SIPAT, a Semana Interna de Prevenção de Acidentes no Trabalho. De acordo com legislação, as empresas são obrigadas a dedicar, anualmente, uma semana para palestras e conferências sobre acidentes de trabalho, e isso é uma excelente oportunidade para o palestrante.

Algumas considerações, porém. Palestras técnicas de segurança devem ser ministradas por pessoas da área, como técnicos e engenheiros de segurança. Geralmente é isso que acontece no dia-a-dia das empresas e também na SIPAT. Porém muitas grandes empresas estão bem servidas nessa área e, durante a SIPAT, procuram trazer palestrantes também da área comportamental.

É aí que eu entro, e é aí que muitos palestrantes atuam. A rigor eu não poderia falar de segurança no trabalho por não ser um técnico no assunto, e é por issso que sempre pergunto antes o que a empresa procura. Se querem que eu ensine como usar EPI (Equipamentos de Proteção Individual), procedimentos, etc., então sugiro que procure um profissional da área.

Mas na maioria das médias e grandes empresas todo mundo está mais que informado e treinado em segurança. A brecha fica por conta do comportamento, das atitudes, da responsabilidade pessoal. É aí que o palestrante comportamental entra, pois não vai se intrometer nos procedimentos de segurança já adotados pela empresa, os quais ele provavelmente não será capaz de conhecer pela limitação do tempo, mas irá motivar os colaboradores a adotar os procedimentos.

Enfim, é uma palestra puramente comportamental, e quem trabalha com gente, com comportamento, com motivação, e tem boas histórias para contar para conscientizar o público da importância da segurança, tem os elementos necessários para atuar nessa área.

Agora vem a melhor parte. Como as empresas precisam promover a SIPAT, isso significa que elas já reservam uma verba todos os anos para o evento. E daí? Daí que já não se trata de vender seus serviços de palestrante, mas de eles serem comprados. Não é o caso de você tentar convencer o cliente a promover o evento, mas apenas uma questão de competência, alinhamento com os objetivos da empresa, e preço.

Agora vem a parte menos melhor. Por se tratar de uma atividade geralmente atendida pelos próprios técnicos e engenheiros de segurança da empresa ou prestadores de serviço, você irá concorrer com o preço "de grátis" que esses poderão estar cobrando, por seus serviços já estarem inseridos no pacote de seu contrato.

30/04/2008

Aprendendo com Tom Peters

Quer uma dica? Baixe este arquivo em MP3 e ouça uma entrevista de meia hora com o palestrante Tom Peters. A entrevista de meia hora foi para o blog "For Authors". Alguns pontos que anotei:

  • Para manter uma agenda de palestrante tão ativa quando à de Tom Peters ele diz que precisa ter algo de genético. É preciso muita energia para aguentar horas e horas de vôo e eventos. Sem falar dos cafezinhos.
  • Para ser palestrante é preciso estar entusiasmado para resolver problemas. Palestras são uma forma de informar soluções. "Poucos líderes querem ser líderes, eles são levados a ser líderes para consertar algo que vêem que está errado" (citando outro autor)
  • Tom deve muito à sua mãe, um misto de mulher extrovertida e excelente oradora. Sua oratória foi uma inspiração para ele, e sua educação fez dele um leitor voraz. Bons palestrantes precisam de alimento para o cérebro. Precisam ler muito.
  • Curiosidade é uma característica vital. Pessoas assim podem ser interrompidas no meio de um trabalho pois vêem a interrupção como oportunidade para aprender algo.
  • O início da carreira foi natural, fazendo palestras na empresa onde trabalhava e, com o tempo, quem via acabava convidando para falar em outro lugar e outras empresas, por pessoas que assistiram uma palestra sua.
  • Desde o princípio, falar em público nunca foi estressante ou apavorante para ele como palestrante.
  • A trajetória de cada pessoa é única. Tom começou fazendo uma palestra para 7 pessoas em sua empresa.
  • É bom aprender as lições dos comediantes para saber que histórias funcionam e quais não funcionam em público. Humor é importante.
  • Nunca abra a boca a menos que esteja preocupado e tocado pela situação ou pelo tema que vai apresentar.
  • O palestrante não transmite só idéias, ele transmite emoções, portanto uma boa palestra deve ser um bom momento emocional.
  • O palestrante não é muito considerado enquanto não escreve um livro. Existe uma relação muito íntima entre escrever livros e ficar conhecido.
  • Escrever um livro faz parte do processo de organizar idéias, como acontece numa boa palestra.
  • Quando falar para pessoas de outras culturas, ainda que cometa erros o público pode perceber que você é sincero e dar um desconto pelo fato de você ser estrangeiro.

