Já falei aqui de como um livro ajuda na imagem do palestrante. O livro faz o palestrante subir de status, já que escrever um livro é o sonho de todos nós. Mesmo assim, escritores são raros porque as pessoas preferem gerar filhos, que é considerado lazer, a plantar árvores e escrever livros, que exigem trabalho.
Se você é um palestrante que conseguiu escrever seu livro, já deve estar se sentindo esgotado depois da milésima porta que levou na cara das editoras que consultou. A solução é partir para a auto-publicação. A menos que você tenha uma centena ou mais de compradores certos, tipo família grande e todo mundo devendo favores, não invista seu dinheiro na impressão de seu livro.
A razão é simples: seu carro vai passar o resto da vida ao relento, porque a garagem vai ficar cheia de livros encalhados. O segredo do mercado de livros não está em imprimir, mas em distribuir. A menos que você consiga colocar seu livro no esquema editora-distribuidora-livraria, é melhor mandar imprimir só um exemplar e vender daqui a mil anos como livro raro.
Ou então usar os serviços de impressão sob demanda ou on demand para publicar sem gastar. Aliás, esta é a verdadeira essência do “publicar”, que é tornar público sem necessariamente “imprimir”. O livro fica disponível na Internet e só é impresso quando alguém compra. Os serviços que conheço são Lulu.com (EUA), CreateSpace.com (Amazon EUA), Clube de Autores (Brasil) e Bubok (Portugal).
O seu custo será zero, se você não precisou gastar com ghost-writer, revisor de texto e designer de miolo e capa. Mas seria uma boa idéia gastar nisso tudo se você não tiver talento para escrever, seu texto ser recusado pelo corretor ortográfico do Word, ou decidir usar a pintura a dedo de seu filhinho como capa.
Dicas do palestrante Mario Persona para palestras, palestrantes, mestres de cerimônia, comediantes, oradores, conferencistas, professores, advogados, políticos, estudantes, apresentadores, líderes, repórteres, jornalistas, formadores de opinião...
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11/08/2009
Palestrante e escritor
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27/07/2009
O palestrante e a parceria
Dependendo do estágio de sua carreira pode ser interessante o palestrante fazer parcerias, totais ou parciais. Evidentemente isso vai depender muito dos interesses do palestrante, do público e do valor agregado. Para o palestrante, fazer parceria simplesmente por fazer pode significar prejuízo se o público não for de formadores de opinião ou mesmo de possíveis clientes.
No início da carreira todas as parcerias podem ser interessantes, já que você precisa ficar conhecido de algum modo e também afinar seus instrumentos. A parceria significa risco, e o palestrante estará dividindo o risco com o promotor do evento. Mas pode chegar um dia em que o palestrante está com uma agenda bastante concorrida e uma parceria pode significar o bloqueamento de uma data que poderia ser vendida a um cliente pagante.
Há promotores de eventos que propõem parcerias como forma do palestrante vender seus livros no evento. É sempre bom fazer as contas antes de partir para uma parceria assim pensando que vai lucrar. A venda de livros em palestras é muito pequena, a menos que você seja um grande escritor ou tenha descoberto a cura para o câncer. Menos de 10% dos participantes do evento comprarão seus livros.
Para você ter uma idéia, se hoje eu entrasse numa parceria preocupado apenas com a receita obtida com a venda dos livros, considerando que o autor recebe da editora em média 10% do preço de capa, eu precisaria vender pelo menos 3 mil livros para receber um valor que compensasse participar do evento sem ganhar nada mais além dos royalties pela venda dos livros.
Como não sou um escritor de best sellers, eu me classificaria como os que vendem para apenas 10% do público presente, portanto seria preciso o promotor do evento colocar ali 30 mil pessoas, para o que ele iria precisar, não de um auditório, mas de um estádio! Mas, pensando bem, se o promotor realmente colocasse 30 mil potenciais clientes para assistirem minha palestra eu nem pensaria em ganhar com os livros...
No início da carreira todas as parcerias podem ser interessantes, já que você precisa ficar conhecido de algum modo e também afinar seus instrumentos. A parceria significa risco, e o palestrante estará dividindo o risco com o promotor do evento. Mas pode chegar um dia em que o palestrante está com uma agenda bastante concorrida e uma parceria pode significar o bloqueamento de uma data que poderia ser vendida a um cliente pagante.
Há promotores de eventos que propõem parcerias como forma do palestrante vender seus livros no evento. É sempre bom fazer as contas antes de partir para uma parceria assim pensando que vai lucrar. A venda de livros em palestras é muito pequena, a menos que você seja um grande escritor ou tenha descoberto a cura para o câncer. Menos de 10% dos participantes do evento comprarão seus livros.
Para você ter uma idéia, se hoje eu entrasse numa parceria preocupado apenas com a receita obtida com a venda dos livros, considerando que o autor recebe da editora em média 10% do preço de capa, eu precisaria vender pelo menos 3 mil livros para receber um valor que compensasse participar do evento sem ganhar nada mais além dos royalties pela venda dos livros.
Como não sou um escritor de best sellers, eu me classificaria como os que vendem para apenas 10% do público presente, portanto seria preciso o promotor do evento colocar ali 30 mil pessoas, para o que ele iria precisar, não de um auditório, mas de um estádio! Mas, pensando bem, se o promotor realmente colocasse 30 mil potenciais clientes para assistirem minha palestra eu nem pensaria em ganhar com os livros...
24/07/2009
Palestrante que não faz só palestras
Quando iniciei no segmento de palestras eu já era palestrante na empresa da qual era diretor. Na época minhas palestras tinham por objetivo promover nossos serviços e eu atuava como palestrante em grandes eventos públicos, ou em eventos que nós mesmos promovíamos nas principais capitais convidando clientes em potencial. Nestes eventos eu entrava como palestrante conceitual e um colega era o palestrante técnico.
Por ser diretor de comunicação e marketing da empresa eu tinha um bom relacionamento com a imprensa e escrevia colunas para alguns jornais. Tudo isso ajudou a promover meu nome e ficou muito mais fácil depois quando me lancei como palestrante. Mesmo assim o começo da carreira de palestrante não foi fácil, mas essa exposição prévia de alguns anos ajudou para que eu não fosse visto como um palestrante desconhecido.
As empresas contratam o palestrante mais pelo que ele aparece na mídia do que pelo que ele efetivamente conhece. É por isso que você encontra grandes palestrantes que não têm grande bagagem, e grandes bagagens que não conseguem se tornar grandes palestrantes por não terem uma boa exposição. Trocando em miúdos, é mais provável que um ator de novela se torne um grande palestrante do que um professor de física quântica.
Deixar um emprego fixo para se lançar neste mercado é possível, desde que você tenha uma reserva para se manter por um bom tempo. Como em qualquer negócio, geralmente a roda não começa a girar em menos de um ano. Se você não for conhecido na mídia, isso vai levar muito mais tempo.
