Dicas do palestrante Mario Persona para palestras, palestrantes, mestres de cerimônia, comediantes, oradores, conferencistas, professores, advogados, políticos, estudantes, apresentadores, líderes, repórteres, jornalistas, formadores de opinião...
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20/06/2009
Palestrante escritor
Mas o livro é importante para a carreira do palestrante, pois além de criar uma aura de alguém erudito, permite que suas idéias permaneçam mesmo quando ele para de falar. Se você for um palestrante com pouca habilidade para escrever, contrate um ghost writer para colocar suas idéias no papel.
Geralmente quando o palestrante pensa em em escrever, pensa em livros, mas essa é uma visão limitada. Se por um lado o interesse por livros tem caído nos últimos anos com a competição das novas mídias, a atividade de escrever só tem crescido. Se um dia os livros deixarem de existir, os escritores continuarão existindo.
Todo tipo de mensagem, seja ela em formato texto, áudio ou vídeo, acaba tendo um escritor por trás. Quando o Jô fala em seu programa, ele não fala tudo de si, mas fala o que sua equipe escreve. Quando o âncora do telejornal fala, ele lê o que outro escreveu. A novela nada mais é do que um romance escrito por alguém e levado à tela em capítulos diários.
Quando os roteiristas de Hollywood fazem greve, o Brad Pitt fica mudo. Quando a equipe de escritores de humor do David Letterman para, o David perde a graça. Todos eles dependem dos textos dessas mentes extraordinárias que trabalham nos bastidores.
Mas, infelizmente, ainda tem muito jovem talentoso olhando para o mercado com as lentes do passado. Jornalistas, em especial, sonham trabalhar numa daquelas redações da década de sessenta, sem perceber que tem cada vez menos gente lá.
Como palestrante, ganho dinheiro escrevendo, mas não vendendo livros, porque não são best-sellers. Meus livros eu escrevi para ganhar dinheiro como palestrante, e eles têm ajudado. Escrevo meu blog com a mesma intenção (exceto meus blogs e vídeos onde falo de minha fé). É por isso que não levo livros para vender em palestras, e nem insisto para o cliente comprar meus livros, porque quando vou fazer uma palestra o objetivo do livro já foi atingido, que é o de ajudar no fortalecimento de minha marca e gerar contratos.
Escrevo o tempo todo, e não apenas pensando em livros. Até as entrevistas eu procuro dar por escrito (ou gravo enquanto falo) para ter depois material para meu site ou para transformar em matéria da TV Barbante. Aliás, escrever traz também surpresas agradáveis, como saber que meus textos têm sido usados em várias provas de concursos públicos. Se você pretende prestar concurso, comece a ler meus textos...
Resumindo tudo, eu não seria o palestrante que sou se não fosse escritor, mas poderia ser palestrante assim mesmo. Portanto, qualquer palestrante que tenha alguma inclinação para as letras deve traçar sua estratégia de carreira com a seguinte pergunta em mente: como posso capitalizar em cima de meus textos? Na maioria das vezes a resposta não será "escrevendo um livro" ou vendendo seus textos, mas simplesmente ajudando as pessoas com a disseminação da informação que você tem para transmitir.
16/06/2009
Filmar o palestrante?
Primeiro é preciso que o palestrante entenda que vivemos um momento ímpar do acesso à tecnologia e não há como atuar hoje da mesma maneira como atuávamos há 20 anos. A tecnologia e o acesso a dispositivos de gravação e filmagem cada vez mais sofisticados vai continuar e hoje já posso ver pessoas na platéia com o braço erguido segurando um celular ou câmera para gravar minha palestra. Devo descer lá para confiscar o equipamento? Expulsá-las do recinto? Processá-las por uso indevido da imagem do palestrante? De jeito nenhum. Quando não puder lutar contra o inimigo tecnológico, junte-se a ele.
Há situações especiais quando o cliente pretende transmitir a palestra, ao vivo ou gravada, para diversas unidades da empresa no Brasil ou no mundo, o que pode de certa forma criar uma situação de perda de receita. Quando o palestrante faz uma palestra só que será reutilizada por todas as unidades, ele está deixando de ser contratado para as demais. Em casos assim pode até existir um acordo para acrescentar algum valor ao contrato, mas eu acho que isso também vai ficar tão usual quanto alguém filmar com o celular.