    Bem, há muito mais. Vá lá, baixe o arquivo para ouvir.

20/12/2007

Quando realizar um evento

Eu mesmo não promovo palestras ou treinamentos, mas sou contratado na maioria das vezes para eventos promovidos por empresas para seus funcionários ou clientes. Raramente sou contratado por algum promotor de eventos para uma palestra aberta ao público mediante compra de ingresso. Mas é uma porcentagem muito pequena de meu trabalho, e não participo da organização. Apenas sou pago pelo meu trabalho.

Porém, há palestrantes que seguem um modelo diferente, criando, promovendo e vendendo seus próprios eventos. A falta de experiência quanto à melhor época para realizar o evento já deu prejuízo a muita gente, por isso vou dar algumas dicas.

Nunca planeje seu evento aberto ao público para acontecer na segunda metade de novembro e muito menos em dezembro. Uma palestra ou treinamento leva consigo a imagem de novidade, de um novo aprendizado, de início de uma nova etapa, portanto ninguém vai aparecer em seu evento se ele for no final do ano.

O final do ano é adequado para eventos festivos, comemorativos, de confraternização, sejam eles para funcionários ou clientes, mas não de investimento no futuro. Cursos e treinamentos no final do ano têm um rendimento muito pior, pois as pessoas já estão pensando em parar. Os desejos para o que pretendem fazer e aprender são transferidos automaticamente para o ano que vai iniciar depois.

Os primeiros meses do ano são bons para treinamentos, para injetar ânimo e coisas do tipo. A partir de março a agenda já vai ficando concorrida, pois muitas empresas investem mais nessa época em palestras e treinamentos, de olho em uma melhoria para a segunda metade do ano. Férias de julho são férias da baixa gerência (a alta gerência sai no verão), portanto não acontece muita coisa.

Cuidado com períodos de provas se seu evento for voltado para estudantes. Ninguém vai faltar à prova na faculdade para assistir sua palestra numa noite de junho. Verifique também o calendário de eventos da cidade para seu evento não coincidir com outro maior, ou não vir após outro que irá drenar seu público. A segunda metade do ano é cheia de oportunidades para eventos de segurança no trabalho (algumas empresas preferem o primeiro semestre).

Em eventos maiores, o horário de uma palestra também pode ser significativo. Um bom palestrante programado para falar depois de um ruim, pode tanto salvar um evento como falar às moscas, se existir a opção dos presentes abandonarem o evento decepcionados com o palestrante anterior. O tempo de duração é importante. Uma palestra deve durar, no máximo, 2 horas, mas 1:30 é um tempo bem aproveitado. O que passa disso pode cansar.

Porém, é preciso entender que esse é um tempo confortável para a audiência, mas pode-se cair na armadilha de achar que esse tempo sempre será bom. Nem sempre. Se a palestra for precedida de oportunidades dadas às autoridades locais para falar, pode esquecer. É melhor deixar um período para as autoridades, fazer um intervalo, e depois chamar o palestrante. Alguns políticos gostam de aproveitar a deixa e usar o microfone até acabar a bateria. Para quem escutou duas horas de discurso ou homenagem a fulano e sicrano, aguentar mais uma hora e meia de palestra pode ser demais.

