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10/08/2008

Palestras em dupla

Algumas pessoas me procuram para parcerias, para apresentarmos palestras em dupla, mas eu creio que não funciona. Uma vez tentei fazer isso com um grande amigo e experiente executivo, mas não funcionou e hoje posso entender algumas razões.

Se você pretende atuar em palestras de grandes eventos públicos (menos de 5% no meu caso), quem costuma escolher os palestrantes que irão dividir o palco são os promotores do evento. Neste caso eles também preferem variar dependendo do evento e do público. Portanto, ainda que você trabalhe em dupla com outro palestrante, para um evento desses é provável que um ou outro seja contratado, não os dois.

Caso sua atuação seja in company (mais de 95% no meu caso), geralmente a empresa contrata apenas um palestrante por evento, ou então um palestrante externo e um consultor local, ou um palestrante e um mágico, um comediante, um teatro e assim por diante, dependendo do evento. A empresa não vai contratar dois palestrantes porque fica caro, e também porque vai querer diversificar, se o evento for maior. Mesmo que a empresa contrate vários palestrantes, provavelmente irá querer que sejam de áreas diferentes.

Outro problema em se trabalhar em dupla é o nome. Geralmente o palestrante constrói seu nome como um cantor, não como uma dupla sertaneja. Todo o seu trabalho de divulgação é construído em cima de sua marca, e fazer isso com dois pode diluir o poder de sua marca, pois nem sempre os dois agradarão o mesmo público.

Duplas ou equipes funcionam melhor quando não existe um nome só envolvido e nem é isso que o cliente busca, como por exemplo no caso de treinamentos. Um cliente pode contratar uma empresa de assessoria de imprensa para treinar seus executivos a se relacionarem com a mídia. Aí sim é provável que no pacote venham um jornalista, um especialista em marketing pessoal, alguém para ensinar falar em público e por aí vai. O cliente não está contratando "o palestrante" ou a dupla de palestrantes, mas uma empresa que irá disponibilizar os talentos que melhor atendam a uma necessidade específica para um treinamento de várias horas ou dias.

04/08/2008

O que levar na viagem

Um amigo costumava dizer que, quando viajar, o segredo é levar metade da roupa e o dobro do dinheiro. É verdade. Quanto menor sua bagagem, melhor, principalmente porque você poderá carregar tudo na mão e não precisará despachar a mala se viajar de avião. Isso pode acarretar uma demora maior para quem for apanhá-lo no aeroporto e você ainda corre o risco de extravio.

Uma boa idéia é ter um terno preto com duas calças (antigamente, muito antigamente, as lojas Ducal de São Paulo lançaram a promoção: um terno, duas calças). Por que preto? Porque basta trocar a gravata e parece que trocou de roupa. Um terno marrom ou cinza não produz o mesmo efeito.

Um blazer azul-marinho e calças cinza ou beige também serve para eventos informais e durante o dia. Para eventos bem informais em praias e fazendas, calça e camisa resolvem. O bom é estar sempre um pouquinho mais bem-vestido do que a platéia, porque eles esperam isso de você.

Em uma maleta de mão você consegue colocar a roupa que vai usar em uma viagem de ida e volta para um ou dois dias fora. O paletó ou blazer vai na mão. O check-list que tenho em meu Palm pode servir de idéia para você. São os itens que costumo levar ou verificar antes de sair de viagem:

  • Reserva de hotel
  • Dinheiro
  • Passagens
  • Proposta (para me lembrar do tema, condições, etc.)
  • Livro para ler na viagem
  • Documentos pessoais (você não embarca sem um RG, passaporte ou carteira de motorista originais)
  • Endereços
  • Contato de quem vai me buscar no aeroporto
  • Cartões de visita
  • Mapa (uso http://maps.google.com quando preciso de um mapa para chegar ao local)
  • Celular e carregador
  • Palm e carregador
  • Notebook e carregador
  • Pen-drive
  • Fones de ouvido
  • Backup da apresentação (CD, pen-drive e, para garantir, uma cópia na Internet para baixar em caso de ser assaltado)
  • Caneta
  • Medicamentos
  • Barbeador
  • Itens de higiene pessoal
  • Linha, agulha e botões

Roupas ficam ao seu critério. Um sapato (o que vai no pé) basta para mim. Camisa para a palestra eu sempre levo duas, porque sempre pode acontecer de cair algo em uma (quem já tomou banho de refrigerante em avião sabe o que é). Finalmente, espero que você não seja daqueles que não conseguem dormir em travesseiro diferente, e viajam com um travesseiro debaixo do braço.