Algumas empresas têm suas unidades conectadas por vídeo como forma de integrar as equipes, e vai chegar uma hora quando o recinto onde você está em uma grande empresa não terminará mais nas quatro paredes. Então os palestrantes terão de se acostumar com a idéia de que na sala onde está fazendo sua apresentação o Big Brother está presente mandando sua imagem para outros lugares. É bom ir se acostumando ao olho de vidro que nos vê em todo lugar.
O que eu faço com relação a tudo isso? Primeiro, não me importo que filmem, mas você perceberá que não tenho material em DVD por exemplo para enviar para os clientes. Tenho vídeos caseiros e trechos de palestras na TV Barbante no Youtube que, como o nome diz, é amarrada com barbante, portanto quem assistir sabe que não está vendo uma gravação profissional. Isto ajuda a proteger minha apresentação.
Por que? Porque toda gravação em vídeo, por mais profissional que seja, jamais conseguirá transmitir o calor da presença pessoal, e um DVD enviado a um cliente pode até atrapalhar na contratação. Porém, se o cliente sabe que os únicos vídeos que poderá ver são as mambembes produções que coloco no Youtube, acabará pensando consigo mesmo, "Bem, acho que ao vivo ele deve ser melhor do que isso". Antes que me esqueça, já fechei vários negócios com empresas que me viram no Youtube ou receberam por email um link que algum amigo mandou.
Uma outra questão é se o palestrante deve ou não publicar trechos ou cenas de palestras no Youtube, porque suas melhores cenas podem ser também seus pulos do gato, que podem ser copiados por outros palestrantes ou atrapalharesm na contratação, já que o cliente não vai querer ver de novo o que já viu. Duas observações cabem aqui.
Primeiro, quem copiar a letra e a música do Roberto Carlos pode, no máximo, se apresentar como um cover dele, cobrando uma fração do artista original, mas nunca será o Roberto Carlos. Segundo, por uma interessante característica do comportamento humano, quem assiste uma palestra em vídeo no Youtube geralmente está pensando em algo como "isso aqui serve para o José" ou "a Maria precisava ouvir isso". Então essa pessoa acaba se tornando uma agente em potencial, que acabará "vendendo" a idéia de me contratar na empresa onde atua. E ainda que os quinhentos colaboradores da empresa assistam todos os vídeos, dificilmente aquilo será exatamente o que falarei no evento para o qual me contratarem.
As piadas podem até ser as mesmas, mas eles não estão me contratando como humorista, mas como palestrante.
31/05/2009
O palestrante e a saúde
Era a madrugada de um evento e nem preciso dizer que fui obrigado a cancelar minha palestra naquele dia, algo que só tinha acontecido uma vez no dia do falecimento de minha mãe. Felizmente a empresa era cliente há anos e entendeu perfeitamente.
A lição aprendida? Primeiro, o palestrante deve cuidar muito bem de sua saúde, porque além dele e das pessoas mais próximas, pode haver uma platéia de dezenas ou centenas de pessoas esperando por sua palestra. Eu sempre procurei tomar cuidado com a alimentação em hotéis e restaurantes, e principalmente em não sair do hotel na noite que antecede o evento para evitar qualquer eventualidade.
Acidentes e assaltos são apenas alguns dos sinistros aos quais o palestrante está sujeito se decidir passear à noite em uma cidade desconhecida. Sem falar de palestrantes novatos que nunca saíram de casa e decidem cair na farra na véspera do evento. Vi um palestrante assim aparecer no evento com mais de uma hora de atraso, de ressaca, com a barba por fazer e ainda acompanhado. O cliente ficou por conta.
Alimentos contaminados são grandes inimigos do palestrante e por mais que você adote precauções, se já está na estrada há alguns anos como eu certamente sabe o que é ter uma dor de barriga daquelas de matar bem na hora da palestra.