06/11/2007

Agências de palestrantes

Alguém perguntou sobre agências de palestrantes. Vejo que as agências tinham um papel mais importante há alguns anos porque eram praticamente o único canal de contato entre o cliente e o palestrante. Era mais fácil para a empresa contratante ligar para uma agência e escolher de uma lista de possibilidades do que ficar procurando palestrantes individualmente na lista telefônica.

Com a Internet as agências perderam boa parte dessa capacidade, pois hoje há palestrantes que são encontrados antes de uma agência, se você simplesemente buscar por "palestrante" no Google. Mas elas ainda são importantes pois podem dar referências, e muitos clientes preferem contratar via agência para não correr riscos.

As agências também têm um papel importante em eventos grandes, no qual participam vários palestrantes. A contratação de todos fica mais fácil quando feita por um único canal. Elas também cuidam de outros aspectos da intermediação, o que é útil também para o palestrante, que não precisa ficar cobrando do cliente reservas de vôos e hotéis, verificando quando serão os pagamentos etc.

Outro papel importante da agência para o palestrante é que existe a possibilidade de negociação com o agente, liberando o palestrante desse problema. Sim, pode ser um problema porque às vezes o cliente, com receio de pedir ao palestrante, que ele acha que é alguém muito importante, um desconto de dois reais, acaba às vezes procurando outro.

A porcentagem cobrada pelas agências varia, portanto não vou dar dicas disso aqui. Às vezes ela envia a proposta diretamente ao cliente, colocando o preço do palestrante mais os honorários da agência, às vezes ela pede que o próprio palestrante faça isso, e há casos em que a agência não inclui nada porque já tem a verba para o evento inteiro (locações, buffet, banda, som e luz etc.) e o palestrante é apenas um dos itens que ela está administrando. Em alguns casos a agência recebe do cliente e repassa para o palestrante, em outros o palestrante recebe do cliente e repassa os honorários do serviço da agência para ela.

Mais uma coisa: há quem pense que irá se tornar palestrante conhecido se estiver cadastrado em alguma agência. Não é assim que acontece. Pelo contrário, se você for desconhecido, na lista da agência será apenas mais um desconhecido ao lado de grandes nomes, o que pode até diminuir seu brilho. A agência não irá promover você, desconhecido, se isso representar um risco para ela por não conhecer seu trabalho. Por isso é preciso antes se tornar conhecido, e depois usar as agências como mais uma opção de exposição.

Como se tornar conhecido? Bem, o palestrante é como Tostines: vende mais porque é fresquinho e é fresquinho porque vende mais.

05/11/2007

Como cobrar

Nem sempre a dificuldade é quanto cobrar, mas como cobrar. Isso depende do cliente. Na dúvida, 100% para entrar em cena. Quando você lida com empresas idôneas, geralmente não há muita dificuldade em receber.

A maioria dos pagamentos é feita por depósito em conta da empresa mediante apresentação de nota fiscal. Não trabalho sem nota. E como poderia, se meu papel como palestrante é apontar como pessoas e empresas devem trabalhar? Portanto as solicitações de desconto usando o argumento da nota para reduzir encargos não pega.

Até um certo valor o cliente retém e recolhe apenas Imposto de Renda. A partir daí retém também PIS, COFINS e Contribuição Social. O cliente não retém INSS por se tratar, no meu caso, de sócio-diretor sem empregados quem faz o trabalho. Algumas cidades obrigam a retenção do ISS no local do evento, outras não exigem isso, e outras exigem que você se cadastre na prefeitura para provar que realmente não está estabelecido lá. Portanto, na hora de dar preço, deixe claro se os impostos estão ou não embutidos para retenção.

Até hoje só levei um calote, mas foi distração minha. Não me dei conta de que estava tratando com um diretório acadêmico (pensava estar tratando com a direção de uma faculdade), e acabei ficando apenas com os 30% do adiantamento que havia pedido. Os 70% restantes devem ter virado cerveja em alguma noitada do pessoal do diretório acadêmico.

Grandes empresas não pagam adiantamentos, seja lá qual for a porcentagem, pois você vai entrar no processo de pagamento deles, o que pode acontecer na mesma semana do evento ou às vezes até 60 dias depois. Dependendo do caso, é pegar ou largar, porque algumas empresas são extremamente engessadas nesse sentido.