09/05/2008

Quanto cobrar por uma palestra

Eu sei que estava falando de entrevistas, mas vamos fazer um intervalo para os comerciais e atender a alguns pedidos de mais informações sobre quanto cobrar por uma palestra.

Quando não existe exposição na mídia, os preços caem. Palestrantes profissionais são avaliados pela marca, ou por quanto são conhecidos do público. Então você pode encontrar alguém que entenda muito pouco de um assunto (eu, por exemplo), cobrando mais do que alguém que é especialista no assunto (o Dr. Jlhoxkyo Owercngruslpw, Phd, por exemplo).

Para quem está começando, uma referência é cobrar como cobraria para uma consultoria. Quem está começando meeesssmo pode cobrar por hora de consultoria, um valor que também varia muito conforme a marca. Ou cobrar por um dia de consultoria, embora trabalhe apenas uma ou duas horas, caso se sinta mais confortável.

Outra referência é cobrar por número de participantes, fazendo um cálculo rápido de quanto cada um estaria disposto a pagar para assistir uma palestra. Palestrantes profissionais, porém não cobram por hora, por público ou por dia, mas segundo o valor que é atribuído à sua marca.

Esse "cobrar" sempre exclui os valores de locomoção, hospedagem e outras despesas, mas eu geralmente só coloco para o cliente pagar hotel e locomoção, e esta apenas do aeroporto onde chego e saio (não incluo minha locomoção até o aeroporto mais próximo de casa).

Também não me preocupo em cobrar lanches ou refeições feitas fora do hotel, embora alguns não incluam isso na autorização que dão ao hotel, e na hora de fechar acabo arcando com essas refeições. Considero indelicado, depois de fazer um trabalho de 4 ou 5 dígitos, discutir por causa de um misto-quente.

Se você quiser tomar como referência o que cobraria um consultor, sugiro um passeio pelo site do IBCO - Instituto Brasileiro dos Consultores de Organizações, onde há muita informação e também uma pesquisa de valores de honorários para você baixar em PDF. Divirta-se com as tabelas.

Aqui eu falo um pouco mais sobre quanto cobrar por uma palestra:

Idéia de valores
Como cobrar
Quanto eles cobram nos EUA

08/05/2008

Entrevista no rádio

As entrevistas para programas de rádio podem ter diversos formatos. Já dei entrevistas em estúdios, por telefone e até por MP3. O importante em qualquer caso é conversar antes com o entrevistador para saber qual será o escopo da conversa, para você não ser pego desprevenido.

Em hipótese alguma, no rádio, TV ou mídia impressa, faça propaganda de algum produto ou serviço, a menos que isso seja previamente conversado e acordado com o entrevistador ou repórter. O entrevistador enxergará você como um aproveitador, se quiser martelar seus produtos. É preciso entender que a oportunidade de aparecer na mídia deve ser aproveitada como uma oportunidade institucional, não promocional.

Qual a diferença? Institucional é a exibição de uma marca (no caso você) de forma ampla, sem qualquer apelo para vender um produto ou serviço. Promocional é a venda específica. Por exemplo, você falar que aprendeu a fazer pastéis com sua avó, e que isso lhe possibilitou abrir a "Pastelaria Ventania" que está obtendo um sucesso considerável no bairro, é uma forma de propaganda institucional. Você não ofereceu nada, apenas mencionou uma particularidade interessante de seu negócio (a receita da vovó) e criou um certo interesse na audiência.

Uma propaganda promocional seria você "aproveitar o ensejo" para anunciar uma promoção de pastéis de inhame, do tipo, "compre dez e pague cinco", mas só esta semana.