Em eventos in company (99% de meus eventos são in company) fica sempre mais fácil o palestrante administrar um problema assim pedindo para alterar a ordem das apresentações ou até combinando com outras pessoas de tomarem seu lugar por alguns minutos enquanto vai aliviar seu fardo. Afinal, a última coisa que você deseja é se borrar todo na frente de todo mundo, não é mesmo? Bem, se a sua palestra for maçante isso pode até acrescentar alguma emoção ao espetáculo.
Não chegou a acontecer comigo, mas em uma ocasião cheguei a combinar com o grupo de teatro, que se apresentaria depois de mim, para inventar alguma intervenção em minha palestra caso eu desse sinal de tsunami iminente. Felizmente consegui controlar durante a hora e meia da palestra, permanecendo quieto no palco e com os pés bem juntinhos.
No caso da pedra no rim eu não tinha muito o que fazer. Foi hospital mesmo, seguido de uma semana de molho até a dita cuja decidir sair. Por isso o palestrante deve ter um bom plano de saúde e se informar se poderá utilizá-lo em caso de emergência em qualquer lugar do país. Alguns planos permitem serviços adicionais, como internações e tratamentos mesmo longe de casa.
É importante o palestrante ter em sua bagagem algumas coisas básicas, como analgésicos, anti-térmicos e outros apetrechos que podem ser úteis em emergências. Em minha mala até protetor auricular eu carrego, mas é só para dormir em voos barulhentos. Antes que me pergunte, é inútil em caso de diarréia.
17/04/2009
Um palestrante que ensina outros palestrantes?
A verdade é que neste segmento sempre existe lugar para mais um, pois não depende apenas de conhecimento, mas de talento. E sempre há alguém mais talentoso do que eu para ensinar aquilo que eu mesmo não tive oportunidade de aprender. Talvez você seja alguém assim.
O estilo também é importante na atividade do palestrante, e isso funciona um pouco como na música. Você pode ter um milhão de amigos cantando músicas do Roberto Carlos, mas Rei só tem um. Alguém que tente fazer uma palestra exatamente com o conteúdo de uma palestra minha certamente não irá ser a mesma coisa. Poderá até sair-se melhor do que eu para outro evento, outro público e outro cliente, mas nem tanto para o meu público ou o segmento que eu atendo.
Por isso dou dicas, ensino e não me preocupo muito com essa neura de estar entregando o ouro ao bandido. Mas eu não seria sincero se fosse só esta a razão de ensinar palestrantes. É claro que existe outra, menos nobre. Quem você gostaria que fizesse aquela cirurgia em seu coração, um cardiologista ou um professor de cardiologia?
Agora, para não dizer que não ensinei nada aqui, anote esta dica:
Crie temas adequados às necessidades das empresas e dos clientes pensando também nas datas importantes. Por exemplo, "Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho", "Semana do Meio Ambiente", "Semana da Enfermagem", "Semana da Administração", "Semana de Contabilidade" e por aí vai. Gostou da dica? Então pode começar a trabalhar seus temas e providenciar para que sejam encontrados em seu site.
04/04/2009
Imprevistos, do palestrante ou do evento
Em uma palestra aberta ao público, quando viu que o número de pessoas presentes ao evento era pequeno, o promotor me segurou nos bastidores o máximo que pode esperando que mais gente chegasse. Com isso fiquei mais de uma hora preso no camarim e o público que efetivamente tinha chegado no horário ficou o mesmo tempo esperando. Adivinha quem eles pensavam que tinha se atrasado quando apareci no palco? O palestrante, evidentemente.
Em outro evento, um treinamento para profissionais liberais das 14 às 18 horas, o promotor me pegou no aeroporto insistindo que era seu costume levar o palestrante para almoçar em um ponto turístico da cidade, a uma distância considerável do local do evento. O restaurante atrasou o almoço, pegamos trânsito na volta e entrei na sala do treinamento correndo, suado, envergonhado e com as idéias em turbilhão. Cerca de 40 pessoas me esperavam há 30 minutos.