Normalmente costumo pedir 50% de adiantamento para reserva da data, propondo uma retenção de 10% do valor total no caso de cancelamento por parte do cliente. Um compromisso para a reserva da data é importante pois como você é só um, se marcar data com um está sujeito a perder a mesma data solicitada por outro depois. Se o primeiro desistir, você fica sem os dois.

Atenção especial deve ser dada a promotores de eventos, principalmente iniciantes que se aventuram a lançar sua palestra e cobrar ingressos. Quando o sujeito é novo no ramo, ele provavelmente vai quebrar a cara porque não é fácil montar um evento, conseguir patrocínio e público pagante se o promotor não for bom na praça.

Eu não tenho mais participado de eventos assim, pois em alguns deles o promotor acabou solicitando uma renegociação do saldo para reduzir seu prejuízo com o pouco público que conseguiu reunir. E isso por descuidos, como marcar a palestra no dia de outro evento importante na cidade, marcar palestra para universitários em junho, que é mês de provas, e coisas assim.

Alguns clientes se contentam com uma carta proposta ou carta de intenções, mas outros exigem um contrato (no meu caso, raramente acontece). Se passar pelo jurídico pode apostar que vai acontecer, pois o advogado estará cumprindo seu papel. O arrepio é que às vezes é exigida uma multa caso você não compareça, e é bom acrescentar uma exceção para casos fortuitos.

Também é importante deixar claro que a multa é de uma porcentagem sobre o que você cobraria, e não sobre os custos do evento (já aconteceu de pedirem isso), pois vai que decidam contratar também um show dos Rolling Stones e você, por causa de uma unha encravada, seja obrigado a pagar uma multa de 30% do cachê que eles cobram...

01/11/2007

Iluminação, palco e controle remoto

Cada novo evento é uma nova oportunidade de observar dificuldades que você pode encontrar quando vai fazer uma palestra. A iluminação é muito importante e não espere que todas as vezes os técnicos saberão como aplicá-la. A empresa pode ser especializada em som, iluminação, projeção etc., mas se você não observar tudo as coisas podem complicar.

Em um evento, na falta de spots de luz do teto, os técnicos improvisaram colocando dois spots iluminando a parede atrás do palco, entre os dois telões, e mais dois spots de mil watts cada no chão do palco iluminando o palestrante por trás.

Coloquei-me numa das cadeiras do auditório ainda vazio para ver o efeito. Logo imaginei o que aconteceria. Para você ter uma idéia, imagine uma cena do filme "Carrie A Estranha" com Carrie caminhando no meio da estrada e um carro vindo por trás com os dois faróis acesos. Da Carrie você vê apenas uma penumbra fantasmagórica onde devia ser o rosto, enquanto os faróis altos fazem seu rosto lacrimejar.

Foi assim que me vi como a Carrie sobre o palco, e bastaram dois minutos olhando em direção àqueles faróis de mil watts para começar a ver bolinhas coloridas quando fechava os olhos. Imagine se alguém na platéia iria aguentar uma hora e meia com aqueles faróis na cara, tentando descobrir se aquele vulto no palco era o palestrante ou Carrie, a Estranha.

Os faróis eu pedi para tirar, mas o palco não deu para mudar. O piso era mole demais para meu peso e pouco me movimentei com medo de alguém filmar e o vídeo, quando eu sumisse em algum buraco aberto por meus pés, fosse parar no YouTube.

Faltou falar do controle remoto. Aqui vai. Quando você perceber que o computador do pessoal da empresa que cuida da técnica do evento está a dez quilômetros do palco, lá no fundo de um auditório para centenas de pessoas, pode apostar que o controle remoto vai falhar. E falhou. Uma, duas, dez, mil vezes, criando uma irritação em mim que foi difícil de dissimular para não pegar na platéia.