Hoje a Internet ajuda muito, mas você precisa ter a certeza de que está realmente sendo visto e, principalmente, mencionado em sites e blogs alheios. O que os outros falam do palestrante é muito mais importante do que aquilo que o palestrante fala de si mesmo.
Se você tem um emprego fixo e pretende se ingressar no segmento de palestras, o melhor mesmo é tentar levar as duas atividades paralelamente enquanto puder, e só pular para o barco exclusivo das palestras quando este estiver mais abastecido do que o do emprego fixo. São poucos os palestrantes no Brasil que vivem apenas de palestras. A maioria dos palestrantes atua em consultoria, ensino e outras atividades.
Durante alguns anos eu mesmo dividi meu tempo de palestrante com o trabalho de professor universitário e de MBA, além de consultor e tradutor. Hoje, em função do número de palestras e treinamentos em minha agenda, deixei de lecionar e de atender novos clientes de consultoria. Mantenho apenas um relacionamento com editoras traduzindo livros acadêmicos, pois isto me ajuda a estar sempre atualizado.
Por ser diretor de comunicação e marketing da empresa eu tinha um bom relacionamento com a imprensa e escrevia colunas para alguns jornais. Tudo isso ajudou a promover meu nome e ficou muito mais fácil depois quando me lancei como palestrante. Mesmo assim o começo da carreira de palestrante não foi fácil, mas essa exposição prévia de alguns anos ajudou para que eu não fosse visto como um palestrante desconhecido.
As empresas contratam o palestrante mais pelo que ele aparece na mídia do que pelo que ele efetivamente conhece. É por isso que você encontra grandes palestrantes que não têm grande bagagem, e grandes bagagens que não conseguem se tornar grandes palestrantes por não terem uma boa exposição. Trocando em miúdos, é mais provável que um ator de novela se torne um grande palestrante do que um professor de física quântica.
Deixar um emprego fixo para se lançar neste mercado é possível, desde que você tenha uma reserva para se manter por um bom tempo. Como em qualquer negócio, geralmente a roda não começa a girar em menos de um ano. Se você não for conhecido na mídia, isso vai levar muito mais tempo.
Hoje a Internet ajuda muito, mas você precisa ter a certeza de que está realmente sendo visto e, principalmente, mencionado em sites e blogs alheios. O que os outros falam do palestrante é muito mais importante do que aquilo que o palestrante fala de si mesmo.
Se você tem um emprego fixo e pretende se ingressar no segmento de palestras, o melhor mesmo é tentar levar as duas atividades paralelamente enquanto puder, e só pular para o barco exclusivo das palestras quando este estiver mais abastecido do que o do emprego fixo. São poucos os palestrantes no Brasil que vivem apenas de palestras. A maioria dos palestrantes atua em consultoria, ensino e outras atividades.
Durante alguns anos eu mesmo dividi meu tempo de palestrante com o trabalho de professor universitário e de MBA, além de consultor e tradutor. Hoje, em função do número de palestras e treinamentos em minha agenda, deixei de lecionar e de atender novos clientes de consultoria. Mantenho apenas um relacionamento com editoras traduzindo livros acadêmicos, pois isto me ajuda a estar sempre atualizado.
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10/07/2009
Palestrante precavido vale por dois
Um palestrante precavido vale por dois, mas não espere receber dois cachês por isso. Se você não quer ter surpresas em seu trabalho de palestrante, é bom prever todos os problemas que podem surgir antes, durante e depois de uma palestra.
Comece revisando o tema que vai apresentar e dando uma última ligada para seu contato no cliente para os detalhes finais. Esse contato do palestrante com o cliente poucos dias antes é importante por várias razões. Se a sua agenda de palestrante for parecida com a minha, pode acontecer de você ter vários eventos seguidos e acabar misturando na memória o que conversou com cada cliente. Isso poderá confundi-lo.
Além disso pode acontecer do cliente ter decidido alterar alguma coisa no tema da palestra ou e ter se esquecido de avisar o palestrante. Já aconteceu comigo. Enviei uma proposta com temas "A" e "B" e o cliente decidiu fechar com o tema "A". Por alguma razão deixei de fazer o que estou sugerindo aqui e não liguei na véspera para afinar os instrumentos.
Quando cheguei ao local peguei o programa do evento e lá estava o meu nome e o tema "B" ao invés do "A". Imediatamente corri para um canto do auditório, abri meu notebook e montei rapidamente os slides do tema "B" dentro da realidade do cliente antes que chegasse minha vez de ir à frente.
Para isso é importante que o palestrante seja um Dom Quixote e seu notebook o Sancho Pança - inseparáveis. É comum o palestrante ir preparado para falar 2 horas e descobrir que os palestrantes anteriores tomaram mais tempo do que o combinado e sobrar meia hora para a palestra. Nessa hora o jeito é abrir o notebook e eliminar alguns slides para adequar o tema ao tempo disponível para o palestrante.
Levar a palestra em mídias alternativas também é uma boa precaução que o palestrante deve adotar. Notebook, CD, pendrive e até colocá-la em uma área Web é aumentar a segurança, caso roubem seu notebook, o CD dê erro, e o pendrive caia na privada. Se você já derrubou um celular na privada sabe que pode acontecer também o pendrive. Participei de um evento no qual um palestrante trouxe sua apresentação apenas em pendrive incompatível com o computador que havia no palco. Precisei emprestar a ele meu notebook, que foi capaz de ler o arquivo, para ele poder continuar.
Não custa também ter seu próprio controle remoto, porque não há nada mais chato do que ficar pedindo para alguém trocar os slides. Pode apostar, o cara vai dormir ou alguém vai contar quantas vezes você disse "O seguinte", "Não, o anterior", "Volte um" etc. Eu tenho dois controles remotos porque uma vez achei que tinha esquecido o meu em um evento e comprei outro. Achei o primeiro algum tempo depois em uma mala.
Comece revisando o tema que vai apresentar e dando uma última ligada para seu contato no cliente para os detalhes finais. Esse contato do palestrante com o cliente poucos dias antes é importante por várias razões. Se a sua agenda de palestrante for parecida com a minha, pode acontecer de você ter vários eventos seguidos e acabar misturando na memória o que conversou com cada cliente. Isso poderá confundi-lo.
Além disso pode acontecer do cliente ter decidido alterar alguma coisa no tema da palestra ou e ter se esquecido de avisar o palestrante. Já aconteceu comigo. Enviei uma proposta com temas "A" e "B" e o cliente decidiu fechar com o tema "A". Por alguma razão deixei de fazer o que estou sugerindo aqui e não liguei na véspera para afinar os instrumentos.
Quando cheguei ao local peguei o programa do evento e lá estava o meu nome e o tema "B" ao invés do "A". Imediatamente corri para um canto do auditório, abri meu notebook e montei rapidamente os slides do tema "B" dentro da realidade do cliente antes que chegasse minha vez de ir à frente.