Em um evento com vários palestrantes, o palestrante que daria a primeira palestra da manhã simplesmente sumiu. Segundo o hotel, ele nem tinha dormido em seu quarto. Felizmente eu e outros palestrantes já estávamos ali e o cliente conseguiu alterar a grade de palestras do evento, o que de certa forma desapontou muitos participantes que vinham apenas para ver uma ou outra palestra de seu interesse e não encontraram o que queriam no horário planejado. Eu mesmo, que faria minha palestra à tarde, acabei fazendo de manhã, antes do almoço.
O palestrante sumido só foi aparecer na hora do almoço, com a roupa toda amassada, a barba por fazer, acompanhado de uma "amiga" que trouxe da noite. Nem preciso dizer que seu nome foi riscado da agenda do cliente. Fica aí o alerta para quem gosta de conhecer a noite de uma cidade estranha na véspera de uma palestra. Não digo que você irá agir de forma irresponsável como esse palestrante, mas sempre existe o risco de um assalto, um acidente ou uma comida diferente fazer mal bem na hora de sua palestra no dia seguinte.
Portanto, procure ao máximo minimizar os riscos e administrar seu tempo e também o das pessoas que acabarão interferindo no seu. Não aceite informações sem verificar. Eu mesmo caí numa armadilha quando acordei cedo no hotel onde seria um treinamento, desci à sala para preparar meu material e equipamento, e a encontrei fechada. Pedi informações na recepção e avisaram que a empresa tinha solicitado a sala a partir das 9 horas da manhã, ao contrário da informação que eu tinha, que era de iniciar às 8 horas. Como ainda eram 7 horas, voltei ao quarto. Retornei à sala cinco minutos após as 8 horas, só para encontrar todos os participantes presentes e me aguardando.
Até hoje só precisei cancelar uma presença em evento, apesar de muitas chegadas em cima da hora por culpa de vôos que atrasaram ou de situações como as que mencionei no início. A única vez em que precisei ligar para o cliente e suspender um treinamento que seria no dia seguinte foi quando minha mãe estava prestes a morrer vítima de câncer. Quando percebi que sua hora se aproximava, liguei para o cliente que entendeu perfeitamente a situação e conseguiu renegociar com o hotel e o buffet uma nova data. No dia seguinte, no horário do evento cancelado, eu estava ao lado de minha mãe quando ela deu o seu último suspiro.
14/03/2009
Apresentacoes em palestras
Minhas apresentações são basicamente slides com frases ou textos interessantes que servirão de base para o que vou falar. Palestrantes que colocam tudo o que falam na forma de textos nos slides podem mandar sua palestra por email para o público ao invés de tirá-los de casa para escutarem sua leitura monótona no auditório. Portanto, aprenda isso: a apresentação em Power Point não é o conteúdo de sua palestra, é apenas sua espinha dorsal, sua cola ou lembrete. Você não está ali para mostrar que sabe ler, mas para apresentar ideias que pareçam tiradas na hora do forno do cérebro, não textos copiados.
As imagens que uso são de minha autoria. Fui cartunista nos tempos de faculdade, portanto é fácil para mim criar bonecos que ilustrem a ideia principal de cada slide da palestra. Os personagens que desenho também ajudam a despertar interesse e criam uma uniformidade visual, já que todos têm o mesmo estilo. Se você decidir usar desenhos e fotos de bancos de imagens, veja se não precisa comprá-las antes. Não vá falar de ética nos negócios pirateando o trabalho de outros sem autorização.
Alguns palestrantes morrem de medo que sua apresentação em Power Point caia nas mãos do contratante ou do público. Levam seu próprio notebook ou exigem que o cliente apague a cópia usada durante a palestra, como se aquela coleção de slides com frases do Einstein e da Madre Teresa, enfeitadas com clip art do Windows, contivessem a fórmula da bomba atômica.
Eu não me importo nem um pouco que copiem minhas apresentações, porque não dá para fazer muita coisa sem o o palestrante que as criou. Além disso, minhas ilustrações têm um estilo tão peculiar que se outro palestrante tentar usá-las acabará fazendo propaganda minha. Portanto, não fique estressado se a sua apresentação "vazar" e for parar na Internet. Eu já vendi palestras justamente por isso.