Durante a entrevista, procure articular bem as palavras, evitar vícios ("né", "então", "ou seja"), e eu particularmente detesto ouvir alguém falando "nós isso", "nós aquilo", por denotar falsa modéstia. Vai que o entrevistador pergunta onde você nasceu e você responde: "Nós nascemos em Minas Gerais". A audiência do programa de rádio, por não conseguir enxergar que há só um entrevistado, vai pensar tratar-se de gêmeos siameses.

Quando a entrevista for por telefone, pergunte antes se vai ser ao vivo ou gravada, porque no primeiro caso você tem menos chances de errar. No segundo, se falar besteira, pode até pedir licença para começar de novo e solicitar a edição daquele trecho. Evite dar entrevistas no trânsito, falando ao celular e dirigindo, para sua entrevista não ir parar também no programa policial ou nos anúncios funerários.

Se estiver em casa ou no escritório, procure um lugar tranquilo, desligue o telefone e o celular, porque é horrível eles ficarem tocando durante a entrevista, e certifique-se de que o cachorro do vizinho (o animal, não o vizinho) não esteja latindo, seu bebê não esteja chorando e a máquina de lavar roupas não esteja ligada. O resto vai depender de seu talento.

07/05/2008

Modos de entrevista

Você pode ser requisitado para uma entrevista por telefone para rádio ou TV, ao vivo ou gravada, por telefone para a imprensa e por e-mail. Sempre que possível dê preferência ao e-mail para as entrevistas que serão publicadas. Você tem maior liberdade para responder em seu melhor momento e com as idéias mais claras.

Além disso, a entrevista por e-mail permite que você pense melhor sobre o assunto e até pesquise algo que possa enriquecer o que diz. Ao responder, porém, faça como se estivesse conversando, e não como se estivesse escrevendo uma tese científica. É importante aprender a escrever do jeito que você fala. Sabe como é, assim, sem muito floreado, tá?

Não espere que aquelas cinquenta laudas de resposta que deu serão publicadas na íntegra. Nem mesmo a hora e meia que falou ao telefone para o reporter gravar, porque sua entrevista pode ser (na maioria das vezes) apenas para acrescentar informações a uma matéria da qual participam outros entrevistados. Uma vez eu falei quase uma hora com um repórter e vi uma frase minha publicada na matéria na revista.

Depois falo mais sobre entrevistas por meio de recursos síncronos (telefone, skype, pessoalmente), por telefone, para a imprensa, rádio ou TV.

04/05/2008

Relacionamento com a imprensa

A imprensa pode ser uma alidada importante do palestrante, mas é bom entender que a função do jornalista é informar, não fazer propaganda de você. Portanto, nem pense em tentar usar a mídia. Quem lê isso pode achar uma contradição, pois há pouco eu ensinava como se valer de jornais, revistas e sites para divulgar sua marca.

Bem, os resultados são proveitosos para o palestrante, mas a abordagem nunca deve ser no sentido de levar vantagem. Não entendeu? Raciocine assim: se me esforço para criar informações e conteúdo de qualidade para aparecer na mídia, isso não significa explorá-la, mas criar uma vantagem para ela. O efeito colateral disso é exposição. A imprensa busca por informação e conteúdo. Quem estiver disposto a investir seu tempo nisso é beneficiado com os resultados.

Vamos supor uma situação inversa, para entender melhor. Hoje é muito fácil para um palestrante escrever meia dúzia de livros (nossa! exatamente meu número até aqui!), produzir puro lixo na forma de artigos e entupir a Internet com isso. Falo de ficar escrevendo artigos que não dizem nada, só para criar volume. Quer ver? Vou dar um exemplo usando o
"Fabuloso Gerador de Lero-Lero":

O que temos que ter sempre em mente é que a hegemonia do ambiente político auxilia a preparação e a composição do orçamento setorial. A certificação de metodologias que nos auxiliam a lidar com o acompanhamento das preferências de consumo aponta para a melhoria dos paradigmas corporativos. Caros amigos, a determinação clara de objetivos representa uma abertura para a melhoria da gestão inovadora da qual fazemos parte.