É realmente péssimo você precisar olhar para os telões atrás de você todas as vezes para conferir se o slide foi mudado ou se você, no desespero de fazer funcionar, não avançou dois ou três. Lembre-se: quando você estiver no palco a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso é sua. Faça o que puder antes disso para que problemas técnicos não atrapalhem seu desempenho.

12/10/2007

Pesquisa sobre o mercado de palestras

Fui entrevistado por um grupo de estudantes para um trabalho de graduação sobre o mercado de palestrantes no Brasil. Vou aproveitar para publicar minhas respostas aqui também:

1. Atualmente, ministrar palestras é sua única atividade profissional?
( ) Sim
( X ) Não

Se não, qual a sua principal atividade profissional?

Atualmente minha principal atividade tem sido os cursos, treinamentos e palestras, mas não a única. Além disso escrevo colunas para revistas segmentadas e traduzo livros acadêmicos. Até recentemente eu prestava consultoria de comunicação e marketing e também lecionava em um curso universitário e em um curso de pós-graduação, atividades que fui obrigado a suspender por faltar tempo em minha agenda, permanecendo apenas com as palestras, treinamentos, traduções e textos.

2. Há quanto tempo você ministra palestras?
( ) Menos de 1 ano
( ) De 1 a 5 anos
( ) De 5 a 10 anos
( X ) Mais de 10 anos

3. Como você se tornou palestrante?

Continuando de forma independente um trabalho de comunicação que já fazia para a empresa da qual era diretor, na qual ministrava palestras de demonstração de serviços para clientes e em eventos para promoção de nossa marca.

4. Por que você ministra palestras?

Hoje a atividade de palestrante e também de ministrar cursos e treinamentos se transformou em minha principal fonte de receita.

5. Você já fez algum curso/treinamento/estudo sobre como falar em público?
( ) Sim
( X ) Não

6. Você acha necessário um estudo formal para se tornar palestrante?
( ) Sim
( X ) Não

Justificativa: Depende da área onde se pretende atuar. Palestrantes que falam basicamente de sua experiência de vida, de superação ou de suas habilidades obviamente não necessitam de uma educação formal, mas esta ajuda em outras áreas como comunicação, conhecimentos gerais, administração de suas atividades, etc.

7. Como você se mantém atualizado sobre a sua área?

Leio muito, além de ser tradutor de livros acadêmicos de administração, marketing e negócios.

8. Você considera importante o uso de recursos tecnológicos em uma palestra?
( ) Sim
( X ) Não

Justificativa: Depende do tipo de palestra e do tema. Palestras-show podem exigir um grande aparato tecnológico para causar impacto. Já palestras voltadas para a disseminação do conhecimento não são tão dependentes de tecnologia.

9. Quais recursos você geralmente usa em suas apresentações?

Notebook e data-show para projeção de slides em PowerPoint, além de microfone e amplificador quando necessário. Nos cursos e treinamentos utilizo ainda clipes de filmes para discussão, testes e dinâmicas de grupo.

10. Você considera importante para um palestrante se associar à uma agência/banco de palestrantes? Justifique.
( X ) Sim
( ) Não

Justificativa: Um palestrante precisa, antes de ser palestrante, ser conhecido, pois ainda que alguém saiba muita coisa, ninguém o contratará para falar se jamais tiver ouvido falar de seu nome. A indicação é grande aliada do palestrante e ela pode vir de uma agência ou banco de palestrantes que acaba, de certa forma, emprestando sua marca e sua referência ao profissional ao indicá-lo. Há empresas que preferem contratar palestrantes através de agências para evitar surpresas com pessoas pouco conhecidas ou às quais falte profissionalismo. Mas a agência precisa ser séria e profissional, e não apenas uma "corretora de palestras". A agência também funciona como uma ramificação a mais do palestrante para vender, porém esse papel perdeu um pouco de sua força com a Internet, já que hoje o próprio palestrante pode ser achado diretamente pelo interessado se tiver uma boa estratégia de marketing e publicidade.