06/03/2009
Críticas ao palestrante ou à palestra
Sim, o palestrante pode estar equivocado quanto ao público que deseja atingir e isso pode levá-lo ao desastre. Públicos diferentes têm expectativas diferentes, e se você não atendê-las irá causar frustração. É como você sair de casa para ouvir o Zeca Pagodinho e descobrir que naquela noite é uma orquestra sinfônica que toca. O contrário também gera frustração, principalmente se você for o único em roupa de gala numa roda de pagode.
Por isso é bom conversar antes do evento para descobrir o perfil do público e também quais são as expectativas da empresa que está contratando. Às vezes o fracasso se deve a uma falta de alinhamento entre os interesses da empresa contratante e do público. A empresa pode estar fazendo um evento para seus clientes e achar que seu público pode querer uma coisa e você acaba ficando dividido: se for pelo público, decepciona o anfitrião. Se for pelo anfitrião, decepciona o público.
O palestrante precisa ter um sexto sentido aí, um faro a mais para detectar possíveis causas de frustração e anulá-las de antemão. Mas nem sempre é possível conseguir isso.
É claro que há também as críticas que vêm dos críticos de carteirinha, aqueles que ficarão descontentes até se você distribuir automóveis para os presentes. Ele vai sair reclamando da cor.
Em meu vídeo "Não seja um banana qualquer", que já teve mais de 50 mil views, apareceram dois assim. Um deles deixou um comentário me chamando de "porco capitalista" e dizendo ter certeza de que "a platéia é formada pelos proletariados, sonhando um dia serem capitalistas ricos e bem sucedidos, e o palestrante já vem realizando o seu sonho (de) enganar e fazer os trabalhadores acreditarem que no capitalismo o sol brilha para todos; uma mentira".
Eu não escutava expressões como "porco capitalista" e "proletariado" desde a bancarrota da União Soviética. E depois tem gente que ainda não acredita na possibilidade de encontrar viajantes no tempo! Outro comentou que já viu mais de 200 apresentações de caras como eu que se deram mal na vida profissional e agora saem por aí encontrando platéias que pagam para ouvir bobagens. Ele deve saber do que fala, pois eu mesmo, tirando minhas próprias palestras, não acredito ter assistido 200 palestras de outros.
Mas é isso, acostume-se com críticas. Felizmente no meu trabalho elas têm sido exceção, mas mesmo assim preciso continuar me aprimorando para não deixar a peteca cair. Palestrante parado é palestrante morto. Ah, talvez você queira saber o que respondi ao que viu 200 palestrantes:
"Tem razão, muitos palestrantes sofreram reveses na vida profissional. Esses têm uma experiência valiosa para quem também sofre os mesmos reveses e precisa se recolocar no mercado, pois afinal ser palestrante também é uma opção profissional. Se você for executivo de uma grande empresa, e for dispensado por causa da crise, irá entender melhor esses 200 palestrantes que disse ter visto".
16/01/2009
Técnicas para falar em público
Por que é tão importante saber falar em público e por que há tantas pessoas que têm tanta dificuldade para fazê-lo?
Palestrante - A comunicação sempre foi importante, pois sem ela não teríamos a civilização que temos hoje. Um dos grandes diferenciais da raça humana é sua capacidade de se comunicar, de articular seus pensamentos, de transmitir idéias de forma ordenada. Cada vez mais somos solicitados a falar em público, seja em uma festa familiar, em uma reunião no trabalho ou em um evento qualquer. Qualquer pessoa deveria dominar essa técnica.
Obviamente ninguém precisa ser um palestrante profissional para falar em público, e nem a audiência espera isso da pessoa. Quanto maior sua capacidade na profissão ou atividade que você exerce, maior o desconto que sua audiência dará para possíveis falhas em seu modo de falar. Portanto, se você tem coisas importantes para dizer, vá em frente e diga, sem se torturar com a possibilidade de não ser 100% em sua capacidade de oratória. Quando você põe isso em mente deixa de fazer aquela cobrança excessiva de si mesmo na hora de falar, e reduz o estresse. Em suma, sua oratória até melhora quando você não se estressa por causa de sua oratória.