Para isso é importante que o palestrante seja um Dom Quixote e seu notebook o Sancho Pança - inseparáveis. É comum o palestrante ir preparado para falar 2 horas e descobrir que os palestrantes anteriores tomaram mais tempo do que o combinado e sobrar meia hora para a palestra. Nessa hora o jeito é abrir o notebook e eliminar alguns slides para adequar o tema ao tempo disponível para o palestrante.
Levar a palestra em mídias alternativas também é uma boa precaução que o palestrante deve adotar. Notebook, CD, pendrive e até colocá-la em uma área Web é aumentar a segurança, caso roubem seu notebook, o CD dê erro, e o pendrive caia na privada. Se você já derrubou um celular na privada sabe que pode acontecer também o pendrive. Participei de um evento no qual um palestrante trouxe sua apresentação apenas em pendrive incompatível com o computador que havia no palco. Precisei emprestar a ele meu notebook, que foi capaz de ler o arquivo, para ele poder continuar.
Não custa também ter seu próprio controle remoto, porque não há nada mais chato do que ficar pedindo para alguém trocar os slides. Pode apostar, o cara vai dormir ou alguém vai contar quantas vezes você disse "O seguinte", "Não, o anterior", "Volte um" etc. Eu tenho dois controles remotos porque uma vez achei que tinha esquecido o meu em um evento e comprei outro. Achei o primeiro algum tempo depois em uma mala.
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25/06/2009
O escritorio do palestrante
Responda rápido: se você fosse um gerente de recursos humanos de uma multinacional, acaso pegaria seu carro e iria ao endereço de um palestrante para contratá-lo para uma palestra? De jeito nenhum. Mais raro do que um cliente ir ao escritório de um consultor é ele ir ao endereço do palestrante.
Portanto, a menos que você viva há 40 anos, quando uma linha com a frase "Sede Própria" em seu cartão podia significar alguma coisa, não se preocupe em ter um escritório se pretender ser palestrante. Escritório significa custo de aluguel, instalações, funcionários... O palestrante vende conhecimento, não produtos tangíveis, portanto você não vai precisar de almoxarifado de temas ou depósito de palestras.
Se você for o Tarzan, morar numa árvore e já tiver trocado sua operadora de tambor por uma de celular, então está equipado para ser palestrante, o que diz respeito ao escritório. Agora é só manter a Chita calada quando alguém ligar, para a pessoa do outro lado da linha não pensar que você é o Tarzan, mora numa árvore e vive com a Chita.
O palestrante precisa mesmo é de uma presença na Web na forma de site, blog, comunidades virtuais, redes sociais etc. e o indispensável email. O atendimento você mesmo pode fazer no início, quando não terá tantas solicitações de palestras, mas depois pode contratar um atendimento terceirizado para ter um "número comercial". Esse atendimento pode eventualmente receber ligações com pedidos de palestras, embora uma boa presença na Web será responsável por 90% dos primeiros contatos.
Seu atendimento terceirizado pode ser contratado por um valor fixo mensal, fixo mais porcentagem ou como achar melhor. Ele poderá fazer o follow-up, ligando para saber se o cliente recebeu a proposta, por exemplo, algo absolutamente necessário considerando que muitas empresas têm bloqueios para determinados provedores de emails ou até mesmo para anexos, como provavelmente será sua proposta. Se for o caso, seu atendimento poderá reenviar a proposta ou você poderá colocá-la para download em uma área de seu site, caso a rede do cliente tenha bloqueio contra anexos. Seu atendimento poderá também cuidar de sua agenda.
Uma alternativa a um atendimento é você ter um bom relacionamento com agências de palestrantes, as quais tentarão vender você. Por razões óbvias, as agências só farão isso se você já tiver algum nome, caso contrário não irão querer arriscar perder negócio quando possuem tantos outros nomes em seu cardápio. Logo você descobrirá que palestrante é como Tostines: é mais fresquinho porque vende mais e vende mais porque é mais fresquinho. Você entendeu que o "fresquinho" aqui é apenas modo de dizer, não é mesmo?
Nas viagens o palestrante leva o escritório junto em seu notebook e, considerando que hoje qualquer hotel que não seja o que o Tarzan frequenta tem Internet Wi-Fi, o mesmo acontecendo com aeroportos, seu escritório ficará fechado só na hora dos pousos e decolagens, já que durante o voo você as duzentas as duzentas propostas solicitadas enquanto estava na sala de embarque. Você entendeu que "duzentas" aqui é apenas modo de dizer, não é mesmo?
Portanto, a menos que você viva há 40 anos, quando uma linha com a frase "Sede Própria" em seu cartão podia significar alguma coisa, não se preocupe em ter um escritório se pretender ser palestrante. Escritório significa custo de aluguel, instalações, funcionários... O palestrante vende conhecimento, não produtos tangíveis, portanto você não vai precisar de almoxarifado de temas ou depósito de palestras.
Se você for o Tarzan, morar numa árvore e já tiver trocado sua operadora de tambor por uma de celular, então está equipado para ser palestrante, o que diz respeito ao escritório. Agora é só manter a Chita calada quando alguém ligar, para a pessoa do outro lado da linha não pensar que você é o Tarzan, mora numa árvore e vive com a Chita.
O palestrante precisa mesmo é de uma presença na Web na forma de site, blog, comunidades virtuais, redes sociais etc. e o indispensável email. O atendimento você mesmo pode fazer no início, quando não terá tantas solicitações de palestras, mas depois pode contratar um atendimento terceirizado para ter um "número comercial". Esse atendimento pode eventualmente receber ligações com pedidos de palestras, embora uma boa presença na Web será responsável por 90% dos primeiros contatos.
Seu atendimento terceirizado pode ser contratado por um valor fixo mensal, fixo mais porcentagem ou como achar melhor. Ele poderá fazer o follow-up, ligando para saber se o cliente recebeu a proposta, por exemplo, algo absolutamente necessário considerando que muitas empresas têm bloqueios para determinados provedores de emails ou até mesmo para anexos, como provavelmente será sua proposta. Se for o caso, seu atendimento poderá reenviar a proposta ou você poderá colocá-la para download em uma área de seu site, caso a rede do cliente tenha bloqueio contra anexos. Seu atendimento poderá também cuidar de sua agenda.
Uma alternativa a um atendimento é você ter um bom relacionamento com agências de palestrantes, as quais tentarão vender você. Por razões óbvias, as agências só farão isso se você já tiver algum nome, caso contrário não irão querer arriscar perder negócio quando possuem tantos outros nomes em seu cardápio. Logo você descobrirá que palestrante é como Tostines: é mais fresquinho porque vende mais e vende mais porque é mais fresquinho. Você entendeu que o "fresquinho" aqui é apenas modo de dizer, não é mesmo?
Nas viagens o palestrante leva o escritório junto em seu notebook e, considerando que hoje qualquer hotel que não seja o que o Tarzan frequenta tem Internet Wi-Fi, o mesmo acontecendo com aeroportos, seu escritório ficará fechado só na hora dos pousos e decolagens, já que durante o voo você as duzentas as duzentas propostas solicitadas enquanto estava na sala de embarque. Você entendeu que "duzentas" aqui é apenas modo de dizer, não é mesmo?