O que viu aí? Absolutamente nada, só palavras bonitas. Pois é, nem tente obter uma colocação privilegiada nos meios de informação gerando lero-lero. Nenhum jornalista procuraria você para falar disso. Ele precisa de fontes que sirvam para gerar boas informações para a matéria que está escrevendo. Qualquer profissional de comunicação percebe de longe o cheiro de vigarice.

Por outro lado, se você trabalhar duro e gerar informação de qualidade, com o tempo você acabará com seu nome anotado no caderninho de alguns jornalistas, e isso será sua recompensa. Continuarei falando desse relacionamento com a mídia e mais sobre entrevistas na próxima. Até lá.

03/05/2008

Otimizando sua produção

Há anos escreve semanalmente (ou quinzenalmente, dependendo do tempo), artigos e crônicas de vida, carreira e negócios, com foco em marketing, vendas, comunicação e outros temas de minhas palestras e treinamentos.

Ao final de um ou dois anos eu tenho material para um livro, podendo revisar, expandir, alterar, agrupar, fazer o que quiser. O importante disso é que eu escrevo quando as idéias vêm, e depois posso retomá-las na edição de um livro. É muito mais fácil do que partir do zero para escrever.

Essas mesmas crônicas eu publico primeiro em meu blog Mario Persona CAFE, e também ofereço para quem quiser publicar de graça ou como colaboração em sites, jornais e revistas. Tem gente que fica tão preocupada com isso que enche seus textos de "Marca Registrada", "Copyrights", cadeados etc. Eu não.

Se alguém pode roubá-los? Claro que pode, e algumas pessoas já fizeram isso, colocando-se como autores. Raciocine assim: quanto você ganha escrevendo? Muito pouco. Quanto você ganha se o seu nome estiver espalhado por aí em centenas de sites, jornais e revistas? Muito muito.

É claro que também forneço serviços de autor para algumas revistas segmentadas, escrevendo crônicas exclusivas, mas estes são outros quinhentos.

Continuando, como já escrevo para meus textos durarem, dificilmente trato de temas do noticiário, mas conceituais. Como são textos leves, principalmente para ler na Web, não gasto mais de 600 ou 700 palavras em cada um. Meus textos são então publicados em meu blog e vai saber onde mais, já que incentivo a cópia descarada, desde que acrescentem um www.mariopersona.com.br aos créditos. Você não imagina o bem que isso faz para sua marca nos sites de busca!

O mesmo texto segue também para os 9 mil assinantes de minha newsletter (importante, não mande SPAM, crie uma newsletter e conquiste assinantes que sejam assinantes porque gostam do que escreve).

No momento em que tenho o texto, tenho o script para meu vídeo. E é o que faço, criando um vídeo daquele texto, em casa mesmo. Depois eu extraio o áudio daquele vídeo e publico em meu podcast. Veja só: Eu escrevo uma vez, e esse texto vai virar:

  1. Material para meu blog
  2. Material para minha newsletter
  3. Colaboração para os blogs, jornais, revistas e sites dos outros.
  4. Material para um futuro livro
  5. Vídeo
  6. Podcast

Se isso não for otimização da produção, não sei o que é. Quem vê tudo isso por aí acaba pensando que minha produção é gigantesca. Nem tanto. Ah, e tem mais: as entrevistas. Mas isso fica para a próxima conversa...

02/05/2008

Escrevendo seu livro

Como o próprio Tom Peters disse em sua entrevista (veja texto anterior), todo palestrante deve procurar escrever um livro. Mesmo que você só venda para sua mãe ou sua irmã, ou dê de presente, ter um livro faz uma grande diferença porque, além de palestrante, você entra no mundo dos autores. Obviamente é preciso que tenha qualidade, ou você entrará para o mundo dos autores medíocres.

Eu tive a felicidade de encontrar duas editoras que quiseram publicar meus livros. Mas mesmo que isso não seja possível, hoje existe a possibilidade de produção sob demanda. Geralmente as editoras que trabalham assim cobram um valor para produzir, digamos, cem ou duzentos livros. A venda pode ficar por conta da editora ou por sua conta.

A experiência nesse segmento sob demanda demonstra que quem vai precisar vender mesmo é o autor, porque esses livros acabarão não entrando na distribuição das livrarias. O que leva ao ponto de que o elo mais importante na produção do livro não é a editora, mas a distribuidora. Mas este é outro assunto.