A dificuldade da maioria das pessoas está no medo, mas ele não deve ser eliminado e sim administrado e transformado em aliado. Quem fala deve aprender a transformar a adrenalina, liberada pelo medo, em energia e vigor para a comunicação. Os atletas se superam quando existe pressão, e não é diferente na atividade de falar em público.
Uma boa técnica para se eliminar o medo é não começar logo com o assunto, mas começar falando de si mesmo, de sua família, de seu time de futebol e outras amenidades. Essa técnica reduz a tensão do orador e também permite que o público o enxergue como um ser humano e passe a relevar suas falhas.
Além disso, se você começar falando daquilo que você está acostumado a falar, daquilo que é capaz de falar até dormindo, irá evitar aquele branco na memória que é o pavor de qualquer um na hora de falar em público. Tudo fica mais fácil quando você começa falando de um assunto corriqueiro. Depois desse aquecimento fica fácil fazer a transição para o assunto da palestra.
Suas características naturais também podem servir como uma moldura para o seu discurso. Se você tem um perfil bem-humorado e costuma contar piadas para os amigos, pode usar essa característica, mas nem tente ser engraçado em público se não for esse o seu modo de agir naturalmente quando está entre amigos.
Como uma pessoa extremamente tímida, que precisa se apresentar para garantir um emprego, por exemplo, pode superar seus medos e se sentir mais confiante?
Palestrante - O que mais atrapalha é o medo de se expor, de achar que as pessoas estão reparando naquele fio de cabelo fora do lugar, no gaguejar ou nas mãos trêmulas. Quem fala tem uma percepção muito maior desses detalhes do que sua audiência, que está prestando atenção na mensagem. A mensagem, esta sim, é o recheio de uma apresentação e deve ser interessante o suficiente para atrair e cativar a audiência.
Se a preocupação é com as falhas, o melhor mesmo é que o seu público fique sabendo delas logo de início. Se você falar de seus defeitos, seu público não terá a chance de descobri-los, portanto é você quem está no controle. Vale a pena assistir o filme "8-Mile A Rua das Ilusões" para ver como o cantor supera seus medos ao se abrir diante do seu público. Quando não temos mais nada para esconder, perdemos aquele medo de que as pessoas percebam que exista alguma coisa de errado conosco.
Quais são as principais técnicas e dicas para uma boa apresentação em público?
Palestrante - Analisar bem o público, a ocasião, os objetivos. Quem fala em público está ali como quem vai vender um produto, que são suas idéias. Isso deve ser feito da maneira que gerar uma maior satisfação para os ouvintes.
Você pode também treinar diante de um espelho, para analisar postura, expressões, timbre de voz, articulação das palavras. Se puder gravar ou filmar a si mesmo, o que hoje dá para fazer até com um celular, você poderá analisar o resultado, fazer correções e pedir críticas e sugestões a algum amigo. Nos meus treinamentos de comunicação verbal eu costumo pedir aos participantes que venham à frente para falar sobre algo enquanto são filmados e depois analisamos juntos os resultados.
Há diversas dicas práticas que a pessoa que fala em público pode conseguir com a ajuda de um profissional ou lendo livros sobre o assunto. Uma é trabalhar a entonação da voz e aprender a fazer uso do silêncio para sublinhar suas palavras. Outra é decidir se deve falar de improviso, usar anotações ou slides, ou ainda ler um texto corrido. Cada forma tem vantagens e desvantagens.
Se você decidir ler um texto, nunca faça isso segurando uma folha de papel na mão, pois ela fatalmente irá denunciar qualquer tremor e comprometer a segurança que a sua fala deveria transmitir. Aconselho o uso de pequenos cartões, que não revelam que as mãos estão tremendo.
Há fatores físicos que podem comprometer ou colaborar com o desempenho da pessoa?
Palestrante - Sim, tudo pode acontecer durante uma palestra. O uso de microfones e o manuseio das apresentações no computador são coisas que precisam ser treinadas de antemão, para não correr o risco de ter problemas de som ou perder minutos preciosos tentando entender o equipamento. Microfones podem se transformar em instrumentos de desastre, quando não são usados da forma correta.