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20/06/2009
Palestrante escritor
Você não precisa ser escritor para ser palestrante, e nem todo escritor é palestrante. Portanto, se você deseja ser palestrante, mas não sabe escrever o suficiente para ter um livro, não se preocupe com isso. Ninguém é menos palestrante por não ser escritor.
Mas o livro é importante para a carreira do palestrante, pois além de criar uma aura de alguém erudito, permite que suas idéias permaneçam mesmo quando ele para de falar. Se você for um palestrante com pouca habilidade para escrever, contrate um ghost writer para colocar suas idéias no papel.
Geralmente quando o palestrante pensa em em escrever, pensa em livros, mas essa é uma visão limitada. Se por um lado o interesse por livros tem caído nos últimos anos com a competição das novas mídias, a atividade de escrever só tem crescido. Se um dia os livros deixarem de existir, os escritores continuarão existindo.
Todo tipo de mensagem, seja ela em formato texto, áudio ou vídeo, acaba tendo um escritor por trás. Quando o Jô fala em seu programa, ele não fala tudo de si, mas fala o que sua equipe escreve. Quando o âncora do telejornal fala, ele lê o que outro escreveu. A novela nada mais é do que um romance escrito por alguém e levado à tela em capítulos diários.
Quando os roteiristas de Hollywood fazem greve, o Brad Pitt fica mudo. Quando a equipe de escritores de humor do David Letterman para, o David perde a graça. Todos eles dependem dos textos dessas mentes extraordinárias que trabalham nos bastidores.
Mas, infelizmente, ainda tem muito jovem talentoso olhando para o mercado com as lentes do passado. Jornalistas, em especial, sonham trabalhar numa daquelas redações da década de sessenta, sem perceber que tem cada vez menos gente lá.
Como palestrante, ganho dinheiro escrevendo, mas não vendendo livros, porque não são best-sellers. Meus livros eu escrevi para ganhar dinheiro como palestrante, e eles têm ajudado. Escrevo meu blog com a mesma intenção (exceto meus blogs e vídeos onde falo de minha fé). É por isso que não levo livros para vender em palestras, e nem insisto para o cliente comprar meus livros, porque quando vou fazer uma palestra o objetivo do livro já foi atingido, que é o de ajudar no fortalecimento de minha marca e gerar contratos.
Escrevo o tempo todo, e não apenas pensando em livros. Até as entrevistas eu procuro dar por escrito (ou gravo enquanto falo) para ter depois material para meu site ou para transformar em matéria da TV Barbante. Aliás, escrever traz também surpresas agradáveis, como saber que meus textos têm sido usados em várias provas de concursos públicos. Se você pretende prestar concurso, comece a ler meus textos...
Resumindo tudo, eu não seria o palestrante que sou se não fosse escritor, mas poderia ser palestrante assim mesmo. Portanto, qualquer palestrante que tenha alguma inclinação para as letras deve traçar sua estratégia de carreira com a seguinte pergunta em mente: como posso capitalizar em cima de meus textos? Na maioria das vezes a resposta não será "escrevendo um livro" ou vendendo seus textos, mas simplesmente ajudando as pessoas com a disseminação da informação que você tem para transmitir.
Mas o livro é importante para a carreira do palestrante, pois além de criar uma aura de alguém erudito, permite que suas idéias permaneçam mesmo quando ele para de falar. Se você for um palestrante com pouca habilidade para escrever, contrate um ghost writer para colocar suas idéias no papel.
Geralmente quando o palestrante pensa em em escrever, pensa em livros, mas essa é uma visão limitada. Se por um lado o interesse por livros tem caído nos últimos anos com a competição das novas mídias, a atividade de escrever só tem crescido. Se um dia os livros deixarem de existir, os escritores continuarão existindo.
Todo tipo de mensagem, seja ela em formato texto, áudio ou vídeo, acaba tendo um escritor por trás. Quando o Jô fala em seu programa, ele não fala tudo de si, mas fala o que sua equipe escreve. Quando o âncora do telejornal fala, ele lê o que outro escreveu. A novela nada mais é do que um romance escrito por alguém e levado à tela em capítulos diários.
Quando os roteiristas de Hollywood fazem greve, o Brad Pitt fica mudo. Quando a equipe de escritores de humor do David Letterman para, o David perde a graça. Todos eles dependem dos textos dessas mentes extraordinárias que trabalham nos bastidores.
Mas, infelizmente, ainda tem muito jovem talentoso olhando para o mercado com as lentes do passado. Jornalistas, em especial, sonham trabalhar numa daquelas redações da década de sessenta, sem perceber que tem cada vez menos gente lá.
Como palestrante, ganho dinheiro escrevendo, mas não vendendo livros, porque não são best-sellers. Meus livros eu escrevi para ganhar dinheiro como palestrante, e eles têm ajudado. Escrevo meu blog com a mesma intenção (exceto meus blogs e vídeos onde falo de minha fé). É por isso que não levo livros para vender em palestras, e nem insisto para o cliente comprar meus livros, porque quando vou fazer uma palestra o objetivo do livro já foi atingido, que é o de ajudar no fortalecimento de minha marca e gerar contratos.
Escrevo o tempo todo, e não apenas pensando em livros. Até as entrevistas eu procuro dar por escrito (ou gravo enquanto falo) para ter depois material para meu site ou para transformar em matéria da TV Barbante. Aliás, escrever traz também surpresas agradáveis, como saber que meus textos têm sido usados em várias provas de concursos públicos. Se você pretende prestar concurso, comece a ler meus textos...
Resumindo tudo, eu não seria o palestrante que sou se não fosse escritor, mas poderia ser palestrante assim mesmo. Portanto, qualquer palestrante que tenha alguma inclinação para as letras deve traçar sua estratégia de carreira com a seguinte pergunta em mente: como posso capitalizar em cima de meus textos? Na maioria das vezes a resposta não será "escrevendo um livro" ou vendendo seus textos, mas simplesmente ajudando as pessoas com a disseminação da informação que você tem para transmitir.
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16/06/2009
Filmar o palestrante?
Alguns palestrantes têm reservas quanto à filmagem ou gravação de suas palestras pelo cliente. Alguns contratos trazem uma cláusula proibindo a filmagem da palestra ou sua retransmissão. Você encontra também palestrantes que evitam ao máximo deixar que vídeos de suas palestras acabem no Youtube. O que fazer?
Primeiro é preciso que o palestrante entenda que vivemos um momento ímpar do acesso à tecnologia e não há como atuar hoje da mesma maneira como atuávamos há 20 anos. A tecnologia e o acesso a dispositivos de gravação e filmagem cada vez mais sofisticados vai continuar e hoje já posso ver pessoas na platéia com o braço erguido segurando um celular ou câmera para gravar minha palestra. Devo descer lá para confiscar o equipamento? Expulsá-las do recinto? Processá-las por uso indevido da imagem do palestrante? De jeito nenhum. Quando não puder lutar contra o inimigo tecnológico, junte-se a ele.