11. Você conhece alguma regulamentação/código de éticas para palestrantes?
( ) Sim
( X ) Não

12. Você acredita que há falta de regulamentação do setor no Brasil? Justifique.
( ) Sim
( X ) Não.

Justificativa: Em minha experiência nunca senti necessidade ou falta de regulamentação para o setor. Mas talvez isso seja característico da atividade, que é extremamente personalizada e independente por sua própria natureza. Eu, particularmente, sou contra a maioria das formas de corporativismo, em especial aquelas que tentam criar reserva de mercado, lobby ou promover inaptos associados em detrimento de pessoas mais aptas, porém marginais ao sistema corporativista.

08/10/2007

Quanto ganha um palestrante em início de carreira?

Um palestrante no início da carreira geralmente não ganha nada. Isso mesmo, geralmente o palestrante atua em alguma profissão e faz palestras gratuitas para divulgar seu produto ou serviços. Comigo foi assim.

Eu já fazia palestras para promover os serviços da empresa da qual era diretor de comunicação e marketing, gerar negócios e manter a marca em destaque em grandes eventos. Também participava de road-shows, quando promovíamos eventos com palestras em algumas capitais convidando clientes em potencial. Obviamente eu já tinha alguns anos de experiência em falar em público, porém mais informalmente.

A maioria dos palestrantes que você encontra foram profissionais em alguma área na qual obtiveram algum conhecimento e habilidades que podem interessar o mercado, por isso passaram a falar disso e, depois que ficaram conhecidos, passaram a cobrar para falar.

Há, porém, palestrantes que "criam" sua profissão lançando-se no mercado com algum tema. Alguns palestrantes conhecidos como "motivacionais" fazem assim, elaborando uma espécie de palestra-show. Mas mesmo assim ninguém irá contratá-los enquanto não forem conhecidos, o que geralmente só acontece com uma boa ajuda de estratégias de publicidade.

A partir do momento em que se torna conhecido, começa a cobrar conforme o valor que seu mercado encontra naquilo que tem para oferecer. Não existe um valor fixo, já que ele pode variar conforme a demanda, a dificuldade do tema, a dificuldade do público (sim, há públicos mais ou menos difíceis de se lidar), a época do ano, a localização do evento (quantos dias serão gastos para chegar lá e voltar), o tipo de transporte a que terá de se sujeitar, a necessidade ou não de se dar um desconto para conquistar aquele cliente em vista de outros trabalhos em potencial... as possibilidades são infinitas.

Como o palestrante é um só, ele nunca será maior que sua própria sombra, isto é, não adianta ele apenas aumentar o número de apresentações para aumentar o ganho. Há a limitação de tempo e espaço: ele não pode estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Então, se ele tem poucos clientes, talvez precise dininuir o preço (às vezes é preciso aumentar para comunicar valor); se está correndo como louco, sem ter tempo e ganhando pouco, deve controlar a demanda (diminuí-la), porém aumentando o preço. É uma espécie de sintonia fina que precisa fazer o tempo todo para manter uma boa relação entre o número de apresentações e seus rendimentos.

Mas é bom ter em mente que apenas os mais conhecidos e que se destacam por possuírem estilo, conhecimento e experiência singular é que são mais bem remunerados nessa profissão. A maioria dos palestrantes precisa dividir seu tempo entre palestras, aulas, consultoria, serviços de babá, fazer salgadinhos para fora, vender remédio para emagrecer... e por aí vai. Não existe trabalho melhor ou pior, desde que ele seja um meio de se obter um ganho e, ao mesmo tempo, trazer algum benefício às pessoas que pagam por isso.

24/09/2007

Quanto eles cobram nos EUA?