No próximo texto vou mostrar como faço para otimizar ao máximo a produção de meu material para livro, sites, entrevistas, vídeos, podcasting etc. Enquanto isso, assista o vídeo abaixo.

01/05/2008

SIPAT, CIPA e Palestras de Segurança no Trabalho

Um mercado interessante é o de palestras para a SIPAT, a Semana Interna de Prevenção de Acidentes no Trabalho. De acordo com legislação, as empresas são obrigadas a dedicar, anualmente, uma semana para palestras e conferências sobre acidentes de trabalho, e isso é uma excelente oportunidade para o palestrante.

Algumas considerações, porém. Palestras técnicas de segurança devem ser ministradas por pessoas da área, como técnicos e engenheiros de segurança. Geralmente é isso que acontece no dia-a-dia das empresas e também na SIPAT. Porém muitas grandes empresas estão bem servidas nessa área e, durante a SIPAT, procuram trazer palestrantes também da área comportamental.

É aí que eu entro, e é aí que muitos palestrantes atuam. A rigor eu não poderia falar de segurança no trabalho por não ser um técnico no assunto, e é por issso que sempre pergunto antes o que a empresa procura. Se querem que eu ensine como usar EPI (Equipamentos de Proteção Individual), procedimentos, etc., então sugiro que procure um profissional da área.

Mas na maioria das médias e grandes empresas todo mundo está mais que informado e treinado em segurança. A brecha fica por conta do comportamento, das atitudes, da responsabilidade pessoal. É aí que o palestrante comportamental entra, pois não vai se intrometer nos procedimentos de segurança já adotados pela empresa, os quais ele provavelmente não será capaz de conhecer pela limitação do tempo, mas irá motivar os colaboradores a adotar os procedimentos.

Enfim, é uma palestra puramente comportamental, e quem trabalha com gente, com comportamento, com motivação, e tem boas histórias para contar para conscientizar o público da importância da segurança, tem os elementos necessários para atuar nessa área.

Agora vem a melhor parte. Como as empresas precisam promover a SIPAT, isso significa que elas já reservam uma verba todos os anos para o evento. E daí? Daí que já não se trata de vender seus serviços de palestrante, mas de eles serem comprados. Não é o caso de você tentar convencer o cliente a promover o evento, mas apenas uma questão de competência, alinhamento com os objetivos da empresa, e preço.

Agora vem a parte menos melhor. Por se tratar de uma atividade geralmente atendida pelos próprios técnicos e engenheiros de segurança da empresa ou prestadores de serviço, você irá concorrer com o preço "de grátis" que esses poderão estar cobrando, por seus serviços já estarem inseridos no pacote de seu contrato.

30/04/2008

Aprendendo com Tom Peters

Quer uma dica? Baixe este arquivo em MP3 e ouça uma entrevista de meia hora com o palestrante Tom Peters. A entrevista de meia hora foi para o blog "For Authors". Alguns pontos que anotei:

  • Para manter uma agenda de palestrante tão ativa quando à de Tom Peters ele diz que precisa ter algo de genético. É preciso muita energia para aguentar horas e horas de vôo e eventos. Sem falar dos cafezinhos.
  • Para ser palestrante é preciso estar entusiasmado para resolver problemas. Palestras são uma forma de informar soluções. "Poucos líderes querem ser líderes, eles são levados a ser líderes para consertar algo que vêem que está errado" (citando outro autor)
  • Tom deve muito à sua mãe, um misto de mulher extrovertida e excelente oradora. Sua oratória foi uma inspiração para ele, e sua educação fez dele um leitor voraz. Bons palestrantes precisam de alimento para o cérebro. Precisam ler muito.
  • Curiosidade é uma característica vital. Pessoas assim podem ser interrompidas no meio de um trabalho pois vêem a interrupção como oportunidade para aprender algo.
  • O início da carreira foi natural, fazendo palestras na empresa onde trabalhava e, com o tempo, quem via acabava convidando para falar em outro lugar e outras empresas, por pessoas que assistiram uma palestra sua.
  • Desde o princípio, falar em público nunca foi estressante ou apavorante para ele como palestrante.
  • A trajetória de cada pessoa é única. Tom começou fazendo uma palestra para 7 pessoas em sua empresa.
  • É bom aprender as lições dos comediantes para saber que histórias funcionam e quais não funcionam em público. Humor é importante.
  • Nunca abra a boca a menos que esteja preocupado e tocado pela situação ou pelo tema que vai apresentar.
  • O palestrante não transmite só idéias, ele transmite emoções, portanto uma boa palestra deve ser um bom momento emocional.
  • O palestrante não é muito considerado enquanto não escreve um livro. Existe uma relação muito íntima entre escrever livros e ficar conhecido.
  • Escrever um livro faz parte do processo de organizar idéias, como acontece numa boa palestra.
  • Quando falar para pessoas de outras culturas, ainda que cometa erros o público pode perceber que você é sincero e dar um desconto pelo fato de você ser estrangeiro.