Há situações especiais quando o cliente pretende transmitir a palestra, ao vivo ou gravada, para diversas unidades da empresa no Brasil ou no mundo, o que pode de certa forma criar uma situação de perda de receita. Quando o palestrante faz uma palestra só que será reutilizada por todas as unidades, ele está deixando de ser contratado para as demais. Em casos assim pode até existir um acordo para acrescentar algum valor ao contrato, mas eu acho que isso também vai ficar tão usual quanto alguém filmar com o celular.
Algumas empresas têm suas unidades conectadas por vídeo como forma de integrar as equipes, e vai chegar uma hora quando o recinto onde você está em uma grande empresa não terminará mais nas quatro paredes. Então os palestrantes terão de se acostumar com a idéia de que na sala onde está fazendo sua apresentação o Big Brother está presente mandando sua imagem para outros lugares. É bom ir se acostumando ao olho de vidro que nos vê em todo lugar.
O que eu faço com relação a tudo isso? Primeiro, não me importo que filmem, mas você perceberá que não tenho material em DVD por exemplo para enviar para os clientes. Tenho vídeos caseiros e trechos de palestras na TV Barbante no Youtube que, como o nome diz, é amarrada com barbante, portanto quem assistir sabe que não está vendo uma gravação profissional. Isto ajuda a proteger minha apresentação.
Por que? Porque toda gravação em vídeo, por mais profissional que seja, jamais conseguirá transmitir o calor da presença pessoal, e um DVD enviado a um cliente pode até atrapalhar na contratação. Porém, se o cliente sabe que os únicos vídeos que poderá ver são as mambembes produções que coloco no Youtube, acabará pensando consigo mesmo, "Bem, acho que ao vivo ele deve ser melhor do que isso". Antes que me esqueça, já fechei vários negócios com empresas que me viram no Youtube ou receberam por email um link que algum amigo mandou.
Uma outra questão é se o palestrante deve ou não publicar trechos ou cenas de palestras no Youtube, porque suas melhores cenas podem ser também seus pulos do gato, que podem ser copiados por outros palestrantes ou atrapalharesm na contratação, já que o cliente não vai querer ver de novo o que já viu. Duas observações cabem aqui.
Primeiro, quem copiar a letra e a música do Roberto Carlos pode, no máximo, se apresentar como um cover dele, cobrando uma fração do artista original, mas nunca será o Roberto Carlos. Segundo, por uma interessante característica do comportamento humano, quem assiste uma palestra em vídeo no Youtube geralmente está pensando em algo como "isso aqui serve para o José" ou "a Maria precisava ouvir isso". Então essa pessoa acaba se tornando uma agente em potencial, que acabará "vendendo" a idéia de me contratar na empresa onde atua. E ainda que os quinhentos colaboradores da empresa assistam todos os vídeos, dificilmente aquilo será exatamente o que falarei no evento para o qual me contratarem.
As piadas podem até ser as mesmas, mas eles não estão me contratando como humorista, mas como palestrante.
Primeiro é preciso que o palestrante entenda que vivemos um momento ímpar do acesso à tecnologia e não há como atuar hoje da mesma maneira como atuávamos há 20 anos. A tecnologia e o acesso a dispositivos de gravação e filmagem cada vez mais sofisticados vai continuar e hoje já posso ver pessoas na platéia com o braço erguido segurando um celular ou câmera para gravar minha palestra. Devo descer lá para confiscar o equipamento? Expulsá-las do recinto? Processá-las por uso indevido da imagem do palestrante? De jeito nenhum. Quando não puder lutar contra o inimigo tecnológico, junte-se a ele.
Há situações especiais quando o cliente pretende transmitir a palestra, ao vivo ou gravada, para diversas unidades da empresa no Brasil ou no mundo, o que pode de certa forma criar uma situação de perda de receita. Quando o palestrante faz uma palestra só que será reutilizada por todas as unidades, ele está deixando de ser contratado para as demais. Em casos assim pode até existir um acordo para acrescentar algum valor ao contrato, mas eu acho que isso também vai ficar tão usual quanto alguém filmar com o celular.
Algumas empresas têm suas unidades conectadas por vídeo como forma de integrar as equipes, e vai chegar uma hora quando o recinto onde você está em uma grande empresa não terminará mais nas quatro paredes. Então os palestrantes terão de se acostumar com a idéia de que na sala onde está fazendo sua apresentação o Big Brother está presente mandando sua imagem para outros lugares. É bom ir se acostumando ao olho de vidro que nos vê em todo lugar.
O que eu faço com relação a tudo isso? Primeiro, não me importo que filmem, mas você perceberá que não tenho material em DVD por exemplo para enviar para os clientes. Tenho vídeos caseiros e trechos de palestras na TV Barbante no Youtube que, como o nome diz, é amarrada com barbante, portanto quem assistir sabe que não está vendo uma gravação profissional. Isto ajuda a proteger minha apresentação.
Por que? Porque toda gravação em vídeo, por mais profissional que seja, jamais conseguirá transmitir o calor da presença pessoal, e um DVD enviado a um cliente pode até atrapalhar na contratação. Porém, se o cliente sabe que os únicos vídeos que poderá ver são as mambembes produções que coloco no Youtube, acabará pensando consigo mesmo, "Bem, acho que ao vivo ele deve ser melhor do que isso". Antes que me esqueça, já fechei vários negócios com empresas que me viram no Youtube ou receberam por email um link que algum amigo mandou.
Uma outra questão é se o palestrante deve ou não publicar trechos ou cenas de palestras no Youtube, porque suas melhores cenas podem ser também seus pulos do gato, que podem ser copiados por outros palestrantes ou atrapalharesm na contratação, já que o cliente não vai querer ver de novo o que já viu. Duas observações cabem aqui.
Primeiro, quem copiar a letra e a música do Roberto Carlos pode, no máximo, se apresentar como um cover dele, cobrando uma fração do artista original, mas nunca será o Roberto Carlos. Segundo, por uma interessante característica do comportamento humano, quem assiste uma palestra em vídeo no Youtube geralmente está pensando em algo como "isso aqui serve para o José" ou "a Maria precisava ouvir isso". Então essa pessoa acaba se tornando uma agente em potencial, que acabará "vendendo" a idéia de me contratar na empresa onde atua. E ainda que os quinhentos colaboradores da empresa assistam todos os vídeos, dificilmente aquilo será exatamente o que falarei no evento para o qual me contratarem.
As piadas podem até ser as mesmas, mas eles não estão me contratando como humorista, mas como palestrante.
31/05/2009
O palestrante e a saúde
Quando o palestrante precisa acordar no meio da noite em um hotel longe de casa e pegar um táxi para o hospital, das duas uma: ou vai dar uma palestra para o turno da noite, ou está com cálculo renal. Eu estava com cálculo renal.