As falhas técnicas acabam desviando a atenção do público, e o mesmo acontece com vícios de linguagem, como o uso excessivo de expressões como "ou seja", "sendo assim", ou então sons como "hããã", "né". Movimentos estranhos com o corpo, com os pés e com as mãos também são inimigos do orador por desviarem a atenção.
Quem fala em público deve se imaginar na tela de uma TV apresentando um telejornal. Isto implica manter o público atento à sua boca e expressões, e aos movimentos de suas mãos, que devem ser mantidas dentro dessa "tela" de TV imaginária. As mãos só devem enfatizar a fala quando mantidas acima da cintura para não desviar a atenção para muito longe do rosto do orador.
18/12/2008
Mais dicas para a carreira de palestrante
É essencial que tenha um bom site (menos é mais em termos de site, esqueça coisas mirabolantes) e talvez um blog para humanizar. Escrever artigos e distribuir por aí também é uma boa idéia. Participar de alguns eventos de cortesia, mas de grande visibilidade e com platéia de formadores de opinião também ajuda a ganhar projeção.
Escrever muito, ter livro publicado, ser visto, são essenciais nessa profissão. Você pode também se cadastrar em agências de palestrantes. Algumas têm conseguido boas oportunidades para mim, mas o que vende mesmo é meu site. Para saber a razão, digite "palestrante" no Google. Evidentemente isso muda o tempo todo, mas neste momento aparecem mais de 1,5 milhão de páginas e meu site na terceira colocação, atrás apenas de duas agências.
O título e tema de sua palestra precisa ser coerente com o tipo de público. Palestras motivacionais geralmente são mais solicitadas para enventos com o pessoal da produção ou de vendas no varejo. Falo daquelas palestras nas quais o palestrante dança, canta, conta piadas, espalha bexigas ou distribui dinheiro. Mesmo assim a demanda por esse tipo de palestra está em baixa hoje em dia. Hoje já não se vende palestrantes motivacionais (de fazer rir e chorar) como se vendia antigamente.
Mesmo assim, ainda que você vá ensinar física quântica em sua palestra, tem que ter o estilo de um professor de cursinho, bem divertido, ou terá uma atuação bastante limitada no grande circuito. Se for muito acadêmico, acabará dando palestras de graça para universidades, o que não é um bom negócio no longo prazo.
15/12/2008
Contratos para palestras e treinamentos
Na grande maioria dos serviços que presto, não é feito um contrato para palestras ou treinamentos, já que trabalho mais com empresas grandes. Minha proposta de palestra, workshop ou treinamento já traz as condições, e geralmente as grandes empresas não costumam pagar o palestrante antecipado ou pagar um sinal para reservar a data da palestra.
Nos outros casos o palestrante pode fazer um contrato, porque, ao contrário das grandes empresas, há casos em que o promotor do evento não tem a verba garantida. É muito comum ocorrer isso em eventos promovidos com venda de ingressos, no qual existe algum risco para o promotor de não conseguir cobrir todos os custos com suas vendas. Aí é melhor pedir um adiantamento a título de garantia da data e redigir um contrato.
Até hoje só deixei de receber de um cliente, e mesmo assim 70% do valor. Falhei em me garantir, já que se tratava de um diretório acadêmico de uma faculdade. Depois do evento creio que não apenas o cachê meu, mas o dos outros palestrantes acabaram sendo bebidos pelos estudantes em algum boteco.
O contrato de palestrante pode seguir um contrato normal de prestação de serviços. Alguns clientes às vezes estipulam uma multa para o caso do não comparecimento, por isso é bom ficar de olho para que a multa seja de porcentagem sobre o preço da palestra e não sobre o custo do evento, como já conteceu de um cliente solicitar. Como nunca sabemos quanto custará o evento (vai que o cliente contrata também um show da Madonna!) é bom você ficar de olho aberto.
Algumas informações que vão em minha proposta:
- Hospedagem: Por conta do cliente, quando necessário.