Se quiser ter uma idéia dos honorários (em US dólares) praticados por palestrantes nos EUA, aqui vai uma lista publicada em www.speakinc.com/vss.html:

Gayle Carson $ 4.500,00
Frank King $ 5.000,00
Russ Stolnack $ 5.000,00
Bill Herz $ 6.500,00
Tom DeLuca $ 6.500,00
Vicki Hitzges $ 6.500,00
Darren LaCroix $ 7.500,00
Mike Schlappi $ 7.500,00
Chip Eichelberger $ 8.500,00
Mark Mayfield $ 8.500,00
Mary LoVerde $ 8.500,00
Nate Booth $ 8.500,00
Robert Stevenson $ 8.500,00
Roger Crawford $ 8.500,00
Paul Karasik $ 9.500,00
David Zach $ 10.000,00
Don Reynolds $ 10.000,00
Eileen McDargh $ 10.000,00
Flashover Seminars $ 10.000,00
Joan Brock $ 10.000,00
Mike Mullane $ 10.000,00
Phillip Van Hooser $ 10.000,00
Jeff Salz $ 11.500,00
Mikki Williams $ 12.000,00
Don Hutson $ 12.500,00
John Amatt $ 14.000,00
Gary Bradt $ 15.000,00
Giovanni Livera $ 15.000,00
Janet Lapp $ 15.000,00
John Alston $ 15.000,00
Mark Sanborn $ 15.000,00
Matt Weinstein $ 15.000,00
Robert Kriegel $ 17.500,00
Vincent Poscente $ 19.500,00
Oren Harari $ 20.000,00
James Ray $ 25.000,00
Jason Jennings $ 25.000,00
Les Brown $ 25.000,00
Mario Persona $ 1 milhão. ha! ha! ha! :)

Para saber quem é quem visite o o site acima que lá os nomes estão com links para seus currículos. Ficou curioso para saber por que meu preço é tão alto perto do preço deles? É porque sou o único da lista que sabe falar português. rsss......

29/08/2007

Treinamentos: Quando falta tempo

Não se preocupe se faltou falar tudo o que planejou, porque seu público não sabe disso, só você. Ele acha que você disse tudo o que planejou. Tenho um roteiro para treinamentos, mas é flexível. Aproveito os intervalos de café para cortar ou acrescentar slides à medida que vai progredindo.

A grande sacada do treinamento está no início, na interação e conquista da confiança, quando você abre o tema à discussão (isso mesmo, no começo) com o objetivo de colher informações de seu público. Isso vai gerar o projeto imediato de seu treinamento e você deve dar toda a atenção à opinião das pessoas, suas queixas, expectativas, idéias, etc.

Às vezes você vai com uma coisa e nessa hora descobre que não tem nada a ver, ou que vai precisar de outra outra coisa, às vezes até como ponte para chegar ao seu material principal, porque aquele é o estágio do público naquele momento.

Essa interação inicial que serve como seu diagnóstico da turma também é uma boa hora para liquidar e falar coisas que você talvez tenha previsto para falar depois. Não há melhor forma da pessoa aprender do que quando o ensino vem contextualizado com a opinião que ela acabou de dar, com uma necessidade que expressou ou algo assim. De nada adianta ter tudo organizadinho e, quando aquele assunto vier na sequência que preparou, o cara já está dormindo.

28/08/2007

Estrutura da palestra

Uma palestra boa dura geralmente de uma hora a uma hora e quarenta. Normalmente meu roteiro são os slides em power-point com frases e desenhos (não trazem grandes textos, apenas os tópicos) para os quais olho de relance de vez em quando.

Ao longo do tempo vou mantendo a técnica de sobe e desce: uma historia engraçada, uma dose de informação sonífera, outra história, outra dose, até chegar no grande final com a parte mais cômica possível, porque o fim é a primeira coisa que a pessoa lembra. Imagine um gráfico em forma de serra, com picos e vales e um everest no final. Sua palestra precisa ser assim. Não é só chegar lá e falar ou espalhar os slides a esmo. Precisa ter planejamento para trabalhar as emoções dos presentes.

Ouvi alguém contar de um palestrante que leva a mulher para cronometrar suas palestras para que a platéia não fique dez ou quinze minutos corridos sem rir. Procure estudar algo sobre a teoria do humor e você vai aprender que sempre precisa existir uma vítima para existir humor. No caso, eu sou quase sempre a vítima, o velho, o idiota, etc. Isso também ajuda a quebrar o gelo e diminuir a distância.

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