Era a madrugada de um evento e nem preciso dizer que fui obrigado a cancelar minha palestra naquele dia, algo que só tinha acontecido uma vez no dia do falecimento de minha mãe. Felizmente a empresa era cliente há anos e entendeu perfeitamente.
A lição aprendida? Primeiro, o palestrante deve cuidar muito bem de sua saúde, porque além dele e das pessoas mais próximas, pode haver uma platéia de dezenas ou centenas de pessoas esperando por sua palestra. Eu sempre procurei tomar cuidado com a alimentação em hotéis e restaurantes, e principalmente em não sair do hotel na noite que antecede o evento para evitar qualquer eventualidade.
Acidentes e assaltos são apenas alguns dos sinistros aos quais o palestrante está sujeito se decidir passear à noite em uma cidade desconhecida. Sem falar de palestrantes novatos que nunca saíram de casa e decidem cair na farra na véspera do evento. Vi um palestrante assim aparecer no evento com mais de uma hora de atraso, de ressaca, com a barba por fazer e ainda acompanhado. O cliente ficou por conta.
Alimentos contaminados são grandes inimigos do palestrante e por mais que você adote precauções, se já está na estrada há alguns anos como eu certamente sabe o que é ter uma dor de barriga daquelas de matar bem na hora da palestra.
Em eventos in company (99% de meus eventos são in company) fica sempre mais fácil o palestrante administrar um problema assim pedindo para alterar a ordem das apresentações ou até combinando com outras pessoas de tomarem seu lugar por alguns minutos enquanto vai aliviar seu fardo. Afinal, a última coisa que você deseja é se borrar todo na frente de todo mundo, não é mesmo? Bem, se a sua palestra for maçante isso pode até acrescentar alguma emoção ao espetáculo.
Não chegou a acontecer comigo, mas em uma ocasião cheguei a combinar com o grupo de teatro, que se apresentaria depois de mim, para inventar alguma intervenção em minha palestra caso eu desse sinal de tsunami iminente. Felizmente consegui controlar durante a hora e meia da palestra, permanecendo quieto no palco e com os pés bem juntinhos.
No caso da pedra no rim eu não tinha muito o que fazer. Foi hospital mesmo, seguido de uma semana de molho até a dita cuja decidir sair. Por isso o palestrante deve ter um bom plano de saúde e se informar se poderá utilizá-lo em caso de emergência em qualquer lugar do país. Alguns planos permitem serviços adicionais, como internações e tratamentos mesmo longe de casa.
É importante o palestrante ter em sua bagagem algumas coisas básicas, como analgésicos, anti-térmicos e outros apetrechos que podem ser úteis em emergências. Em minha mala até protetor auricular eu carrego, mas é só para dormir em voos barulhentos. Antes que me pergunte, é inútil em caso de diarréia.
Era a madrugada de um evento e nem preciso dizer que fui obrigado a cancelar minha palestra naquele dia, algo que só tinha acontecido uma vez no dia do falecimento de minha mãe. Felizmente a empresa era cliente há anos e entendeu perfeitamente.
A lição aprendida? Primeiro, o palestrante deve cuidar muito bem de sua saúde, porque além dele e das pessoas mais próximas, pode haver uma platéia de dezenas ou centenas de pessoas esperando por sua palestra. Eu sempre procurei tomar cuidado com a alimentação em hotéis e restaurantes, e principalmente em não sair do hotel na noite que antecede o evento para evitar qualquer eventualidade.
Acidentes e assaltos são apenas alguns dos sinistros aos quais o palestrante está sujeito se decidir passear à noite em uma cidade desconhecida. Sem falar de palestrantes novatos que nunca saíram de casa e decidem cair na farra na véspera do evento. Vi um palestrante assim aparecer no evento com mais de uma hora de atraso, de ressaca, com a barba por fazer e ainda acompanhado. O cliente ficou por conta.
Alimentos contaminados são grandes inimigos do palestrante e por mais que você adote precauções, se já está na estrada há alguns anos como eu certamente sabe o que é ter uma dor de barriga daquelas de matar bem na hora da palestra.
Em eventos in company (99% de meus eventos são in company) fica sempre mais fácil o palestrante administrar um problema assim pedindo para alterar a ordem das apresentações ou até combinando com outras pessoas de tomarem seu lugar por alguns minutos enquanto vai aliviar seu fardo. Afinal, a última coisa que você deseja é se borrar todo na frente de todo mundo, não é mesmo? Bem, se a sua palestra for maçante isso pode até acrescentar alguma emoção ao espetáculo.
Não chegou a acontecer comigo, mas em uma ocasião cheguei a combinar com o grupo de teatro, que se apresentaria depois de mim, para inventar alguma intervenção em minha palestra caso eu desse sinal de tsunami iminente. Felizmente consegui controlar durante a hora e meia da palestra, permanecendo quieto no palco e com os pés bem juntinhos.
No caso da pedra no rim eu não tinha muito o que fazer. Foi hospital mesmo, seguido de uma semana de molho até a dita cuja decidir sair. Por isso o palestrante deve ter um bom plano de saúde e se informar se poderá utilizá-lo em caso de emergência em qualquer lugar do país. Alguns planos permitem serviços adicionais, como internações e tratamentos mesmo longe de casa.
É importante o palestrante ter em sua bagagem algumas coisas básicas, como analgésicos, anti-térmicos e outros apetrechos que podem ser úteis em emergências. Em minha mala até protetor auricular eu carrego, mas é só para dormir em voos barulhentos. Antes que me pergunte, é inútil em caso de diarréia.
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17/04/2009
Um palestrante que ensina outros palestrantes?
Isso mesmo, esta é a surpresa de alguns quando visitam este blog. Por que razão eu estaria "entregando o ouro para o bandido", ou seja, dando dicas para aqueles que podem ser meus concorrentes?
A verdade é que neste segmento sempre existe lugar para mais um, pois não depende apenas de conhecimento, mas de talento. E sempre há alguém mais talentoso do que eu para ensinar aquilo que eu mesmo não tive oportunidade de aprender. Talvez você seja alguém assim.
O estilo também é importante na atividade do palestrante, e isso funciona um pouco como na música. Você pode ter um milhão de amigos cantando músicas do Roberto Carlos, mas Rei só tem um. Alguém que tente fazer uma palestra exatamente com o conteúdo de uma palestra minha certamente não irá ser a mesma coisa. Poderá até sair-se melhor do que eu para outro evento, outro público e outro cliente, mas nem tanto para o meu público ou o segmento que eu atendo.
Por isso dou dicas, ensino e não me preocupo muito com essa neura de estar entregando o ouro ao bandido. Mas eu não seria sincero se fosse só esta a razão de ensinar palestrantes. É claro que existe outra, menos nobre. Quem você gostaria que fizesse aquela cirurgia em seu coração, um cardiologista ou um professor de cardiologia?