- Despesas de viagem: Por conta do cliente para eventos a mais de 150 km de São Paulo. Para viagens aéreas, dar preferência para partidas e chegadas no Aeroporto de Viracopos, Campinas, SP. A data e horário do evento podem exigir que a chegada e/ou partida seja(m) um dia antes e/ou após o evento.
- Forma de pagamento: Depósito, transferência bancária ou boleto.
- Organização do evento: Por conta do cliente, bem como a divulgação, segurança, serviços, pessoas e equipamentos contratados pelo cliente.
- Sala ou auditório compatível com o número de participantes.
- Equipamento de projeção (datashow ou projetor multimídia), para conectar ao notebook do palestrante e tela ou superfície de projeção.
- Microfone sem fio e amplificação para audiência com + de 40 pessoas.
- Contingência: Microfone reserva, lâmpada sobressalente p/ projetor, pilhas p/ microfones.
- Apenas para Treinamentos: Amplificação do som do notebook (cabo P2), Flip-Chart, marcadores, canetas e papel.
- Livros: o consultor é autor de 6 livros, porém não comercializa livros em eventos.
- Preferência: No caso de mais de uma solicitação na mesma data, a preferência é dada ao cliente que efetuar o depósito do adiantamento. O consultor se reserva o direito de não participar de eventos políticos ou promovidos por organizações religiosas, além de empresas do segmento de tabaco, armas e munições.
- Cancelamento: Se efetuado pelo cliente em prazo inferior a 30 dias da realização do evento, será cobrado 10% da remuneração total a título de ressarcimento dos custos de reserva e preparação da apresentação. No caso de cancelamento pelo consultor por motivo de força maior, os valores pagos serão devolvidos integralmente.
12/12/2008
Antes e depois da Palestra
Chegar cedo demais, porém, pode trazer alguns inconvenientes. Um deles, em eventos abertos onde o palestrante é tratado como uma espécie de "estrela", pode tirar o elemento surpresa. Outro inconveniente é chegar em um evento in company onde sua palestra é precedida de palestras e reuniões que tratam de assuntos estratégicos da empresa. Nem sempre a empresa deseja que alguém de fora saia de lá com informações sigilosas.
A chegada cedo demais e a participação de palestras prévias pode também atrapalhar o ânimo do próprio palestrante. Nem todos os que falam em um evento, principalmente em um evento interno, são profissionais, e há muitas palestras que agem como soníferos ou são tão carregadas de pessimismo que podem contaminar o palestrante mais otimista.
Onde você fica antes de sua palestra também pode ter influência em seu humor. Cada um se comporta de maneira diferente neste aspecto, mas eu prefiro não ficar em bastidores, que geralmente são salinhas abafadas e isoladas. Isso aumenta a tensão e a dúvida quanto ao que você irá encontrar quando surgir no palco. Prefiro arrumar um local num canto qualquer da platéia para já ir sentindo o clima.
Quando sua palestra termina, você pode ser convidado a ficar ou não para o restante do evento. O convite pode ser apenas uma formalidade, se for o caso de um evento in company, por exemplo, em um hotel fazenda em clima de descontração. É importante perceber que nesses encontros entre os funcionários da empresa, você será a única pessoa que não terá qualquer coisa em comum com aquelas pessoas. Elas têm uma linguagem própria, suas piadas, suas gozações, e a presença do palestrante pode ser um inibidor.
Além disso, o gerente ou diretor que fez as honras da casa pode estar mais interessado em tomar umas e outras com seus colegas do que continuar de cicerone de um palestrante com quem está se encontrando pela primeira vez e talvez nunca mais. Ele pode se sentir constrangido e você acabar sendo o fardo que ele terá de carregar. Lembre-se de que você é o único ali que não faz parte da família.
Eu sei que existe o argumento de conhecer pessoas, criar relacionamentos e até gerar contatos para outros trabalhos, mas isso funciona melhor quando se trata de um evento aberto, público, no qual as pessoas não têm o vínculo do trabalho. Aí sim pode ser uma boa oportunidade de você conversar, conhecer pessoas e trocar cartões.
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