    Bem, há muito mais. Vá lá, baixe o arquivo para ouvir.

20/12/2007

Quando realizar um evento

Eu mesmo não promovo palestras ou treinamentos, mas sou contratado na maioria das vezes para eventos promovidos por empresas para seus funcionários ou clientes. Raramente sou contratado por algum promotor de eventos para uma palestra aberta ao público mediante compra de ingresso. Mas é uma porcentagem muito pequena de meu trabalho, e não participo da organização. Apenas sou pago pelo meu trabalho.

Porém, há palestrantes que seguem um modelo diferente, criando, promovendo e vendendo seus próprios eventos. A falta de experiência quanto à melhor época para realizar o evento já deu prejuízo a muita gente, por isso vou dar algumas dicas.

Nunca planeje seu evento aberto ao público para acontecer na segunda metade de novembro e muito menos em dezembro. Uma palestra ou treinamento leva consigo a imagem de novidade, de um novo aprendizado, de início de uma nova etapa, portanto ninguém vai aparecer em seu evento se ele for no final do ano.

O final do ano é adequado para eventos festivos, comemorativos, de confraternização, sejam eles para funcionários ou clientes, mas não de investimento no futuro. Cursos e treinamentos no final do ano têm um rendimento muito pior, pois as pessoas já estão pensando em parar. Os desejos para o que pretendem fazer e aprender são transferidos automaticamente para o ano que vai iniciar depois.

Os primeiros meses do ano são bons para treinamentos, para injetar ânimo e coisas do tipo. A partir de março a agenda já vai ficando concorrida, pois muitas empresas investem mais nessa época em palestras e treinamentos, de olho em uma melhoria para a segunda metade do ano. Férias de julho são férias da baixa gerência (a alta gerência sai no verão), portanto não acontece muita coisa.

Cuidado com períodos de provas se seu evento for voltado para estudantes. Ninguém vai faltar à prova na faculdade para assistir sua palestra numa noite de junho. Verifique também o calendário de eventos da cidade para seu evento não coincidir com outro maior, ou não vir após outro que irá drenar seu público. A segunda metade do ano é cheia de oportunidades para eventos de segurança no trabalho (algumas empresas preferem o primeiro semestre).

Em eventos maiores, o horário de uma palestra também pode ser significativo. Um bom palestrante programado para falar depois de um ruim, pode tanto salvar um evento como falar às moscas, se existir a opção dos presentes abandonarem o evento decepcionados com o palestrante anterior. O tempo de duração é importante. Uma palestra deve durar, no máximo, 2 horas, mas 1:30 é um tempo bem aproveitado. O que passa disso pode cansar.

Porém, é preciso entender que esse é um tempo confortável para a audiência, mas pode-se cair na armadilha de achar que esse tempo sempre será bom. Nem sempre. Se a palestra for precedida de oportunidades dadas às autoridades locais para falar, pode esquecer. É melhor deixar um período para as autoridades, fazer um intervalo, e depois chamar o palestrante. Alguns políticos gostam de aproveitar a deixa e usar o microfone até acabar a bateria. Para quem escutou duas horas de discurso ou homenagem a fulano e sicrano, aguentar mais uma hora e meia de palestra pode ser demais.

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