Agora, para não dizer que não ensinei nada aqui, anote esta dica:
Crie temas adequados às necessidades das empresas e dos clientes pensando também nas datas importantes. Por exemplo, "Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho", "Semana do Meio Ambiente", "Semana da Enfermagem", "Semana da Administração", "Semana de Contabilidade" e por aí vai. Gostou da dica? Então pode começar a trabalhar seus temas e providenciar para que sejam encontrados em seu site.
A verdade é que neste segmento sempre existe lugar para mais um, pois não depende apenas de conhecimento, mas de talento. E sempre há alguém mais talentoso do que eu para ensinar aquilo que eu mesmo não tive oportunidade de aprender. Talvez você seja alguém assim.
O estilo também é importante na atividade do palestrante, e isso funciona um pouco como na música. Você pode ter um milhão de amigos cantando músicas do Roberto Carlos, mas Rei só tem um. Alguém que tente fazer uma palestra exatamente com o conteúdo de uma palestra minha certamente não irá ser a mesma coisa. Poderá até sair-se melhor do que eu para outro evento, outro público e outro cliente, mas nem tanto para o meu público ou o segmento que eu atendo.
Por isso dou dicas, ensino e não me preocupo muito com essa neura de estar entregando o ouro ao bandido. Mas eu não seria sincero se fosse só esta a razão de ensinar palestrantes. É claro que existe outra, menos nobre. Quem você gostaria que fizesse aquela cirurgia em seu coração, um cardiologista ou um professor de cardiologia?
Agora, para não dizer que não ensinei nada aqui, anote esta dica:
Crie temas adequados às necessidades das empresas e dos clientes pensando também nas datas importantes. Por exemplo, "Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho", "Semana do Meio Ambiente", "Semana da Enfermagem", "Semana da Administração", "Semana de Contabilidade" e por aí vai. Gostou da dica? Então pode começar a trabalhar seus temas e providenciar para que sejam encontrados em seu site.
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04/04/2009
Imprevistos, do palestrante ou do evento
Imprevistos acontecem, e o palestrante deve estar pronto a evitá-los e contorná-los. Obviamente até palestrantes são seres humanos, sujeitos a doenças, acidentes e até à morte, portanto sempre existe a possibilidade de você não conseguir cumprir algo que prometeu. Mesmo assim, horários devem ser vistos como sagrados na carreira do palestrante, mas é importante saber administrar o horário também de outras pessoas para não queimar o seu filme.
Em uma palestra aberta ao público, quando viu que o número de pessoas presentes ao evento era pequeno, o promotor me segurou nos bastidores o máximo que pode esperando que mais gente chegasse. Com isso fiquei mais de uma hora preso no camarim e o público que efetivamente tinha chegado no horário ficou o mesmo tempo esperando. Adivinha quem eles pensavam que tinha se atrasado quando apareci no palco? O palestrante, evidentemente.
Em outro evento, um treinamento para profissionais liberais das 14 às 18 horas, o promotor me pegou no aeroporto insistindo que era seu costume levar o palestrante para almoçar em um ponto turístico da cidade, a uma distância considerável do local do evento. O restaurante atrasou o almoço, pegamos trânsito na volta e entrei na sala do treinamento correndo, suado, envergonhado e com as idéias em turbilhão. Cerca de 40 pessoas me esperavam há 30 minutos.
Em um evento com vários palestrantes, o palestrante que daria a primeira palestra da manhã simplesmente sumiu. Segundo o hotel, ele nem tinha dormido em seu quarto. Felizmente eu e outros palestrantes já estávamos ali e o cliente conseguiu alterar a grade de palestras do evento, o que de certa forma desapontou muitos participantes que vinham apenas para ver uma ou outra palestra de seu interesse e não encontraram o que queriam no horário planejado. Eu mesmo, que faria minha palestra à tarde, acabei fazendo de manhã, antes do almoço.
O palestrante sumido só foi aparecer na hora do almoço, com a roupa toda amassada, a barba por fazer, acompanhado de uma "amiga" que trouxe da noite. Nem preciso dizer que seu nome foi riscado da agenda do cliente. Fica aí o alerta para quem gosta de conhecer a noite de uma cidade estranha na véspera de uma palestra. Não digo que você irá agir de forma irresponsável como esse palestrante, mas sempre existe o risco de um assalto, um acidente ou uma comida diferente fazer mal bem na hora de sua palestra no dia seguinte.
Portanto, procure ao máximo minimizar os riscos e administrar seu tempo e também o das pessoas que acabarão interferindo no seu. Não aceite informações sem verificar. Eu mesmo caí numa armadilha quando acordei cedo no hotel onde seria um treinamento, desci à sala para preparar meu material e equipamento, e a encontrei fechada. Pedi informações na recepção e avisaram que a empresa tinha solicitado a sala a partir das 9 horas da manhã, ao contrário da informação que eu tinha, que era de iniciar às 8 horas. Como ainda eram 7 horas, voltei ao quarto. Retornei à sala cinco minutos após as 8 horas, só para encontrar todos os participantes presentes e me aguardando.
Até hoje só precisei cancelar uma presença em evento, apesar de muitas chegadas em cima da hora por culpa de vôos que atrasaram ou de situações como as que mencionei no início. A única vez em que precisei ligar para o cliente e suspender um treinamento que seria no dia seguinte foi quando minha mãe estava prestes a morrer vítima de câncer. Quando percebi que sua hora se aproximava, liguei para o cliente que entendeu perfeitamente a situação e conseguiu renegociar com o hotel e o buffet uma nova data. No dia seguinte, no horário do evento cancelado, eu estava ao lado de minha mãe quando ela deu o seu último suspiro.
Em uma palestra aberta ao público, quando viu que o número de pessoas presentes ao evento era pequeno, o promotor me segurou nos bastidores o máximo que pode esperando que mais gente chegasse. Com isso fiquei mais de uma hora preso no camarim e o público que efetivamente tinha chegado no horário ficou o mesmo tempo esperando. Adivinha quem eles pensavam que tinha se atrasado quando apareci no palco? O palestrante, evidentemente.
Em outro evento, um treinamento para profissionais liberais das 14 às 18 horas, o promotor me pegou no aeroporto insistindo que era seu costume levar o palestrante para almoçar em um ponto turístico da cidade, a uma distância considerável do local do evento. O restaurante atrasou o almoço, pegamos trânsito na volta e entrei na sala do treinamento correndo, suado, envergonhado e com as idéias em turbilhão. Cerca de 40 pessoas me esperavam há 30 minutos.
Em um evento com vários palestrantes, o palestrante que daria a primeira palestra da manhã simplesmente sumiu. Segundo o hotel, ele nem tinha dormido em seu quarto. Felizmente eu e outros palestrantes já estávamos ali e o cliente conseguiu alterar a grade de palestras do evento, o que de certa forma desapontou muitos participantes que vinham apenas para ver uma ou outra palestra de seu interesse e não encontraram o que queriam no horário planejado. Eu mesmo, que faria minha palestra à tarde, acabei fazendo de manhã, antes do almoço.
O palestrante sumido só foi aparecer na hora do almoço, com a roupa toda amassada, a barba por fazer, acompanhado de uma "amiga" que trouxe da noite. Nem preciso dizer que seu nome foi riscado da agenda do cliente. Fica aí o alerta para quem gosta de conhecer a noite de uma cidade estranha na véspera de uma palestra. Não digo que você irá agir de forma irresponsável como esse palestrante, mas sempre existe o risco de um assalto, um acidente ou uma comida diferente fazer mal bem na hora de sua palestra no dia seguinte.
Portanto, procure ao máximo minimizar os riscos e administrar seu tempo e também o das pessoas que acabarão interferindo no seu. Não aceite informações sem verificar. Eu mesmo caí numa armadilha quando acordei cedo no hotel onde seria um treinamento, desci à sala para preparar meu material e equipamento, e a encontrei fechada. Pedi informações na recepção e avisaram que a empresa tinha solicitado a sala a partir das 9 horas da manhã, ao contrário da informação que eu tinha, que era de iniciar às 8 horas. Como ainda eram 7 horas, voltei ao quarto. Retornei à sala cinco minutos após as 8 horas, só para encontrar todos os participantes presentes e me aguardando.
Até hoje só precisei cancelar uma presença em evento, apesar de muitas chegadas em cima da hora por culpa de vôos que atrasaram ou de situações como as que mencionei no início. A única vez em que precisei ligar para o cliente e suspender um treinamento que seria no dia seguinte foi quando minha mãe estava prestes a morrer vítima de câncer. Quando percebi que sua hora se aproximava, liguei para o cliente que entendeu perfeitamente a situação e conseguiu renegociar com o hotel e o buffet uma nova data. No dia seguinte, no horário do evento cancelado, eu estava ao lado de minha mãe quando ela deu o seu último suspiro.
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14/03/2009
Apresentacoes em palestras
Não vou ensinar aqui como o palestrante deve preparar sua apresentação em Power Point pois há muitos sites que falam disso. O palestrante deve ter bem claro em mente o tipo de suporte que pretende utilizar para sua palestra. Eu uso apenas uma apresentação em Power Point porque isso inclusive me ajuda a ordenar minhas ideias e mantém um começo, meio e fim para a palestra.
Minhas apresentações são basicamente slides com frases ou textos interessantes que servirão de base para o que vou falar. Palestrantes que colocam tudo o que falam na forma de textos nos slides podem mandar sua palestra por email para o público ao invés de tirá-los de casa para escutarem sua leitura monótona no auditório. Portanto, aprenda isso: a apresentação em Power Point não é o conteúdo de sua palestra, é apenas sua espinha dorsal, sua cola ou lembrete. Você não está ali para mostrar que sabe ler, mas para apresentar ideias que pareçam tiradas na hora do forno do cérebro, não textos copiados.
As imagens que uso são de minha autoria. Fui cartunista nos tempos de faculdade, portanto é fácil para mim criar bonecos que ilustrem a ideia principal de cada slide da palestra. Os personagens que desenho também ajudam a despertar interesse e criam uma uniformidade visual, já que todos têm o mesmo estilo. Se você decidir usar desenhos e fotos de bancos de imagens, veja se não precisa comprá-las antes. Não vá falar de ética nos negócios pirateando o trabalho de outros sem autorização.
Alguns palestrantes morrem de medo que sua apresentação em Power Point caia nas mãos do contratante ou do público. Levam seu próprio notebook ou exigem que o cliente apague a cópia usada durante a palestra, como se aquela coleção de slides com frases do Einstein e da Madre Teresa, enfeitadas com clip art do Windows, contivessem a fórmula da bomba atômica.
Eu não me importo nem um pouco que copiem minhas apresentações, porque não dá para fazer muita coisa sem o o palestrante que as criou. Além disso, minhas ilustrações têm um estilo tão peculiar que se outro palestrante tentar usá-las acabará fazendo propaganda minha. Portanto, não fique estressado se a sua apresentação "vazar" e for parar na Internet. Eu já vendi palestras justamente por isso.
Há quem utilize outros recursos como vídeos, sons, luzes e buzinas, mas eu me limito ao Power Point sem som porque é este o meu estilo. Apenas em treinamentos prolongados eu uso breves trechos de filmes famosos para promover discussões entre os participantes do treinamento. No mais, minha palestra é sustentada mesmo no gogó. Lembre-se de que se você usar obras inteiras, como músicas ou filmes, terá de pagar direitos autorais pois deixará de ser apenas uma citação ou amostra da obra. Consulte o ECAD se pretende fazer palestras com fundo musical.
Sons e efeitos visuais numa apresentação em Power Point podiam ter algum impacto quando a tecnologia surgiu, mas agora o palestrante que utiliza recursos assim pode atrapalhar sua mensagem. Esqueça aqueles efeitos de letrinhas aparecendo ao som de máquina de escrever ou vão pensar que você é do tempo delas. Sons tipo abertura do Windows a cada slide que é trocado também cansam. Tente outra coisa para acordar seu público.
Minhas apresentações são basicamente slides com frases ou textos interessantes que servirão de base para o que vou falar. Palestrantes que colocam tudo o que falam na forma de textos nos slides podem mandar sua palestra por email para o público ao invés de tirá-los de casa para escutarem sua leitura monótona no auditório. Portanto, aprenda isso: a apresentação em Power Point não é o conteúdo de sua palestra, é apenas sua espinha dorsal, sua cola ou lembrete. Você não está ali para mostrar que sabe ler, mas para apresentar ideias que pareçam tiradas na hora do forno do cérebro, não textos copiados.
As imagens que uso são de minha autoria. Fui cartunista nos tempos de faculdade, portanto é fácil para mim criar bonecos que ilustrem a ideia principal de cada slide da palestra. Os personagens que desenho também ajudam a despertar interesse e criam uma uniformidade visual, já que todos têm o mesmo estilo. Se você decidir usar desenhos e fotos de bancos de imagens, veja se não precisa comprá-las antes. Não vá falar de ética nos negócios pirateando o trabalho de outros sem autorização.
Alguns palestrantes morrem de medo que sua apresentação em Power Point caia nas mãos do contratante ou do público. Levam seu próprio notebook ou exigem que o cliente apague a cópia usada durante a palestra, como se aquela coleção de slides com frases do Einstein e da Madre Teresa, enfeitadas com clip art do Windows, contivessem a fórmula da bomba atômica.
Eu não me importo nem um pouco que copiem minhas apresentações, porque não dá para fazer muita coisa sem o o palestrante que as criou. Além disso, minhas ilustrações têm um estilo tão peculiar que se outro palestrante tentar usá-las acabará fazendo propaganda minha. Portanto, não fique estressado se a sua apresentação "vazar" e for parar na Internet. Eu já vendi palestras justamente por isso.
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